Este é o rose de Merlot daPizzato produzido no Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves, Brasil.
Sem arrependimento um belo vinho. E é um rose.
Ah os roses. Tão mal amados. Ouve-se coisas horríveis do rose. Para os super iniciados rose não é mistura de branco com tinto. Segundo, temos dois tipos de roses, os que nasceram para serem roses, desde a videira até a garrafa e os roses de sangria.
Os primeiros, facilmente encontráveis na Europa, principalmente no sul da França, como os roses de Tavel e Bandol entre outras regiões da França mediterrânea. Tratam-se de uvas tintas colhidas em tempos diferentes das uvas que produzirão vinhos tintos, como a Grenache. Ao serem maceradas as cascas ficam pouco tempo em contato com o mosto, assim temos os vinhos levemente rosados, secos e de acidez, as vezes marcante.
Já os roses de sangria são em geral os roses do novo mundo ou de países sem muita expressão neste estilo de vinho. As uvas tintas quando de seu início de fermentação ao crescer o mosto, retira-se parte dele, por sangria,aumentando a sua concentração. Bem, esta sangria mais tarde dará origem aos roses. Argentina, Brasil e Chile produzem quase 100% de seus roses por este método.
Bem, as razões de se beber rose são várias.
- É um vinho extremamente adaptável à culinária, à roda de amigos e as várias situações que temos uma multiplicidade de pratos para combinar com os vinhos.
- É um vinho agradável para se beber em dias mais amenos.
- Em termos de harmonia com os pratos é um coringa.
- Com pratos orientais é imbatível, enfrenta qualquer situação com galhardia. E melhor companhia para carne de porco.
- É um vinho charmoso, desde os aromas até a cor.
Mas muitos consumidores ainda tem resistência de comprá-los. Resistência duplicada quando se trata de um rose brasileiro. Mas, sem arrependimentos um vinho muito bom.
Este com a tradicional cor de casca de cebola, que eu gosto muito.
É um rose de Merlot. Álcool educadíssimo, 12,5 %, algo raro hoje em dia. Nariz um pouco fechado, mas com um agradável aroma de melancia e morangos. Na boca acidez marcante, muito diferentes do que pensam alguns que imaginam o rose como um vinho doce. Médio corpo e final de gole persistente.
Um vinho feito com o esmero de uma vinícola que preza pelo cuidados aos seus vinhos e não tem uma produção desmedida. Mesmo assim, um preço bem razoável para a qualidade do vinho.
Está de parabéns a Pizzato. Prova de que o Brasil pode fazer belos vinhos. Podem comprá-lo sem arrependimento.
Hoje, parceiro de uma costela de porco com geleia de amoras, sem açúcar da Casa de Madeira, também, de Bento Gonçalves.
A costela de porco cada um asse do jeito que quiser, para a calda de amora,
200 gramas de geléia de amora, 100 ml de vinho do Porto mais 100 ml de água.
Por fim, a inesquecível Edith Piaf, sem arrependimentos.
Agora que a série Mapa do Vinho deste blog está no Brasil, mais precisamente no Rio Grande do Sul comecei a re visitar alguns produtores da serra gaúcha.
Confesso que fiquei um tanto assustado com a dimensão que o Vale dos Vinhedos tomou, hoje, parece que qualquer garagem tornou-se vinícola.
Pois bem, resolvi aparecer na Dom Cândido, na verdade no final do dia, atrás de capeletti, a massa desta foto abaixo.
Os melhores que conheci até hoje são feitos pela nonna Matriarca da Dom Cândido, mas isto já tinha uns 6 anos que não aparecia por lá.
Acostumado a ser recebido por um exército de funcionários não mais vendo os proprietários tive uma grata surpresa quando vi a Nonna com seu sorriso franco a receber os visitantes.
Logo fui recebido com um abraço e fiquei muito feliz de vê-la por lá. Pena que perdi a presença do Dom Cândido.
E, melhor, lá estavam os capeletti a me esperarem.
Pois sou do tempo em que a Dom Cândido que é vizinha da Casa Valduga era separada por uma cerca, os Patriarcas são irmãos, os proprietários primos, tudo família.
Hoje o progresso criou barreiras físicas entre as vinícolas.
A vinícola Dom Cândido optou pelo crescimento lento e constante, hoje a parte de trás da vinícola vai abrigar, também, a sede administrativa. Mas ainda continua, graças a Deus com a mesma aparência.
