GUATAMBU ESTÂNCIA DO VINHO – PARA AONDE VAMOS?

9 06 2013

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Pois bem, fui convidado para a inauguração daquela que é a mais moderna vinícola brasileira. Fincada no coração do pampa gaúcho. Um projeto ousado, pensado e realizado. 

Uma vinícola que irá mudar o perfil da região.

Me lembrou outro gaúcho pampeano Mário Quintana:

“Se as coisas são inatingíveis, não é motivo para não as querer. Que tristes os caminhos se não fosse a presença mágica das estrelas.”

As estrelas, também, guiaram este projeto. Vinhas jovens como este Chardonnay plantadas na fronteira do Brasil com o Uruguai vai, certamente, mudar o perfil da região.

A Campanha gaúcha é a região em verde no mapa. Quase toda a linha de fronteira com o Uruguai e parte da Argentina. Tão grande é a região, em torno de 600 quilômetros de ponta a ponta,  que já as dividimos em duas. A Campanha oriental, na fronteira com a Argentina e a Campanha propriamente dita.

Região das grandes fazendas, do gaúcho estilizado, aquele que é, por muitos chamado de Centauro dos Pampas. Por falar em pampa esta é uma  região pastoril de planícies com leves ondulações e possui, talvez o melhor pasto do mundo. Espalha-se por parte da Argentina e todo o Uruguai, vejam a foto. E, certamente, dali sai a melhor carne do mundo.

pampa

 

Mas além das pastagens únicas no mundo a Campanha tem um clima muito demarcado, pode-se até considerá-lo um clima continental. Muito frio no inverno e no verão muito sol e calor de dia, a noite refrescando nos locais mais altos. O solo muitas vezes rochoso são ideais para o plantio da uva.

E vamos nos honrar de termos um terroir como o pampa. Penso que tem potencial para ser tão importante quanto a serra gaúcha, a região de Canelones no Uruguai e outras tantas. Somos jovens no estudo deste terroir e temos tudo para evoluir. 

Que diga o Tannat desta região, melhor que muito Tannat uruguaio, menos agressivo, mais frutado e agradável.

Mas para que esta ideia torne-se realidade precisamos de empreendedores, conscientes de sua liderança na região, que comece, não só a plantar uvas, mas a vinificar seus vinhos na região, segurando mão de obra local, trazendo os ventos da renovação e, mais, iniciando um novo polo viticultor neste belíssimo terroir.

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Tive o pensamento de que por cada arco destes passou e passarão as gerações desta família Pötter que certamente seguirá adiante os ofícios e ensinamentos recebidos. 

Importante destacar que, de novo, que acreditam no potencial do pampa, não só para a agricultura e pecuária, mas, também, para vinhos de qualidade.

Aliás a Guatambu produz espumantes e vinhos tranquilos da melhor qualidade, mas o que me deixa esperançoso é a equipe que tem, o apoio familiar, pela recepção que tivemos TODA A FAMÍLIA está envolvida nesta ideia do vinho.

Me sinto honrado e agradecido com o convite recebido, meu DNA pampeano foi reaceso, tenho raízes familiares fortes na região e fico muito feliz em saber que temos muita estrada e sucesso pela frente. Também estou feliz em saber que mesmo fazendo parte de 0,00001% deste projeto ele está no meu coração e, no que depender de mim estarei sempre advogando a favor dos vinhos da região.

Um terroir que dará muito o que falar.

Além do que já produzem um Tannat de exceção com o charme do pampa.

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Este Tannat, assim como os vinhos da Guatambu e, porque não dizer, do pampa gaúcho vão dar muito o que falar.

Fiquem com Dante Ledesma interpretando Orelhano, gado sem brinco, sem dono que circula pelo pampa sem fronteira. Assim como a casta Tannat que vai de um lado para outro da fronteira mantendo sua característica de vinho pampeano.

