Espanha 5 Dicas Imperdíveis Para Conhecer


ESPANHA PRIORAT

Espanha. O terceiro maior produtor de vinhos. Várias culturas, múltiplas expressões gastronômicas e estilos de vinhos. Desde os mais conhecidos com a uva Mestra, a Tempranillo  até os menos divulgados e entendidos como os vinhos de Jerez de La Frontera.

Para ter um panorama da Espanha vitícola destaquei cinco sítios que devem ser visitadas com toda a calma possível para quem deseja apreciar a boa mesa e o bom vinho.

Vamos a eles? 

Ante de qualquer momento precisamos conversar sobre a principal uva da Espanha. A Tempranillo.

A MAGIA DA TEMPRANILLO

PRIOTAT – OBRA DOS CARTUXOS

Certamente um dos terroir mais impressionantes. A região fica perto de Barcelona, algo em torno de 150 quilômetros montanha acima.

O Mosteiro Scala Dei dos Cartuxos, foto acima, foi instalado no século 12 e com eles as primeiras uvas. Estes monges de extremo isolamento e clausura sempre se instalavam em locais de muita dificuldade de acesso para facilitar atingir o objetivo desta Ordem, vida de eremita.

Região até hoje de difícil acesso, imaginem por volta dos anos de 1.110 quando lá chegaram. Desde logo iniciaram o plantio das primeiras videiras. Dando vida ao que é hoje uma das joias da coroa. Priorat.

priorato

Terreno extremamente montanhoso, solos de origem vulcânica, e pedra, muita pedra e pouco material orgânico na superfície. Videiras plantadas no sistema de socalcos, assim como no Douro, vejam a foto. Cuidados com as videiras totalmente manual, impossível a mecanização.

Clima de extremos, grande amplitude de temperatura, videiras esculpidas na pedra e voltadas para o sol, tendo como uvas mestras a Garnacha e a Cariñena, nas tintas e a Macabeo nas brancas, como coadjuvantes a Syrah e a Cabernet Sauvignon.

Valem cada gota e cada minutos da viagem.

GALICIA – TERRA DA ALBARIÑO

albarinho

Galícia, extremo noroeste da Espanha.

Região muito chuvosa e que sofre fortemente a influência do Atlântico, sua umidade e vento frios com verões de moderada insolação.

Frio e moderada insolação é clima ideal para as uvas brancas, em especial a Albariño que possui a versão lusitana do outro lado do rio Minho que faz fronteira com os dois países.

Dependendo do solo, altura e clima, varia do cítrico com cor amarelo palha até o amarelo dourado e muito mais mineral. Quanto mais frio o clima e mais baixa a insolação na época da maturação mais leve a cor e mais cítrico é o vinho.

Delicie-se com estes vinho apreciando o Atlântico bem servido com petiscos de frutos do mar, tanto na capital Santiago de Compostela onde termina o passeio famoso Caminho de Santiago.

Aproveitem a língua que é muito parecida com o Português, aliás em tempos idos fizeram parte da mesma região sócio-política. Só depois com a separação e o domínio espanhol que a Galicia/Galiza tornou-se espanhola.

Vale a dica, a visita e os belos pratos com frutos do mar que dominam a culinária local.

JEREZ DE LA FRONTERA

jerez

Região extremamente seca ao sudoeste da Espanha. Tem nos seus costumes locais da siesta, na culinária, no idioma, forte influência dos mouros que por lá ficaram por séculos. Aliás todo o sudoeste espanhol tem esta forte marca. Nos vinhos temos algo totalmente diferente, desde as uvas, a elaboração passando pelo estilo.

A história do vinho espanhol começa aqui, mais precisamente na província de Cádiz que já teve o nome de Cadir, na verdade uma cidade portuária debruçada no Atlântico fundada pelos Fenícios, povo mercador que dominou o Mediterrâneo, isto lá em 1.500 até 300, antes de Cristo.

Não só fundou Cádiz como uma cidade de nome Xerex, hoje Jerez de La Frontera, epicentro do vinho estiloso e especial com o mesmo nome feito com a Palomino Fino.

Jerez de La Frontera e o sistema de solera, veremos após o que é. Aproveitando o clima excepcional, muito calor e sol somado ao solo especial iniciaram não só a produção de vinhos na, hoje Espanha, como a sua comercialização internacional.