Ou esta da vinícola.
Hoje produzem espumantes de qualidade internacional, as uvas mais tradicionais como Chardonnay, Merlot, este com um top maravilhoso o Merlor Documento e o Cabernet Sauvignon, desde vinhos básicos até mais refinados.
O destaque vem por conta do vinho 4 geração feito com a casta Marselan um cruzamento entre a Grenache Preta e a Cabernet Sauvignon, na hora da prova me pareceu um vinho bastante encorpado com teor de álcool mais elevado parceiro de um bom inverno.
Estou com uma garrafa em casa, após abri-la irá para o blog.
Na volta já no carro me lembrei desta música que tantas vezes ouvi nas visitas as vinícolas da serra. Me lembrei dos imigrantes, da sua luta para sobreviver e hoje o que vemos quando vamos para a serra gaúcha, muito desenvolvimento, progresso e beleza natural.
Já que estamos a falar de Encruzilhada do Sul/RS e seu destacado terroir para uvas viníferas, vamos falar deste nobre representante.
A uva Gewürtztraminer
parece ter crise de identidade. Possui a casca vermelha, mas produz um vinho branco de excelência máxima. Tem nome alemão mas nasceu em Traminer, hoje, Itália, Alto Ádige, antigo Süd Tirol do império Austro-Húngaro, mas faz um sucesso danado na Alsácia, França. Para muitos difícil de falar o nome, mas muito fácil de se apaixonar pelos seus vinhos. Gewurtz (espciaria) em alemão Traminer.
Cuidado ao abrir um bom vinhos com esta uva, logo surge uma explosão de aromas que vão das frutas ao frutos secos. Na boca outro show. Na ponta da língua o seu adocicado característico e ao fundo a acidez bem-vinda. Experimente encher a boca com este vinho e deixá-lo lá por uns instantes. É um caleidoscópio de sabores e aromas.
Mas ela tem seus caprichos. Sua produção é baixa o que faz com que muitos não a plantem. Não se adapta fácil em qualquer lugar. Alcança seu potencial máximo na Alsácia, mas pode ser encontrada com qualidade na Itália, Alto Ádige, Austrália, Nova Zelândia, EUA e, com critério, no Chile e no Brasil, isto mesmo. O Brasil em tempos idos foi um bom produtor desta casta, principalmente na fronteira com o Uruguai.
Mas, sem dúvida alguma, os alsacianos são os melhores nesta casta.
No nariz não fugiu a regra. Ao abrir o vinho parece uma feira, melão, mamão, banana, abacaxi, frutos de polpa branca, e por aí vai.
Na taça foge um pouco, de cor amarelo mais clara, como vemos na foto. Na boca uma grande diferença, acidez marcante e corpo médio, algo bem diferente dos Gewürtz tradicionais, mas mesmo assim um belo vinho.
Como combinação sugiro um peixe de pouca gordura, algo como um linguado com cremes mais encorpados.
Eis um bom velhinho. Na visita que fiz ao Eduardo Angheben havia comentado que penso ser a Merlot nossa grande uva ícone.
O Rio Grande do Sul tem todas as condições de desenvolvê-la. É uma uva que adapta-se, maravilhosamente bem ao clima frio e de pouco sol no verão. Gosta de solos arenosos e úmidos, condições que lembram seu berço, o lado direito do Gironde, em Bordeaux, França.
Sabe-se que Pomerol, Saint Emilion e Fronsac, são as melhores regiões da margem direita do estuário Gironde e do rio Dordogne. Ali as melhores uvas são a Merlot e a Cabernet Franc em detrimento de uma menor quantidade no corte da Cabernet Sauvignon.
Vejam a foto da Merlot no Chateau Petrus
Arenoso até onde pode.
Tratando-se de vinhos mais velhos tudo o que é sólido desmancha no ar. Todos os nossos conceitos evaporam quando estamos diante de um vinho antigo que não foi projetado para tanto.
Não estamos diante dos grandes europeus, estilo Barolo, Barbaresco, Aglianico, entre outros que foram feitos para serem apreciados com o mínimo de 10 anos de garrafa.
Vamos pela rolha que cumpriu seu trabalho por 12 anos, PERFEITA.
Não tem nenhum vazamento. Diga-se que a função da rolha, além de vedar, é manter a micro-oxigenação do vinho, um corpo vivo, disse micro-oxigenação, portanto, lenta e constante. Se houver vazamento o vinho muito provavelmente se tornou vinagre.