 





FINCA LA ANITA – CUARTO DE MILLA 2005 SYRAH/MALBEC – TUDO QUE É SOLIDO DESMANCHA NO AR

2 06 2013

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Uma surpresa. Este vinho estava quietinho por aí. O produtor Bodega Finca La Anita tem nos seus vinhos de entrada este Cuarto de Milla em homenagem a raça de cavalos de origem inglesa.

Como vinhos de entrada não são elaborados para serem de guarda, mas sim de serem vinhos rápidos e ligeiros para consumo imediato.

Mas, me utilizando da frase de Karl Marx em relação ao capitalismo, Tudo o que é sólido desmancha no ar. Sério, já tive na minha frente vinhos que foram pensados e produzidos para serem apreciados anos depois e, surpresa, quando se abre, mesmo com rolhas especiais, um vinho que já sofreu as agruras do tempo.

Que todos os vinhos envelhecem, isto é certo, mas somente alguns envelhecem com saúde.

Este, pela cor envelheceu muito bem.

O produtor, Finca La Anita é capitaneada por um engenheiro, nascido e criado em Mendoza, mas que nunca esteve a frente de Bodegas. Morou no exterior muitos anos e resolveu, quando voltou para a Argentina começar, em Mendoza, uma Bodega estilo Chateau, isto é poucos área plantada e muita qualidade. Comprou uma Bodega em Agrelo – Lujan de Cuyo – Mendoza.

Diga-se que Lujan de Cuyo. Na volta de Mendoza, capital do Distrito, concentram-se várias sub-regiões IMPORTANTES para quem quer saber um pouco mais sobre os vinhos argentinos. Locais que hoje estão em destaque nos rótulos de vinhos e merecem total atenção.

A paisagem desta região é belíssima, poucos lugares neste planeta são tão singulares e bonitos.  Cuyo está situada ao pé dos Andes, num clima seco que proporciona uma paisagem quase lunar.

Toda a região é governada pelos Andes, desde o clima, com o vento Zonda, os granizos e  as tormentas de verão, passando pela  luminosidade e a irrigação feita através de canais de superfície do tempo dos Incas e pelos rios subterrâneos. Para chegar em Cuyo, necessariamente, se passa por pequenos desertos.

Quando se imagina que nada vai aparecer começam a surgir os vinhedos, literalmente, cravados na terra árida.

Não sem esquecer que o famoso Cordón de Plata, um anfiteatro no qual quanto mais alto mais disputada é a terra.

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O produtor fica em Agrelo, sub-região de Lujan de Cuyo. Uma das melhores junto com a vizinha Perdriel. Desde sempre terra dos melhores vinhos com a Syrah. Aliás, na Finca La Anita os vinhedos de Syrah são de pé franco e tem mais de 50 anos.

Os vinhedos de Malbec, nem tão antigos mas modernos não são.

Este vinho é um achado. Ao abri-lo, logo sai uma verdadeira estrabaria, couro e mais couro. Nada de frutos vermelhos. Seriedade total. Atrás do couro vem os aromas de frutos secos, aos estilo tâmaras e damasco.

Cor atijolada, típica dos vinhos mais antigos. Na boca muita serenidade e seriedade. Talvez nem o enólogo imaginou até onde chegaria este vinho.

Nada de decanter, senão, acabou. Se botar o velhinho para correr ele morre.

Um vinho único e certamente um dos meus preferidos. Aliás, prefiro esta serenidade que a explosão adolescente de alguns vinhos andinos.

Na música, como fiquei na dúvida entre a Alberta Hunter, com todo o esplendor de sua idade é desta dupla que tão bem canta e decanta o vinho vão os dois.





CASAS DEL TOQUI SYRAH TERROIR SELECTION 2009 – PARA NÃO DEIXAR DÚVIDAS

31 05 2013

 

 

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Para não deixar dúvidas de que o Chile produz grandes vinhos com esta casta gaulesa.

