A Borgonha Tinta – o Reinado da Pinot Noir

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Estes lindos vinhedos na Côte D’Or com Nuits-Saint-Georges. Ponto de partida para conhecer o berço da Pinot Noir. 

Veremos com calma nesta publicação quais os melhores sítios para esta casta. Aqui repito o recado dado na publicação anterior. Todos os amantes da bebida de Baco e que gostam da Pinot Noir devem compartilhar um vinho de estirpe para entender até onde chega esta uva.

A Pinot Noir manhosa como só ela. Dizem que Deus criou a Cabernet Sauvignon e o diabo a Pinot Noir pela canseira que dá nos produtores. Mudanças climáticas não são bens vindas.

Utilizada no corte clássico do champagne com a prima Pinot Meunier e a Chardonnay. Espalhada pelo mundo, mas é aqui que alcança o esplendor.

Vamos conhecê-la um pouco mais?

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Conheça os Segredos da Pinot Noir

PINOT NOIR

Logo mais começa a primavera no hemisfério sul logo mais teremos dias mais longos e dias mais quentes. Ideais para apreciar um bom vinho com esta uva.

Vinhos são como roupas para mim. Vou trocando de Estilo de acordo com o clima.

Sabe aquele vinho tinto que não “gruda” na boca? Aquele vinho tinto agradável, delicioso, aromático e que passa longe dos potentes vinhos chilenos e argentinos?

Sabe aquela vontade de apreciar um tinto sem necessidade de pensarmos em acompanhamentos elaborados e complicados? Sabe aquele tinto que pode ser levemente gelado e servido nos dias mais quentes?

A Pinot Noir é tudo isto e mais um pouco. Uva querida e manhosa. A Pinot Noir é  nativa da Borgonha, França e hoje leva seu charme pelos quatro cantos do mundo.

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Argentina – Três terroirs – Três uvas – Três joias

ARGENTINA CHILE MAPA

Depois de lermos as últimas publicações do Alemdovinho sobre como interpretar e entender o vinho. Quem quiser (re)ver: De onde vem a acidez do teu vinho? na sequencia De onde vem o álcool do teu vinho? E, por fim, duas influencias decisivas para entender de vinhos.

Para não perdermos tempo vamos direto ao ponto. Aqui estou dando dicas de terroir e uvas na Argentina.

Três uvas três terroir diferentes, mas infalíveis. Não tem como errar.

Já falamos sobre terroir.

As uvas são: Torrontés, Malbec e Pinot Noir. Os terroir Salta, Patagônia e Vale de Uco.

TERROIR – SALTA

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TERROIR – SALTA

Estes vinhedos são de San Pedro De Yacohuya com mais de 1600 metros de altura, que por sinal faz um dos vinhos ícones de Salta, extremo norte da Argentina. Região com forte presença dos descendentes Incas.

Ali estão para mim os vinhedos mais singulares, talvez, no mundo. Pela sua altura, média de 1800 metros, pelo clima, pela geografia do local e pelos seus vinhos.

A história das vinhas aqui começa com os missionários jesuítas chegados das ilhas Canárias. Trouxeram as vides, dentre elas a, Malvasia e a Torrontés, nativa da Galícia e iniciaram o plantio para obter o vinho das diárias missas. Mais especificamente em Molinos, onde está hoje a Bodega Colomé e La Angostura.

O principal centro vitícola de Salta fica em Cafayate, cerca de 200 quilômetros ao sudoeste da cidade de Salta. Os vinhedos estão numa altura média de 1.600 metros e vão subindo a cordilheira, esgueirando-se por entre as montanhas, seguindo o curso das águas, principalmente o rio Calchaqui que, biblicamente, dá vida ao lugar.

Em Cafayate, os parreirais estão mais concentrados em planícies ao redor da pequena vila de Cafayate, novos e cuidados vinhedos misturam-se aos vinhedos antigos, a média por volta de 70 anos.

Mais acima começa a subida do vale e encontra-se aqui e acolá, pequenas quantidades de terra, muito bem escolhidos que produzem vinhos com uma tipicidade única.

