CROÁCIA – ELES ESTÃO CHEGANDO

CROÁCIA

Eles estão chegando. Eles quem? Os vinhos do leste europeu. Aos poucos vão aparecendo aqui e ali nas prateleiras das grandes e pequenas lojas especializadas, alguns outros nos supermercados, portanto vamos conhecê-los para poder apreciá-los com mais vagar e interesse.

 Com os Dálmatas (atual Croácia) não foi diferente.

Lá pelo final da década de 80 com a queda do regime soviético, que atrasou o desenvolvimento vitícola destes países transformando os vinhedos milenares em produções encaixotadas e iguais elaborados por cooperativas que desapropriaram os vinhedos.  Ainda tiveram que esperar mais um pouco. Guerras fratricidas pela desmontagem da gigante Iugoslávia terminaram há pouco menos que uma década.

A Croácia, como todos os países imediatamente a leste do Mar Adriático, como Montenegro, Eslovênia que vimos recentemente aqui e a Croácia tiveram histórias parecidas.

Primeiros os gregos estiveram lá com toda a sua cultura de Baco.

Grécia, início de toda a história da cultura e civilização ocidental. Primeiro eles, depois os Romanos a difundi-la. Só lembrar o radical latino Vinum, talvez no mundo ocidental, poucos países não usam este radical para falar vinho.

A influência grega não para só no nome ou nas divindades antigas como Dionyssus (Baco), também técnicas de plantio e uvas nativas da Grécia fora espalhadas pelo ocidente.

É de se entender que os egípcios tinham a cerveja como bebida corrente, o vinho era para festas de divindades e remédio.

Os gregos é que iniciaram o consumo diário da bebida, tanto como remédio, prazer e devoção ao Deus Dionyssus, filho de Zeus e Semeli. Assim com os Romanos a ideia de devoção ao Deus do vinho somente trocou de nome passou a ser Baco e cada canto da Europa dominada por eles tinha algum resquício destas festas e dos vinhedos a ele dedicados.

Data do século 3 A.C os primeiros vestígios de equipamentos, lagares e outros utensílios utilizados para a produção do vinho na Grécia, na ilha de Creta.

Sim. Eu sei que as primeiras vinhas foram descobertas na atual Georgia, nas beira do Mar Negro, no Cáucaso. Mas quem vivia lá nesta época? Os gregos. Já ouviram falar de Gregos Pônticos? Eram eles que lá habitavam.

Depois vieram os Romanos tomaram conta desta região e introduziram técnicas inovadoras no desenvolvimento dos vinhedos da Dalmácia. Com a derrocada do Império Romano chegaram os povos do norte, entre eles os Ostrogodos. Com a divisão do Império Romano, Justiniano traz para si a Dalmácia. Lembrando que a Igreja Ortodoxa está umbilicalmente ligada ao Império Romano Bizantino.

Findo o Império Romano chegam tribos eslavas, entre elas os Croatas. Na Idade Média novos polos de desenvolvimento da cultura do vinho. Tudo voltado para a elaboração do Sagrado Vinho para as missas diárias.

Com a chegada dos turco pela expansão do Império Otomano pelo século XV, por sorte foram tolerantes com os católicos e seus ritos, entre os quais o Vinho da Santa Missa. Lembrando que o Alcorão proíbe o álcool.

Sob o domínio do Império Austro-Húngaro a viticultura floresceu e deu mais um enorme passo para tornar-se a bebida oficial da Croácia. Tudo mudou com a chegada da filoxera na Europa central. A devastação de vinhedos na França forçou a busca pelos gauleses de novos horizontes livres da praga, entre os quais a Croácia. Novo impulso em tecnologia e modernidade.

Por fim a eclosão da I Guerra Mundial o término do Império Austro-Húngaro e a formação da Iugoslávia, II Guerra Mundial, comunismo e guerras de Independência da Croácia.

Ufa que longa caminho para começar a entender este amálgama de culturas, línguas, povos e, VINHO.

O que quero dizer com a longa história acima é que OS VINHOS FAZEM PARTE DESTE POVO DESDE O SEU NASCIMENTO. E isto é lindo demais.

Divide-se o país nas seguintes regiões vitícolas bem definidas, tudo comandado pela cadeia de montanhas que tem mais de 600 quilômetros de extensão indo da Croácia até a Albânia ao sul. Altura que chega a 2.600 metros. No que nos interessa é que cria vinhedos de altura, média de 400 a 600 metros no interior da Croácia, com vários microclimas. E na parte oeste ladeiras, descidas e vinhedos plantados ao estilo Douro com vista para o Mar Adriático.

 

SLAVONIA E DANÚBIO

A região mais a leste Slavonia e Danúbio. Clima marcadamente continental. Típico de invernos rigorosos, chuvas bem distribuídas e verões quente e secos com muita insolação. Regiões mais altas com a diferença de temperatura entre dia e noite, boa para vinhos brancos e tintos com muito tanino. A branca Grasevina, nossa Welschriesling, muito tradicional no centro da Europa com ramificações para a Riesling Itálica.

PLANALTO CROATA

Acima do Dinaric Alpes a formação montanhosa que divide geograficamente o país está a região do planalto. Muito semelhante à Slavonia e o Danúbio com climas e uvas utilizadas.

VINHOS DA COSTA

Do lado oeste do Dinaric Alpes está a costa da Croácia. E é dividida em duas. A região mais ao norte Istria e Kravner e ao sul a Dalmátia.

Os grandes vinhos croatas vêm destas regiões banhadas pelo sol poente. Íngremes ladeiras viradas para o Adriático são literalmente tomadas de vinhedos.

Clima mediterrâneo típico com longas horas de sol na fase da maturação do fruto, tempo seco com solos muito rochosos e pedregosos é terroir que  pede uvas tinta que ama o sol para poder amadurecer sua forte carga de taninos.

Aqui é a terra e chão da Plavac Mali, a mãe da Primitivo e da Zinfandel. Nas brancas destaque para a Malvasia que, apesar de ser casta branca adora um sol para transformar-se numa das mais aromáticas castas que se conhece.