A Syrah, conta a lenda, que um cavaleiro templário, cansado das idas e vindas para o Oriente lutar nas cruzadas aqui estabeleceu-se e viveu como um Hermitage (eremita). Dizem, também, que as pequenas Igrejas e Capelas que ponteavam o caminho escondiam o dinheiro e outras riquezas saqueadas do Oriente ou mesmo serviam de cofre para que durante o caminho pudessem abastecerem-se. Logo veremos uma destas.

Sabe-se lá se trouxe ou melhorou as vinhas na região, mas o que importa e que daqui sai um dos melhores Syrah do que se pode produzir. Ao estilo Cote Rotie, forte, volumoso encorpado e bastante tânico assim com ótima vocação para envelhecer, com saúde, na garrafa. Após alguns anos temos um vinho rico de aromas, couro, especiarias, pimenta e um leve mentolado único que caracteriza um Syrah desta estirpe.

O clima continental ainda impera no vale do Rhône, inverno e verão bem demarcado sem muitas alterações climáticas favorecem o desenvolvimento de poucas, mas selecionadas castas.

Pois bem a pequena cidade Tain L’Hermitage é o coração do vale do Rhône. Mais uma vez em suas encostas, desta vez de quem sobe o Rhône no seu lado leste, estão plantados estes magníficos vinhedos.

Mas o certo é que a Syrah é uma uva que saiu do litoral do mediterrâneo e subiu o Rhone encontrando em Tain L’Hermitage seu berço.

Espalhada pelo mundo encontrou solo fértil no Chile. Aqui, no alto Cachapoal, certamente está bem situada.

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Na região abaixo do Maipo inicia o que se pode chamar de região central do Chile. Ali, desde já, destacam-se três regiões. Cachapoal, a primeira, depois Colchagua e mais a esquerda perto do Pacífico Rapel.

Em comum as três têm as duas cordilheiras, como na foto acima. Os frios ventos dos Andes juntam-se aos vindos do Pacífico e ficam represados entre as cordilheiras.

Esta região é uma das mais especiais para o vinho. Condições de sanidade em alta conta pelo clima seco. Mais livre das pragas, menos agrotóxicos. Dias ensolarados e noites frias no final da maturação garantem a qualidade das uvas. Soma-se a um clima muito estável com poucas variações climáticas ano a ano.

Importante destacar que é uma região não acidentada, vejam a foto do Cachapoal, o que garante menos utilização de máquinas e esforço humano.

O rio Colchagua divide os dois vales, Colchagua mais ao sul e Cachapoal ao norte.

A altura dos vinhedos está em torno de 250 a 300 metros. É importante destacar que ali estão as melhores condições para o desenvolvimento da, hoje, casta ícone, a Carmenère, antes confundida com a Merlot, mas que de uns tempos para cá separada e está sofrendo profundas modificações em seus vinhedos para que possa desenvolver todo o seu potencial.

Terroir (junção de clima e  solo) consagradíssimo para tintos de grande guarda como Cabernet Sauvignon, Merlot e alguns Syrah, estes de grande estirpe. Vinhos com alta recomendação de origem.

Aqui o produtor, Casas del Toqui, pretende, na série, Terroir Selection, nos trazer o melhor território para algumas castas selecionadas.

 O Alto Cachapoal é a região mais a leste subindo a Cordilheira dos Andes e pegando mais altura possui mais diferença de temperatura entre dia e noite nos verões, bem como a Syrah gosta.

Este vinho é um belo exemplo. Aqui a Syrah muito bem apanhada nos traz um vinho de cor vermelho rubi, brilhante e lindo. No nariz as especiarias de que falei, algo de noz moscada, pimentão verde e um tom de couro, típico dos Syrah de elite.

Na boca um apimentado puxando para o mentolado. Um vinho cheio, gordo e pleno de saúde. Um retrogosto prolongado e prazeroso.

Sabe, lembra uma conversa lenta e agradável com um amigo antigo.

Vai bem com Oscar Peterson e Joe Pass





PRIMEIROS PASSOS – CAMINHOS PARA A ESCOLHA DE UM ESPUMANTE/SPARKLING

26 05 2013

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A cena é comum nos supermercados e lojas especializadas. Consumidores e vendedores confusos na hora comprar/indicar um espumante.

