Furmint a Uva Mestra do Tokaji


UVA FURMINT 1

Tenho na pauta dois assuntos interessantes. O mundo das borbulhas e os esquecidos dessert wines/vinhos de sobremesa ou vinhos doces. Esquecidos porque estão sempre quase abandonados nas lojas especializadas como se fossem vinhos menores ou terem sido elaborados para serem desprezados.

Na verdade é a verdadeira herança de Ganímedes. O mais lindo camponês arrebatado por Zeus em razão de sua beleza subiu ao monte Olimpo para servir aos Deuses as bebidas especiais, entre elas, certamente, os vinhos de sobremesa. 

Antes do perfeito controle das leveduras e, principalmente, dos sistemas de vedação com micro oxigenação eram os únicos vinhos que aguentavam a idade avançada e as acidentadas viagens. Isto desde a Roma antiga até a o final do século 18.

Um destes vinhos especialíssimos é o Tokaji elaborado no nordeste da Hungria, na região de Tokaj, assim Tokaj é lugar e Tokaji é o vinho do lugar.

As três principais uvas são: A Furmint, também responsável pelos Puttonyos, veremos com calma na próxima publicação do que se trata, a Hárslevelú  e a Moscatel.

HÁRSLEVELÚ – A SEGUNDA UVA DO TOKAJI

A Furmint perambula pelo país dos Magiares, mas, também pela região centro leste da Europa vinhateira. Está na Áustria com o nome de Mosler, na Eslovênia atende por Sipon e na Croácia por Moslavac. Aparece em menor quantidade na Romênia e na Geórgia onde dizem que o mundo de Baco começou.

Há variadas teorias da origem desta casta, uns dizem ser nativa desta área na Europa, outros falam que veio do nordeste da Itália Friuli (antiga Veneza-Giulia) outros ainda que o império Austro-Húngaro foi o incentivador de sua expansão. Por fim, dizem ser originária do extremo leste, dos Montes Urais e plantada pelo grande Rei Húngaro Bela IV.

O que nos interessa são as caraterísticas desta uva. Primeiro que é uva de amadurecimento tardio, sendo assim colhida bem após as outras e já sujeitas aos primeiros dias mais frios e úmidos do ano na Hungria.

Frio mais umidade = névoa. Névoa mais calor matinal = fungo. Segundo que apesar de amadurecimento tardio possui uma casca bem fina o que facilita o trabalho da Botrytis. Terceiro o sol que segue ainda em dias quentes ajuda a desidratar mais rapidamente o bago da Furmint.

Por sorte aparece por ali a Botrytis Cinerea o fungo responsável pela podridão nobre. Este fungo fura as cascas das uvas desidratando-as, concentrando naturalmente açúcares e acidez. 

BOTRYTIS CINEREA E A ÁRIA DA SUÍTE 3 DE BACH

Não são todas as uvas que estão sujeitas ao ataque do fungo, caso contrário seria mais usual que é. Há que se ter estes 4 elementos: Amadurecimento tardio. Casca fina. Acidez alta. Névoa pela manhã e sol forte de dia, nos períodos finais da maturação.

furmint-botrytis

Vejam a Furmint atacada pelo fungo. Feia, mas única. Esta a sua principal vocação. Manter acidez alta apesar de doce pela desidratação. Aromas e sabores garantidos para tornar-se a coluna de um dos mais interessantes vinhos do mundo.

Também é vinificada para produzir vinhos tranquilos. Neste caso vinhos com acidez média alta, aromas de frutos de polpa branca e vinhos de cor amarelo palha. Interessantes na boca, pois a acidez os torna muito refrescantes.

Vinhos doces são vinhos meditativos.

Liebstraum de Lizst é parceira perfeita.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s