Pinot Gris e Pinot Grigio Mesma Uva Vinhos Tão Diferentes. Quem é o Responsável?

 

UVA PINOT GRIS

Mesma uva, locais diferentes, vinhos muito díspares, quem seria o responsável por tamanha diferença?

O terroir. Para mim este é o melhor exemplo de como uma mesma uva pode apresentar-se de maneiras tão díspares. 

Podemos dizer que os terroirs de climas amenos influenciam de maneira diferente dos de climas frios.

É mito ou verdade?

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Descubra a Doce Bordeaux

FRANÇA BORDEAUX VINHEDOS 2

No mundo do vinho França é França e não tem para ninguém. Sempre que vamos estudar seus vinhos mais e mais surpresas e informações aparecem.

Mais sub-regiões saltam aos olhos. Mais especialização aparece. Mais vinhos especiais surgem e desfilam pela nossas bocas ávidas em experimentá-los. Mais elegância, mais maridaje/combinações surgem com delícias postas na nossas mesas.

A ideia de escrever um livro sobre os vinhos doces foi ajudar a eliminar o preconceito que muitos têm com este estilo de vinho. Os vinhos doces e os roses são os que mais sofrem. Uns acham “doces” demais outros pensam que são vinhos menores (doces e roses). Deus eles não sabem o que falam e outros, simplesmente passam por eles se despertar a menor atenção.

Ao estudar mais sobre este estilo (vinhos doces), eis que me deparo com a recém criada sub-região de Bordeaux, Sweet Bordeaux ou Bordeaux Doce. Vejam a foto acima. Para mim o Creme dos Cremes do estilo.

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A Côte D’Or dos Grandes Chardonnay

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Esta paz que nos transmite esta foto com os suaves declives da Côte D’Or. Destes vinhedos sai um dos melhores estilos dos Chardonnay do planeta.

Veremos com calma nesta publicação o quarteto de ouro da Côte D’Or sul. Chassagne-Montrachet aí da foto é um destes sítios. Vou repetir cada um dos enófilos ou amantes da bebida de Baco deve compartilhar um Chardonnay de estirpe da Borgonha para entender até onde chega esta casta.

A Chardonnay de múltiplos usos, desde vinhos de sobremesa até a coluna dorsal dos champagnes, espumantes e Crémant do mundo.

Entretanto, o estilo criado na Côte D’Or sul é único. Vamos ver?

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4 Dicas de Uvas Muito Especiais em Portugal

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Portugal mora no meu coração. Além das pessoas que conheço, dos amigos de infância que moram lá tem a cultura, a culinária e, principalmente os vinhos.

Há vinhos de todos os estilos e bolsos possíveis e com as mais variadas uvas nativas. Muitas delas absolutamente desconhecidas por nós brasileiros outras pouco conhecidas até mesmo para os portugueses.

Por quê não um vinho com elas? Ao falar dos vinhos portugueses fala-se muito das castas por demais conhecidas como a Tinta Roriz ou Aragonêz, a  branca Alvarinho e, principalmente, da onipresente Touriga Nacional.

Aqui quero indicar quatro uvas não tão conhecidas pela maioria dos meus leitores e que produzem vinhos para lá de especiais, seja em varietal (uma só uva) ou em corte (mistura) com outras uvas.

A ideia é beber vinhos diferentes. Quem segue o mesmo caminho chega no mesmo lugar. Porém, quando compro vinhos portugueses vou logo procurar aqueles que as tem. 

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Qual o efeito do tempo no vinho?

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Assim como esta videira com mais de 50 anos e com saúde os vinhos também podem envelhecer assim.

Aliás, envelhecer todos envelhecem, porém poucos com saúde. E não há muito segredo nisto. Algumas regras e pré requisitos devem haver.

Cícero já avisava: Os vinhos são como os homens, os bons o tempo apura os ruins o tempo azeda.

Porém, interessante lembrar: A quase totalidade dos vinhos que vemos hoje nas lojas especializadas, supermercados, vinícolas, etc e tal foram feitos para serem consumidos em dois ou três anos, não mais. Todo mo roteiro desde o nascimento da uva até a garrafa foi pensado para ter giro rápido, preço mais baixo e assim sustentar os produtores.

Portanto, antes de sair por aí pensando que todos os vinhos que estás comprando vão. envelhecer com saúde, cuidado.

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ITÁLIA – 5 INESQUECÍVEIS LUGARES

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Itália com a França são os países onde dificilmente não encontraremos uma região que não produza seu próprio vinho, sua uvas e sua cultura. Difícil escolher onde ir. Optei por pinçar um pouco de cada parte do país.

