Carménère – Saiba onde estão os melhores terroir do Chile


UVA CARMENÈRE

O nome vem da palavra Carmin (a cor avermelhada) que ficam suas folhas quando do outono. Esta uva nasceu em Bordeaux, França, por lá nunca alcançou os resultados que tem no Chile, seu berço adotivo.

Com a praga da filoxera, leia aqui, foi erradicada do sudoeste francês. Entretanto, veio na mala de algum missionário ou imigrante e aportou no Chile.

Em sua terra natal deve estar extinta. Encontrou no vale do Colchagua as condições ideais para se desenvolver. Muito tempo confundida e tratada como uma  Merlot hoje vive dias de gloria.

O Chile na busca de uma uva símbolo, assim que identificou que aquela Merlot tardia, na verdade era a a Carménère tratou de desenvolver estudos para descobrir como e onde estava o melhor terroir para esta uva.

CONHEÇA A MERLOT

Hoje sabe-se que os melhores vinhos desta casta vêm do Colchagua. Veremos adiante.

Uva muito semelhante a Merlot. Tanto em aromas, corpo, taninos e fruta. Elabora desde os vinhos tintos Estilo Frutado até o Estilo Sedoso, nos melhores exemplares.

Os bons Carménère são vinhos de médio corpo, cor vermelha escura, nariz típico de frutos vermelhos com um característico toque terroso. Se sentir este algo terroso estará na frente de um Carménère de qualidade. Na boca é sedoso, aveludado e muito elegante.

Onde estão os melhores?

ACONCÁGUA

O vale do Colchaga está encravado entre três cidades, Los Andes, Panquehue e San Felipe. 

O nome está ligado ao Aconcágua a mais alta montanha da América com 6.956 metros. Aos seus pés o vale. É o vale de boas-vindas do Chile para quem vem de carro da Argentina. Está logo após a passagem da cordilheira dos Andes a caminho da capital Santiago. 

Os indígenas que estavam espalhados de norte a sul do Chile, a grande maioria da tribo dominante, os Mapuches. Aqui chamados de Picunche ou povo do norte. Sob o domínio dos Incas e depois com pouca resistência, ao contrário, dos Mapuches da patagônia chilena que ofereceram grande resistência foram controlados pelos espanhóis.

O vale povoado desde cedo pelos missionários espanhóis logo receberam as primeiras videiras da uva Mission e das Moscatéis para a elaboração dos vinhos da missa. É um dos primeiros terroir de videiras do Chile. O terroir esplêndido do vale logo demonstrou-se.

De clima mediterrâneo com verões quentes e secos e noites frias pelos ventos que o Pacífico traz. Lembrando que a gelada corrente de Humbold tem sua origem na Antártida e acompanha as costas do Chile e Peru. A mais fria das correntes com temperaturas 8 graus celsius abaixo da média do oceano, além de ser fonte de riqueza para a pesca  e influencia do clima de maneira impactante. 

Solos secos e pedregosos com excepcional drenagem poucas chuvas necessitam de irrigação pelo degelo dos Andes. Esta situação cria condições excepcionais para o desenvolvimento das videiras.

A máxima aqui repete-se. Dias ensolarados e quentes com noites frias no verão nos trazem um lento amadurecimento dos frutos com retenção de cor, aromas e taninos. Tudo o que precisamos para um bom vinho. De altura média em torno de 700 metros é seguramente um dos vinhedos mais altos do Chile.E a altura exerce forte influência nos vinhedos em função do gradiente de temperatura no verão. Dias em torno de 30º e noites em torno de 12º. As noites frias desaceleram o processo de maturação e a lentidão na maturação fixa melhor os aromas, a cor e os taninos da uva.

COLCHAGUA – APALTA 

Fica a oeste do vale do Colchagua já na subida da Cordilheira Costeira conforme podemos ver na foto acima. Vinhedos plantados em altura média de 150 a 200 metros.