Como tem vinho que aguenta a super oxigenação, a cor de um vinho mais velho é essencial. Se tiver o centro ou as borda cor de tijolo, no caso dos tintos, e amarelo escuro nos brancos, o vinho está oxidado, morreu.
Vejam a linda cor deste Merlot de 12 anos
Terceiro passo, é a necessidade de decantar. Cuide, um vinho muito antigo que não foi projetado para esta idade, como este, não pode ser decantado. Se um velhinho correr ele morre.
Este vinho foi uma grata surpresa. Estava, tanto na vinícola como em casa, maravilhoso. Nariz mais fechado que os mais novos, mas ainda assim com boa dose de , aromas de amoras e frutos vermelhos. A cor é só ver a foto acima vermelho translúcido, muito diferente dos tintos retintos de hoje em dia. Na boca um vinho europeu, isto é, elegante, álcool na medida educada, 12 G/L. Leve acidez muito convidativa para um bom prato de massa com molho vermelho.
Um vinho que me surpreendeu, pela idade e pela jovialidade e vitalidade.
Assim como o meu amigo BB King, amigo de muitos momentos. Apesar da idade atual como poucos.
Serra do Sudeste está aí, mais ao centro sul do Estado. A necessidade de novos terroirs levaram os produtores de vinho, tradicionalmente estabelecidos na serra gaúcha mais para o centro sul.
Região de altura média de 350 metros, solo pedregoso, invernos rigorosos e verões ensolarados mas amenos a noite nos trazem condições ideais para uvas tintas, em especial, e brancas como a Chardonnay.
Duas cidades se localizam acima dos 400 metros de altura, Encruzilhada do Sul, para onde migraram a maioria dos produtores de vinho e Piratini, mais ao sul.
Nesta região diferentes uvas estão sendo plantadas, como a Teroldego e Barbera e excelente adaptação da manhosa Pinot Noir e da Merlot.
Já havia comentado em posts anteriores ao falar da Angehben que suas uvas eram de videiras plantadas em Encruzilhada do Sul.
Agora vou recolocar duas matérias sobre a Vinícola Copetti Czarnobay, único produtor a vinificar suas uvas em Encruzilhada do Sul. Além de acreditar no produtor, faz questão de colaborar com o desenvolvimento da aprazível Encruzilhada do Sul.
Começamos com o Merlot.
Este vinho me fez lembrar os conceitos e preconceitos em relação ao vinho tinto no Brasil e a uva da qual foi feito.
A felicidade com este vinho começa com o nome: Alto das Figueiras. Sob a frondosa sombra da centenária Figueira certamente gerações passaram, com suas alegrias, esperanças, lutas e tristezas. Assim como é a vida dos produtores no Brasil. Não pensem que é fácil.
Depois o rótulo. Lindo e simples. Ele cumpre com perfeição sua função. No contra-rótulo importantes informações sobre o vinho a ser apreciado.
Mas e o vinho? Bem o vinho, 100% de Merlot, após ligeira oxigenação no decanter, logo abriu em aromas elegantes de ameixa e framboesa seguido de um leve toque de tostado resultado da madeira na qual estagiou.
Cor vermelho vivo, intenso sem ser tinto retinto. Na boca confirmou os aromas, firme, forte e elegante. Senti, apenas, o final de gole, sua persistência é ligeira. Faltou um pouco de arranque final. De qualquer sorte confirma a vocação do solo riograndense para a produção de Merlot.
Assim os conceitos que se firmam. Podemos sim fazer tintos de referência, principalmente os que se utilizam, em corte ou varietal, da Merlot. Encruzilhada do Sul, cada vez mais, firma-se como um das melhores regiões de uvas vínicas no Rio Grande do Sul.
Agora os preconceitos. Já dizia Einestein, mais fácil destruir um átomo do que um preconceito. Aqui começa com o vinho nacional, principalmente o tinto, afinal os espumantes já encontraram seu lugar ao sol. As pessoas pensam que o único vinho tinto que serve são os tintos retintos andinos, ao estilo arrasa quarteirão. Erro total. Cada terra e clima (terroir) produzem um estilo de vinho e este, junto com a culinária e a música são o exemplo da cultura de um povo, rincão, de um lugar. Aqui não é diferente, devemos compará-lo com outros vinhos tintos nacionais, caso contrário estaremos em erro. Comparar grandezas diferentes não é correto.