Desde vinhos especiais que dificilmente saem dali quanto os mais internacionais, mas todos com o DNA de onde foram plantadas as uvas e os métodos de elaboração.

Aqui alguns lugares que não podem deixar de serem vistos por quem viaja para a Itália.

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JAEN – MENCÍA – DÃO E BIERZO

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A Jaen em Portugal onde está nos cortes dos vinhos do Dão e tida como parente da Cabernet Franc, anda na Espanha, na vizinha Bierzo com o nome de Mencía e, a meu ver, alcançando a maioridade. anda, também na vizinha  Galícia.

Uva bastante eclética dependendo da condução e terroir do vinhedo produz vinhos desde os mais leves e de médio corpo como os encorpados e barricados dependendo de como foi cuidado  e a localização do vinhedo.

Este da foto vinhas antigas = belo vinho. Os vinhos feitos coma Mencía podem ser barricados e em geral têm cor escura e aromas frutados.

Falar do Dão é falar de vinhos tintos, brancos e espumantes. É falar de tintos elegantes muitos ao estilo dos melhores Borgonha. Agradáveis, aromáticos e sedosos. Os brancos também lembram a Borgonha. Muito delicados, levemente frutados e com acidez refrescante.

A região é acidentada e protegida por cadeias de serras. A do Caramulo, do Buçaco, da Nave e a majestosa serra da Estrela. Estas montanhas protegem o Dão dos frios úmidos ventos do Atlântico e do norte e nordeste dando condições para que se possa obter grandes resultados nos vinhos ali produzidos.

Viseu é a cidade central a ser visitada. Dali podemos percorrer toda a região.

Claro que os vinhedos começaram com os Romanos, sempre eles. Outro grande impulso que não podemos esquecer foram dos enólogos da Idade Média, os Monges Cistercieneses, por ali eles também deram sua colaboração.

Por fim, uma revolução aconteceu no Dão. Quando da entrada do país na Comunidade Européia – CE em 1986. Este ano foi um marco para que a região abandonasse técnicas ultrapassadas, erradicasse castas indevidas. Passaram a respeitar o terroir, o senhor das vinhas, assim aproveitando-se de uma excepcional geografia para as vinhas iniciaram a trabalhar com as castas adaptadas e o resultado apareceu em pouco mais de uma década.

Nós brasileiros precisamos esquecer da invasão de décadas atrás de vinhos ordinários que vieram do Dão e invadiram as prateleiras dos supermercados. Estes vinhos de qualidade duvidosa fazem parte do passado.

Hoje há, no Dão, desde gigantes como a Dão Sul até produtores bastante pequenos, mas todos com a qualidade a aumentar a cada safra. Nada como o resgate de uvas nativas, perfeito domínio das técnicas de cuidado e condução dos vinhedos e, ao final, modernas vinícolas para nos trazer o que a região tem de melhor.

A Jaen desenvolve importante trabalho no cortes dos tintos e, em varietal vinhos muito parecidos com a Cabernet Franc, fundamental uva dos vinhos bordaleses, apesar de ser nativa do Loire central, Chinon.

Em Bierzo, Denominação de Origem da Província de Léon, extremo noroeste espanhol. Vizinha a Galícia. .

Na história da região estão registradas as presenças dos Romanos, dos monges Cistercienses e da Filoxera.

Nos tempos mais recentes não havia nada que se destacasse nos vinhos da região. Quase toda a produção era para consumo local ou vendida para a Galícia. Vinhos simples, suaves e granel.

Até que na década de 90 foi redescoberta. Mas com uma diferença, mantiveram os proprietários seus vinhedos antigos. Muitas vinhas com mais de 50 anos. Nada de renderem-se à especulação desenfreada.

Lembrando que vinhas antigas com mais de 40 anos produzem muito menos cachos por braços. Por outro lado são uvas muito mais equilibradas. Em média um pé de vinha antiga produz 1 quilo de uva ou uma garrafa de vinho.

Resultado? A reformulação dos vinhedos em grande parte foi feita sem a erradicação das videiras antigas. Novas formas de condução e plantio e, principalmente o destaque a duas uvas uma branca, a Godello (Gouveio) para os portugueses e a Mencía, também chamada em Portugal de Jaen colocaram a pequena Bierzo no mapa do mundo vitivinícola.

O clima, ainda sob influência do Atlântico traz boa quantidade de humidade, chuvas na medida correta. Nos dias finais de maturação os verões são quentes e secos com diferença entre dia e noite. Altura média dos vinhedos em torno de 500 a 600 metros. Tudo o que a uva precisa para uma lenta maturação da dos frutos. A tinta Mencía adora.

Tanto os vinhos do Dão com a Jaen os de Bierzo me lembram Ethel Waters