Além do gosto pessoal é importante conhecer alguns detalhes que fazem a diferença no final.

Champagne, somente na região demarcada na França, todos os outros são espumantes. Os mestres do marketing, os americanos, a chamam de sparkling wine, vinho que solta flashes of light.

O vinho base do espumante é mais ácido e menos doce que o normal, pois irá sofrer nova fermentação. Assim normalmente o vinho base provem de regiões mais frias, na Itália, ao nordeste – Vêneto (Prosecco),  Franciacorta, na Lombardia, com os espumantes tradicionais e os Asti, do Piemonte. Na França, além da demarcada região do Champagne tem a Alsácia, Loire, Borgonha, enfim, regiões frias.  Portugal, Varosa. Espanha com as Cavas, da Catalunha. No Brasil, por ter condições ideais a serra gaúcha está inserida no mapa mundial deste tipo de vinho.

Prosecco não é tipo de espumante, mas sim a casta utilizada para fabricá-lo.

Cava é um tipo de espumante produzido somente em  Barcelona, Espanha, com castas locais.

Pode-se produzir o espumante por dois métodos, o Charmat e o Champenoise, levando em conta que o espumante deve, necessariamente, sofrer uma segunda fermentação na garrafa ou em tanques de inox.

O método Charmat consiste na segunda fermentação em tanques de inox com controle de temperatura, assim existe visível redução de custo, infelizmente, também, de qualidade, prefira, se o bolso permitir, comprar um champenoise.

No método tradicional ou Champenoise a segunda fermentação ocorre na própria garrafa. Mais caro mas mantém a qualidade do espumante por uma dezena de anos.

Quando produzidas no método champenoise, as garrafas são postas com inclinação de gargalo para baixo e giradas um quarto de volta por dia. Ao final do período necessário, forma-se na ponta acúmulo das leveduras. O gargalo é congelado e as borras são retiradas. O espaço é preenchido com o  licor de expedição para completar a garrafa.

Agora é que os caminhos serão definidos.  O licor de expedição, no caso dos Champenoise ou a pura adição de açúcar nos Charmat,  em quantidades que variam na legislação de cada país.

No Brasil.

DOCE: Igual ou superior a 60 gl de açúcar.

DEMI-SEC MEIO DOCE: De 20 a 60 gl de açúcar.

SEC – SECO: Entre 15 a 20 gl de açúcar.

BRUT: Entre 8 e 15 gl de açúcar.

EXTRA-BRUT: Entre 3 e 8 gl de açúcar.

NATURE: De 0 a 3 gl de açúcar.

Fiquem com a elaboração do Champagne

Bem agora é só escolher o caminho que quer seguir. Eu gosto dos nature ou extra-brut.

Cuidado que cada país tem a sua legislação em relação à quantidade de açúcar adicionado.

Fiquem com Francicorta na Lombardia





PRIMEIROS PASSOS – UMA IDEIA DO QUE É O TERROIR

25 05 2013

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Terroir, já vimos, pode ser traduzido por solo+clima+geografia, fatores que influenciam fortemente a videira e, por consequência, seu fruto, a uva.

 uva é esta. Os nomes têm grafia diferente, apenas em virtude dos países em que estão. Grigio na Itália e Gris na França, além de outros nomes que ela tem na Alemanha e Áustria, para ficar por aí.

Mas quem é o o responsável pela diferença entre elas?

O famoso TERROIR palavra um tanto desgastada pela mídia, mas que pode ser simplificada como sendo o conjunto de clima e solo.

Parece simples, mas não é.

São dois vinhos ABSOLUTAMENTE  diferentes feitos com a mesma casta. Há outros exemplos como a Chardonnay mundo afora e aquela de Chablis ou então a Sauvignon Blanc do Loire e a da Nova Zelândia. Mas vamos ficar por aqui.