São regiões extremamente secas, pouquíssima humidade e grande altura, o que traz poucos problemas com pragas naturais, como fungos e insetos, tornando-os vinhos orgânicos por natureza.

Ali a Torrontés é única e ímpar.

TORRONTÉS

Na Galícia (Espanha), seu berço, vem ao estilo da Tannat em Madiran (França) e da Malbec em Cahors (França), sendo repaginada, remoçada.

A Torrontés vinda do noroeste da Espanha na mala de algum imigrante encontrou um lar adotivo na Argentina, em especial em Salta norte do país. Companheira dos saltenhos, desde o pequeno agricultor até os grandes produtores.

Mas ali estão, para mim, os vinhedos mais singulares, talvez, no mundo. Pela sua altura, média de 1800 metros, pelo clima, pela geografia do local e pelos seus vinhos. A Torrontés encontrou seu clima e solo ideais.

Mais especificamente no vale do Clachaqui a Torrontés alcança o esplendor.

Temos vinhos de alta qualidade. Na cor amarelo palha levemente esverdeado. No nariz, o leque de aromas vai do floral ao frutado chegando ao levemente cítrico. Na boca imagina-se um vinho doce, aí vem a surpresa, de doce nada tem é, inclusive, levemente ácido. Exagero no comentário? Não. Experimentem a Torrontés de bons produtores de Salta, mais especificamente do Calchaqui e confirmem.

TERROIR – VALE DE UCO

ARGENTINA VALE DE UCO

Aqui a Malbec alcança inigualável posição de vedete. Com vinhedos no pé dos Andes, lugares mais altos disputados a peso de ouro. Para qualquer lugar que se olhe temos os Andes a nos abraçar.

Importantes sub-regiões como Tuyunán, Tupungato e São Carlos.

Uco era o nome de um importante chefe Inca que elaborou e pôs em prática os atuais canais que utilizam a água do degelo dos Andes.

Este vale está de costas para os Andes e o imponente vulcão Tupungato, portanto, de braços abertos ao sol levante, recebendo, assim, os melhores raios solares que a videira pode querer.

Aqui está o famoso anfiteatro de Mendoza, dito assim pela geografia do local onde são plantadas as videiras. Algo como patamares que vão subindo a cordilheira.

Este anfiteatro, chamado localmente de Cordón de Plata, com mais de 60 quilômetros de extensão.

Os locais mais altos são os mais disputados. Como já se disse, a uva necessita principalmente de locais com alto índice de insolação no verão, de diferença de temperatura entre dia e noite, para que haja um amadurecimento lento e harmonioso da uva no momento da colheita.

MALBEC

A Malbec é responsável pela inclusão do país no seleto grupo dos países vinhateiros de elite. Equivale a Sauvignon Blanc para a Nova Zelândia.

Ao abrirmos uma garrafa de um bom Malbec não nos damos conta deste detalhe, do quão importante ela é para a economia local, do país e o que representa para os inúmeros produtores e trabalhadores rurais.

Tem como berço a cidade de Cahors, sudoeste francês, a mais galo-romana das cidades medievais. Nas encostas do rio Lot estão os vinhedos da Malbec, por lá chamada de Côt Noir ou Auxerrois.

Os romanos já tinham videiras desta uva a qual chamavam de negra de Lot ou tinta de Lot.

Uva de fortes taninos, casca grossa e escura tem um mosto muito tinto. Deve ser muito bem cuidada na vinificação e seus taninos bem domados pelo tempo de hibernação e de barrica, caso contrário difícil de apreciá-la.

Hoje, o Malbec argentino serve de porta de entrada para a grande maioria dos consumidores no Brasil. Um em cada dez novos consumidores sabem quem ela é de onde veio e quais os seus vinhos preferidos feitos com esta uva.

TERROIR – PATAGONIA

ARGENTINA PATAGONIA

Dois nomes devem ser guardados. Rio Negro e Neuquén. As duas regiões produtoras da Patagônia.