Solos muito pobre de matéria orgânica ideal para as videiras com suas poderosas raízes que descem mais de cinco metros para buscar os nutrientes necessários passando por várias camadas de solos melhorando aromas e qualidade da uva. Aliás, no dialeto local Apalta quer dizer solo pobre.

O grande segredo de Apalta está no clima mediterrâneo típico com invernos suaves e verões quentes, ensolarados e secos. Os frios ventos que descem a Cordilheira dos Andes juntam-se aos gélidos ventos vindos do Pacífico por conta da corrente de Humboldt, a mais fria das correntes marinhas que tem início na Antártida e desembocam neste ponto do litoral chileno.

CHILE COLCHAGUA MAPA

Os frios ventos ficam represados e refrescam os vinhedos mesmo nas noites mais quentes do verão. As uvas tintas como ali plantadas adoram este refresco noturno. As videiras não entram em estresse e retardam o amadurecimento dos frutos em mais de 15 dias. Fundamental para que as uvas tenham mais fixação de taninos, aromas e paladar. Uvas mais equilibradas são vinhos com a mínima interferência humana possível.

Apalta é o local do redescobrimento da Carménère no Chile. Perto dali está Peumo, outra sub-região espetacular para os grandes Carménère. Neste terroir certamente teremos um tinto Estilo Sedoso. Podem comprar sem medo de errar.

HARMONIZAÇÃO

Para harmonizar seguem as dicas.

Na harmonização há regras imutáveis que devem ser seguidas como um mantra. Elas garantem a estabilidade e o sucesso da combinação vinho e prato. 

São elas:

  • Taninos combinam com gordura.
  • Taninos conflitam com sal. Faça o teste. Ponha sal em sua boca beba um tinto.
  • Acidez combina com sal. E limpam a boca para novas sensações.
  • O frutado de um vinho combina com a rusticidade (simplicidade) do prato.

Pensando nestas características vamos aos pratos que eu procuraria na carta de um restaurante, digamos de culinária italiana ou mesmo faria em casa para os amigos e família.

Nada de pratos salgados e leves para não conflitar com os taninos. Assim eliminamos frutos do mar. 

Nada de pratos muito elaborados com ervas aromáticas ou muito “pesados” (gordurosos) para não conflitar com o aspecto frutado do vinho. Eliminamos carnes de panela, eliminamos temperos mais aromáticos, até mesmo alguns tipos de cogumelos mais exóticos. 

Nada de peixes ou carne branca porque não conseguiriam enfrentar a estrutura dos vinhos. Ficamos com o porco, ovelha e gado.

Aí temos estas opções de harmonização. 

Primeira opção: Ragú de ovelha, porco ou gado com a massa que queiram. Lembrando que ragú Ragu é um tradicional molho à base de carne cozida utilizado nas culinárias francesa e italiana, sobretudo em massas. Na verdade são carnes de porco, ovelha ou gado cozidas lentamente em líquidos, pensem em vinho temperado com pimenta ervas e pouco de sal durante horas. 

Segunda opção: Polpettone com molho de tomate e queijo. A nossa conhecida almondega. Bolinhos de carne banhadas no molho de tomate com cobertura de queijo. Tudo indo no final ao forno para gratinar o queijo. Show, fácil e perfeita harmonização. Temos a gordura do queijo para os taninos, o sal e a acidez dos tomates para a acidez do vinho e a simplicidade do prato para harmonizar com o frutado do vinho.

Terceira opção: Uma tradicional lasanha. Outra combinação mais que perfeita. A tradicional lasanha leva: Carne moída, presunto, queijo a vontade, molho de tomate sal e pimenta. Mais uma vez: Simplicidade de temperos e especiarias no prato casa com a fruta do vinho. Gordura da carne, molho e queijo com os taninos. Sal e acidez do molho com a acidez do vinho.

Claro que a sua criatividade deve entrar em campo, porém, sem deixar de atender as regras básicas da harmonização para evitar os conflitos. Tendo em mente que harmonizar vinho e prato é 1+1=3 Sempre teremos um terceiro elemento sensorial e de prazer do casamento harmonioso de vinho e comida.

Um bom Carménère pede Ella.

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