Muito se fala nela mundo afora. É um tal de Pinot Grigio daqui, Pinot Grigio dali. Percorri algumas lojas de vinho de Porto Alegre e vi uma série de novos vinhos desta casta. Dois anos atrás era muito difícil de encontrar. Tinha os alsacianos e olhe lá.

Mas quem é esta uva? De onde saiu? Qual o seu charme?

Bem a Pinot Grigio, na Europa Central tem vários nomes. Mas ficamos com este e o nome que tem na Alsácia, Pinot Gris.

É uma uva que foi trazida pelos Monges Cistercienses, olha eles aí de novo, neste blog há vários posts que comentam sobre eles. Os Monges Cistercienses, durante a Idade Média foram os enólogos da época, trazendo e levando uvas de um país para outro e as aprimorando. A Borgonha e seus Chardonnay e Pinot Noir devem muito a eles.

A Pinot Grigio foi trazida do Leste Europeu, mais precisamente da Hungria por eles e plantadas, principalmente na Borgonha, sede da Abadia de Cister.

Dali espalhou pela Europa Central, principalmente França, Alemanha, onde ganha o nome de Rüllender, na Áustria é chamada assim ou atende pelo nome de Grauburgunder.

É uma uva cuja casca é avermelhada, vejam a foto que por vezes parece uma uva tinta. Os vinhos variando do amarelo palha, ( GRIGIO)  ao dourado, caso dos alsacianos (A GRIS).

Os aromas e sabores dependem muito do clima e solo (OLHA O NOSSO FAMOSO TERROIR)  se de regiões frias, fora a Alsácia que pelo solo é um caso a parte, são Pinot Grigio, bem secos, minerais mais ácidos. Se de regiões mais quentes, perde em frescor e acidez mas ganha em aromas e corpo.

Na Alsácia (O TERROIR DE NOVO), com seu solo único, primavera seca e verões cujas noites não são extremamente quentes, produzem um vinho muito aromático, menos ácido e bem mais encorpado e aveludado.

Na Itália, encontrou o porto de partida para o novo mundo encontra seu esplendor no Alto Ádige, nos vinhedos da foto acima. O clima frio nas noites de verão garantem uma maturação lenta, principalmente nos últimos 15 dias nos trazendo um vinho com melhor fixação de aromas, seco, ácido e refrescante, bem diferente dos alsacianos ao ponto de pensarmos que estamos na frente de duas uvas diferentes, vale a experiência de realizar uma degustação com os dois estilos.

Assim a comparação é uma das grandes provas da existência e importância do TERROIR na produção de vinhos.

Fiquem com o lindo vídeo do Alto Ádige e suas Dolomitas.





PRIMEIROS PASSOS – APRESENTAÇÃO DO AMIGO VINHO – AROMAS

12 05 2013

língua 1

 

A última etapa da apreciação do vinho é a análise gustativa. Vejam o esquema acima e entendam porque o vinho deve  ”rolar” na boca, sem exageros, antes de ser engolido. Somente assim vai acionar todas as regiões da língua.

Mas muito antes do gosto a análise olfativa que vimos antes é a principal e mais importante etapa. Ali se define o vinho, pelo nariz, também se sente o gosto. Experimente provar um vinho resfriado? É impossível.

Como dito este blog tem por ideia a simplificação do vinho é fundamental que este post seja breve e não seja muito profundo.

No gosto do vinho temos, basicamente, acidez, doçura, amargor e álcool.

A acidez traz para o vinho aquela sensação refrescante, vinhos sem acidez são vinhos que logo enjoam. Nos brancos são a chave da longevidade e nos tintos essenciais para a vocação gastronômica.Experimentem um branco com zero de acide, impossível.

A doçura, no vinho, deve vir, nos bons vinhos, da frutose da uva. Vimos no início da série, que o vinho, chamado fino ou seco, não deve ter açúcar de cana, muito menos de forma residual. Lembrando que nos vinhos de sobremesa ( os vinhos doces) estilo colheita tardia, IceWine, Botritizados (Tokaj –  Sauternes)  ou fortificados (Porto) o açúcar residual é da própria uva que fica após o processo de vinif icação.