As três cidades , localizadas na baixa Andalucia, autorizadas a produzir o vinho que se chama Jerez, Xerex ou Sherry são, Jerez de La Frontera, Sanlúcar de Barrameda e El Puerto de Santa Maria. O terroir é especialíssimo. Como dito muita insolação no verão, clima quente, somado ao solo especial de Albariza. Albariza é uma areia um pouco mais grossa que permite que as poucas chuvas que caem na região possam descer e alimentar as raízes das videiras de Palomino Fino, Pedro Ximenes e Moscatel, as uvas deste pedaço de solo especial da Espanha.

ESPANHA JEREZ 1

Olhem este sol e este terroir. Sobre o principal vinho da região, o Jerez, leiam.

ADMIRE UM JEREZ ELE MERECE 

RIOJA O CARRO CHEFE DA ESPANHA

Quem sabe Rioja no nordeste do país fazendo fronteira com os Bascos? Terra de pouca chuva, muito solo seco, climas lunares e vinhos espetaculares. A branca Viura e a tinta  Tempranillo dizem até onde podem chegar.

Rioja é dividida em três. Rioja Baja, Alta e Alavessa. A primeira e a segunda mais quentes terra de tintos concentrados e maravilhosos. Alavessa perto da serra da Cantábrica temos climas mais frios e brancos de exceção.

AS TRÊS RIOJA

LOCAIS A SEREM VISITADOS EM RIOJA

haro

A cidade de Haro é imperdível. Coração de Rioja Alta. Terra de Tempranillo como a foto acima. Pouquíssima matéria orgânica no solo, raízes que descem mais de 8 metros para buscar água passando pelos mais diferentes solos.

Aproveite a natureza, o centro histórico, as praças e o carpe diem para apreciar belos vinhos com a culinária local. Os habitantes locais possuem uma forma particular de cozinhar certos pratos chamados “à riojana”, que dá nome às preparações como ovos à riojana, batatas à riojana, bacalhau à riojana, entre outros. É bastante popular o uso de cogumelos nas receitas. Entre os produtos feitos de carne de porco vale destacar o presunto riojano.

E não esqueça de apreciar um dos melhores brancos que já tive a oportunidade de provar. Um vinho com a uva Viura.

Muito se fala dos tintos de Rioja Alta e com razão sua qualidade é de elite mundial e perfaz mais de 90% dos vinhos ali produzidos. Mas em terra de tintos tem uma uva branca que fale destacar. A Viura mais conhecida na Catalunha como Macabeo e faz parte do corte das famosas Cavas junto com a Xarello e a Parellada.

RIBEIRA DEL DUERO – A BÊNÇÃO DO RIO DUERO

Perto De Toro, na mesma linha do rio Douro, basicamente a mesma uva, aqui em Ribera Del Duero a Tinta del Pais, uva que também tem na sua raiz na Tempranillo podendo ter como corte pequenas parcelas de uvas estrangeiras.

Mesma formação histórica com os Romanos e depois os monges enólogos impulsionando a tecnologia das videiras e vinhos.

Ribera del Duero aproveitando as benesses do rio Duero  tem na altura de seus vinhedos uma aliado muito forte.

A região está localizada num planalto, os vinhedos com mais de 850 metros de altura alguns chegando a 900 metros recebendo as grandes variações de temperatura no final da maturação das uvas. De dia média de 35 graus a noite 6 a 8 graus Celsius. Ideal para retardar a maturação do fruto e estimular a videira a produzir seu melhor, além a amadurecer a uva, tanto internamente como externamente. Alia-se ao solo rochoso e temos uma imagem bíblica, ideal para os vinhedos.

VINHOS DE ALTURA: MITO OU VERDADE

Muito deve o desenvolvimento dos vinhos de Ribera a vinícolas como Protos, Vega-Sicilia e Pesquera, seus proprietários. Iniciaram os trabalhos de tecnologia de produção e plantio em 1975 e eram chamados de visionários. Em Ribeira del Duero tinha vinhos básicos sem nenhuma expressão nacional ou mundial. Em 1982 saiu a Denominação de Origem para os vinhos de Ribeira del Duero. 

Em especial o visionário Aljandro Fernandéz proprietário do grupo Pesquera. Na pelo início dos anos 80 adquiriu terras no Condado de Haza, uma vila medieval que conserva a memória dos tempos da permanência dos Mouros na península Ibérica. E ali começaram as primeiras videiras de Tempranillo em Ribera del Duero.

Incrível que onde tem vinho, principalmente, na Europa temos história, cultura, arte, culinária, tudo de bom.

Fiquem com Paco De Lucia e Al di Meola

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