VALE DO RIO NEGRO E NEUQUÉN

O vale do rio Negro está a 1.400 quilômetros ao sul da Calchaqui e 700 de Mendoza. Encravado entre as províncias de Rio Negro e Neuquén.

Possui mais ou menos 120 quilômetros entre a parte baixa, em torno de 300 metros de altitude, e Neuquén a 480 metros de altitude. A chamada Meseta Patagônica.

Os vinhedos margeiam os principais rios; Neuquén, Limay, Colorado e Rio Negro servem de irrigação para a área.

Os invernos são rigorosos, as estações bem definidas e com verões ensolarados de dia e frios à noite, ventando em quase todas as estações.

Fora a geografia do vale irrigado pelo rio Negro, temos estepes áridas, mas o vale é propício, pois a terra tem pouca matéria orgânica, o solo e clima são ideais não só para a viticultura, mas para as culturas frutíferas de inverno. Lembrando que as famosas maçãs e peras argentinas vêm daqui.

Duas cidades devem ser marcadas. Em Neuquén: San Patrício Del Chanar e seus modernos vinhedos. Em Rio Negro: Viedma, a capital fundada no final do século 16.

A Patagônia produz ótimos Pinot Noir e nos brancos, em especial o Sauvignon Blanc e os espumantes. Mas, sem dúvida alguma os grandes e afamados vinhos são os Pinot Noir, o clima frio favorece o desenvolvimento desta casta.

PINOT NOIR

A Pinot Noir nascida na Borgonha, França de onde vêm os melhores vinhos desta casta ela está espalhada pelo mundo. Uva manhosa e de difícil lida. Quem a trata bem ela nos brinda com excelentes vinhos. Na Argentina onde o clima é predominantemente de sol e calor no verão, mesmo com noites fria, é difícil encontrar um terroir onde esta casta se solte e nos traga belos vinhos.

Em geral onde temos bons vinhos feitos com a Chardonnay ou a Sauvignon Blanc, temos também bons Pinot Noir, como é o caso da Patagonia.

Ao fim e por fim. Nada mais lindo que Adiós Nonito de Piazzolla. Envolvente, sensual e intimista como um bom Malbec. Além da história desta composição e da uva mestra na Argentina.

NOVA ZELÂNDIA – PINOT NOIR E SAUVIGNON BLANC IMPERDÍVEIS

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Falar em Nova Zelândia é falar em Sauvignon Blanc. Mais de 70% dos vinhedos são desta casta. Eles vão desde os frutados e encorpados do norte do país até os ácidos e herbáceos vindos do sul.

São os vinhedos mais austrais que se tem notícia.

Na ilha norte concentram-se as uvas francesas que compõem o famoso corte bordalês, a Cabernet Franc, a Sauvignon e a MerlotSão também os primeiros vinhedos do país.

Sem deixar de falar na Chardonnay. Região mais quente e ensolarada, menos sujeita às intempéries como ventos fortes e frios fora de época.

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PINOT NOIR MANHOSA E SEDUTORA

PINOT NOIR

Uva querida e manhosa. A Pinot Noir, nativa da Borgonha, alcança na Cote D’Or seu esplendor.

Uva de bagos pequenos com casca fina, muito sujeita a doenças em razão disto. Mudanças climáticas não são bem-vindas.

Ventos, frio fora de hora, calor excessivo, umidade podem botar a perder toda a safra ou baixar a qualidade do vinho.

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UVAS TINTAS PARA O VERÃO

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Tem consumidor de vinho que não abre mão do tinto nem nos dias mais quentes do verão? Os taninos presentes nos vinhos tintos quando gelados  “amargam” na boca?

Então saiba quais são as três dicas de uvas do alemdovinho para apreciar um tinto gelado sem perder a qualidade.

Cena comum nos restaurantes, bares especializados ou mesmo na casa dos amigos pedem-se tintos mesmo nos dias mais quentes. Então, como dito os taninos gelados “amargam” o vinho, precisamos de uvas tintas com baixa quantidade de taninos.

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