Lembro, também, que os grandes vinhos doces, começam doces e terminam ácidos, na ponta doces e nas laterais ácido, assim são doces mas não enjoam.

 O amargo do vinho vem dos taninos e da madeira das barricas e são sentidos na parte de trás da língua. São figuras importantíssimas nos grandes vinhos tintos. O tanino é a chave do envelhecimento com saúde dos tintos. E a madeira serve para que estes taninos sejam amaciados e arredondados, conforme vimos anteriormente, http://wp.me/pPKW2-FG, vocabulário básico.

 Por fim o álcool que dá uma sensação de calor na parte de trás da boca. Se o vinho estiver na temperatura certa ele não irá volatizar e estará perfeitamente integrado.

Na boca se analisa a sua textura, o frescor, as uva maduras, o volume do vinho, se encorpado ou não, o álcool se em excesso ou falta, enfim, os quatro elementos vistos devem estar perfeitamente integrados, até mesmo nos vinhos mais baratos. Se estiverem o vinho será agradável. Caso contrário parece que falta algo. É como sair de  sem cinto, meia, brinco ou colar.

Um bom vinho deve ter cor, aroma e sabor perfeitamente harmônicos.





PRIMEIROS PASSOS – APRESENTAÇÃO DO AMIGO VINHO – OS AROMAS

12 05 2013

RODA DOS AROMAS 1

 

 

Aqui, certamente a parte mais complicada da apreciação do vinho. E complicada porque muitos não tem organização e memória olfativa. Os brancos são muito mais difíceis  em identificarmos os aromas pela sua delicadeza. Os tintos bem mais explícitos.

A roda acima ajuda a classificar os cheiros e a facilitar nossa identificação.

Alguns aromas são facilmente percebidos, outros não.

Procure ordenar os aromas por famílias, estilo, frutado (fruta), vegetal (herbáceo), temperos, mineral, animal (couro) e madeira (barricas), separe-os bem na sua memória aí fica mais fácil.

Em geral os brancos leves e refrescantes têm aromas mais sutis de limão. Os mais encorpados lima-limão, maracujá (Sauvignon Blanc Neozelandês), pêssego, frutas de polpas brancas (maçã e pera).

Os brancos passados em barrica tem um nariz mais de amêndoas e frutos secos. Bem como os aromas da barrica. Se americana, baunilha e chocolate, se francesa uma gama bem maior de aromas.

Os brancos de guarda, sim eles existem, 8, 10 ou mais anos. Semillon e Riesling, possuem aromas marcantes de nozes, avelãs e amêndoas, fantásticos.

Os roses, se com pouco contato com a casca, aqueles que têm cor de casca de cebola, são menos frutados e os aromas são bem fechados, mais minerais que qualquer outro. Se com maior contato com a s cascas ganham aromas mais frutados.

Os tintos seguem na mesma balada. Se novos e sem madeira são mais frutados e alegres. Se passados na madeira com pouco tanino ganham aromas mais firmes, como couro e especiarias. Se de gurda, certamente, a madeira na qual estagiaram estará presente com força. Além de ganharem aromas de frutos secos como tâmaras e ameixas, por exemplo, além de café e fumado de acordo com a barrica na qual estagiaram.

Vimos a cor do vinho. Agora, com a taça quieta, vamos cheirá-lo. Coloca-se o nariz na borda da taça e puxe o ar, sem exageros, depois giramos a taça, e novamente cheiramos, os aromas mudam bastante.

Mas aqui é apenas uma ideia, certamente, o solo influencia os aromas do vinhos. Todo o terroir (solo, clima e altura) vão dar conotações diferentes para as mesmas uvas. Experimente a Sauvignon Blanc da Nova Zelândia com a do Loire (França – Sancerre) são radicalmente diferentes.

Aqui é a experiência que fala mais alto. Quanto mais vinhos apreciarmos melhor será a nossa possibilidade de sentir os seus aromas.

 








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