E este vinho, de médio corpo, aromático e muito bem conseguido está de mãos dadas com um assado de ovelha, típico da culinária de Encruzilhada do Sul.
Outro preconceito é a ideia de que a Merlot não produz grandes vinhos. Assim é a ideia porque nossos supermercados foram inundados com vinhos Merlot, principalmente chilenos, os reservados, de péssima qualidade. Ficou no imaginário que a Merlot não produz grandes vinhos.
A Merlot, junto com a Cabernet Franc e a Sauvignon, faz parte do famoso corte bordalês, responsável pelos caros vinhos de Bordeaux, França. A uva gosta de regiões de solos frios e climas umidos. Verão não muito quente e, principalmente frio a noite. Clima assim lembra o que? A região de Encruzilhada do Sul. Portanto, perfeitamente adaptada ao terroir local.
Não consegui deixar de pensar numa boa ovelha com este vinho. Esta ovelha quero apreciá-la em Encruzilhada do Sul com meus amigos.
Depois o Espumante.
Pois bem, este espumante foi produzido com uvas plantadas em Encruzilhada do Sul, até aí, sem novidade, eis que várias vinícolas do Rio Grande do Sul tem alguns anos plantam suas uvas por lá.
A primeira surpresa está que esta é a única que tem sua sede em Encruzilhada, desde sempre, e vinifica por lá seus vinhos, ao contrários das outras que transferem as uvas para serra gaúcha.
Encruzilhada do Sul, este amável município fica a menos de duas horas de carro a sudoeste de Porto Alegre. Está localizado na Serra do Sudeste que possui altura média de 300 a 400 metros de altura, sendo boa parte de seu solo de pedra, com invernos rigorosos e verões com excelente insolação. De dia muito sol e a noite a temperatura baixa consideravelmente.
A combinação de solo rochoso, dias ensolarados e noites frias, pela altura em que estão plantados os vinhedos, garantem, um lento amadurecimento das uvas, garantindo, assim, a fixação de aromas e sabores.
Este espumante ainda me reservou outras surpresas.
Elaborado em tanques de inox, pelo método Charmat longo, com Chardonnay, Merlot e Cabernet Sauvignon, estas duas tintas vinificadas em branco, isto é sem a casca o que os franceses chamam de blanc de noir, branco do preto. De cor amarelo esverdeado, típica dos melhores Chardonnay.
Mais uma surpresa, ao ser aberta explode em aromas de abacaxi, melão e pêssego, algo raro nos espumantes, pois as uvas são colhidas antecipadamente para garantir a acidez necessária para a vinificação do espumante, não tendo, então a fixação dos aromas.
A terceira surpresa fica por conta de um aroma sutil de nozes, algo que tem muito tempo não sentia nos Chardonnay.
A quarta surpresa está na cremosidade e untuosidade deste espumante, pois foi elaborado pelo métdodo Charmat, isto é, a segunda fermentação, necessária para a elaboração de um espumante, dando-se em tanques de inox, raramente possuem esta característica. A cremosidade está presente nos espumantes elaborados pelo método tradicional, segunda fermentação na garrafa e mesmo assim após alguns anos de descanso.
Fiquem com Wes Montgomery, para mim, um dos melhores na guitarra, isto que auto didata.
Eis um belo vinho brasileiro. Uma Aurora do vinho brasileiro de alta qualidade.
A região de Pinto Bandeira possui uma região demarcada, chamada Vinhos de Montanha. Distrito de Bento Gonçalves sempre foi uma região destinada a condições especiais para a produção de espumantes. Ali, desde sempre, está a Cave Geisse, hoje, referência em espumante brasileiro, além da Don Giovani e Valmarino.
Sempre entendi que a Chardonnay poderia ser melhor trabalhada para que se pudesse produzir um vinho branco com a cara do Brasil, com a tipicidade necessária para dar identidade a um vinho. Por tipicidade entendo aquela característica que logo podemos identificar como marca registrada.
Pois este é assim. Um vinho que pode enfrentar, com a máxima certeza bons vinhos argentinos e chilenos desta uva. Podem acreditar.
A Chardonnay é seguramente a casta branca mais apreciada e plantada no mundo todo. Para muitos a única uva branca que conhecem e gostam. Normal, se pensarmos que a cada 10 vinhos brancos consumido no mundo agora 9 sejam feitos desta casta.
Há os mais variados estilos de Chardonnay na medida em que a casta é extremamente versátil aos terrenos em que plantada bem como o clima da região. Além do que aceita e bem o estágio em madeira.
A Chardonnay de climas mais quentes apresenta-se com mais doçura do fruto, mais frutada e um tanto puxada para o mel e frutas secas.
Em climas mais frios apresenta-se mais ácida, seca e com aromas cítricos.
Quando passada por carvalho apresenta-se mais amanteigada com aromas de baunilha.
Aqui, o clima mais frio a noite e com boas doses de sol no final da maturação, nos trazem um vinho com acidez marcante, passado nas barricas francesas e americanas, que dão uma elegância interessante.
Cor típica dos bons Chardonnay, amarelo palha puxando para o esverdeado. Nariz de frutas de polpa branca, como maçã verde e pera. Na boca elegante, madeira presente mas não impositiva, médio corpo e final de gole prolongado.
Um excelente vinho branco que confirmou o que pensava sobre o potencial da região para brancos de qualidade, fico feliz.
Este vinho pela sua brasileiro que é, mas sobretudo do Rio Grande do Sul, merece, aquele que é, para mim, o grande compositor gaúcho, Lupicinio Rodrigues.
Na visita que fiz a vinícola Angheben, havia comentado com o Eduardo, o enólogo, que tinha registrado na minha memória sensitiva um grande espumante da Angheben que havia apreciado tempos atrás.
Pois bem, o amigo encontrou exemplares antigos e os colocou para gelar. No encontro abrimos um e levei outro, este da foto. Mas antes de falar sobre ele é impostante destacar que nós temos a sensação de que o espumante nos traz alegria, nos remete a festa e comemorações.
De certo modo não estamos errados. Eu apenas levo um pouco mais a sério. Gosto dos espumante que tem um estilo mais clássico, menos festeiros.
Este estilo de vinho tem origem nas abadias francesas. Falar de Champagne e não falar dos Monges é não falar deste vinho. As primeiras vinhas foram plantadas pelos Romanos. Na Idade Média, as pequenas cidades feudais viviam em função dos nobres e da Igreja.
Quer queiram quer não, a Igreja, nesta época, desenvolveu importante papel na sociedade. As Abadias, do latim Abattia deriva do aramaico Abba (Pai), eram verdadeiros oásis na selva que era a vida fora dos burgos e das áreas controladas pela Igreja.
Nos Mosteiros, Conventos e Abadias a vida seguia em segurança, algo como um condomínio fechado, se assim posso comparar, onde se desenvolvia a gastronomia, a cultura e, claro, o vinho.
Diz a lenda que o Monge Dom Perignon, meio sem querer querendo descobriu o método arcaico do Champenoise, qual seja, a segunda fermentação na garrafa.
Bem como dito a ligação entre Igreja e Monarquia era muito próxima, inclusive alguns Reis resolveram, por si, criar Igrejas ou mesmo serem um déspota iluminado, que o diga o Rei Sol, Luis XIV, os Champagnes logo ganharam os salões e se tornou sinônimo de vinho cheio de glamour.
Pois bem, este espumante não foi diferente, logo me lembrou uma boa música, um bom jantar e um deixa estar. Um oásis nesta vida tão conturbada que vivemos.
Um belo vinho para acompanhar um bailado.
A idade fez bem a este espumante. Ganhou seriedade e elegância. No nariz amêndoas ao invés do cítrico tradicional. Ao fundo o clássico cheirinho de padaria devido a fermentação. Na boca a elegância se mantém. Muita cremosidade e densidade. Ao contrário de uma certa aspereza dos espumantes mais novos.
A linha de bolinhas, o perlage que pode ser traduzido, na perfeição, como colar de pérolas, estava como devia ser, fino, com as bolinhas subindo com constância e levemente separadas uma das outras.
Realmente, um espumante fora de série, muito bem trabalhado e que a idade só fez foi melhorar. Pena que se foi, vamos esperar novas remessas, desde já estou na fila.
Aqui foi parceiro de uma salada de camarão.
Mas combinou melhor com a conversa e a música ao melhor estilo de Louis Armstrong.
Como disse a letra: Deve haver uma maneira de viver sem ti, mas eu ainda não encontrei.
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