Champagne o Vinho que saiu das Abadias e é Sinônimo de Glamour


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Sempre que eu gosto de uma uva ou estilo de vinho procuro conhecer de onde veio este vinho. Qual a região? A história vitícola? A cultura de onde veio este estilo de vinho. Assim como conhecer as pessoas. Há algo melhor que visitar sua casa, suas origens e sua história? Não, não há.

Então vamos ao berço do mais glamouroso e consagrado vinho espumante do mundo. Vamos desvendar seus segredos e suas joias.

Na foto com suas suaves colinas salpicadas de vinhedos está a região de Champagne. Famosa e fantástica com um terroir inigualável para a produção de borbulhas do mais alto nível que se conhece neste planeta.

Quem uma vez bebeu um champagne de classe jamais esquecerá. Seus aromas refrescantes, o colar de bolinhas a nos hipnotizar na taça. Na boca um carinho e um frescor sem igual. Muita elegância, charme e história.

CHAMPAGNE O INÍCIO

A região de Champagne fica cerca de 150 quilômetros de Paris em direção sudeste. Acima da Borgonha, portanto, mais fria e de clima mais instável. Precisamos dizer que o primeiro vinho estilo espumante que se tem registro nasceu 100 anos antes no extremo sudoeste francês, em Limoux, Languedoc-Roussilion, mais precisamente na Abadia de Saint-Hilaire.

O PRIMEIRO VINHO ESPUMANTE DO MUNDO

O champagne como conhecemos hoje lutou muito para não ser o que é. Por décadas o homem tentou, desesperadamente, evitar o que é seu diferencial, as borbulhas de Co2 perfeitamente integradas ao vinho.

Os produtores de Champagne, espelhando-se no enorme sucesso da vizinha Borgonha, iniciar a plantar as duas uvas principais, Chardonnay e Pinot Noir. Entretanto, esqueceram-se de um detalhe fundamental, o frio e a instabilidade climática. Já vimos sobre os vinhos de climas mais quentes e frios.

 TERROIR DE CLIMAS QUENTES E AMENOS QUAL A DIFERENÇA?

Como produziam vinhos tranquilos em sua maioria tintos estes não alcançavam as condições de açúcar natural do fruto para um bom vinho, consequentemente teríamos vinhos com baixa graduação alcoólica. Adicionavam açúcar externo de beterraba, na época, processo conhecido como chaptalização e seguiam a produção normal.

Resultado?

Muitos vinhos “prontos” com reserva residual de açúcares e leveduras. O frio dormita as leveduras, o calor as acorda. Quando viajavam os vinhos começavam a espoucar pela refermentação. Lembrando que na fermentação (autólise) as leveduras comem os açúcares e os transformam em álcool, Co2 (borbulhas) e aromas.  

Um problema sério. Como elaborar vinhos confiáveis e que podiam viajar? Não resolveram na época este problema. O perfeito controle das leveduras surgiu muito tempo depois com os estudos de Louis Pasteur.

DA ABADIA PARA A REALEZA

Falar de champagne e não falar dos Monges é não falar deste vinho. As primeiras vinhas foram plantadas pelos Romanos. Na Idade Média, as pequenas cidades feudais viviam em função dos nobres e da Igreja. Quer queiram quer não, a Igreja, nesta época desenvolveu importante papel na sociedade.

 As Abadias, do latim Abattia deriva do aramaico Abba (Pai), eram verdadeiros oásis na selva que era a vida fora dos burgos e das áreas controladas pela Igreja. Nos Mosteiros, Conventos e Abadias a vida seguia em segurança, algo como um condomínio fechado, se assim posso comparar, onde se desenvolvia a gastronomia, a cultura e, claro, o vinho.

A CATEDRAL DE REIMS

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ligação entre Igreja e Monarquia era próxima, inclusive alguns Reis resolveram, por si, criar Igrejas ou mesmo ser um iluminado, que o diga o Rei Sol, Luis XIV, os champagnes logo ganharam os salões parisienses, os salões reais de Versalhes como a bebida oficial das festas e casamentos.

Uma das Catedrais escolhidas foi a de Reims, coração do Departamento de Champagne. Sob os estonteantes vitrais foi palco de coroações reais na Catedral de Reims, na própria região de Champagne. Este estilo de vinho começou a trilhar o caminho de sua ligação com as festas, comemorações e glamour.

DO REGISTRO DO NOME

Já dito várias vezes nas publicações deste blog. Os vinhos até hoje não viajam bem, calor, trepidação, mudanças de temperaturas e pressão são sempre elementos complicados. Na época inviabilizavam o transporte.

Desta maneira sempre os vinho locais eram os apreciados. Não foi diferente com o vinho espumante dos arredores de Paris, o, hoje, champagne. 

Madame Pompadour, uma das muitas amantes de Luis XIV e uma espécie de super gerente de Versalhes, quase uma cidade real,  logo tratou de registrar este vinho como o único a participar das festas. Para evitar falsificações houve o registro da marca Champagne que depois ganhou o mundo e impediu que outros vinhos com borbulhas  ostentassem este nome.

Mas seria só a vontade real a tornar a região como uma das mais importantes regiões vinhateiras do mundo? Por mais iluminado que fosse a resposta é não.

Então, o que faz do champagne um espumante tão ímpar? Como sempre o Senhor da Vinha.

O TERROIR O SENHOR DA VINHA

O TERROIR DE CHAMPAGNE

O terroir de Champagne é especialíssimo. Este é o segredo da região do Champagne, o solo de calcário, como está demonstrado nesta foto.

FRANÇA CHAMPAGNE CALCÁRIO

Já visto que o vinho base do espumante vem de regiões mais frias, com verões menos ensolarados e de curta duração. Mas o que especificamente a região do Champagne que na verdade é uma Região Administrativa (Estado) francês tem de tão especial, afinal a região alemã do Mosela e os vinhos do Luxemburgo ficam em latitudes superiores. O frio, em condições ideais para a uva, faz com que amadurecem perfeitamente mantendo a acidez necessária para a espera da segunda fermentação. 

Diferentemente de outros locais o solo aqui é composto de giz. O solo de giz (calcário)  reflete a luz do dia aumentando, no momentos necessários a quantidade de sol que a uva precisa.

A região é muito chuvosa e os vinhedos estão plantados, em geral no plano, como fazer com o excesso de água? O giz absorve grande parte desta água mantendo a sanidade da videira. As raízes da videira, quando necessário podem descer 8 metros ou mais a procura de alimento. Mas se tivermos excesso de matéria orgânica na superfície ou mesmo ausência de necessidade da raiz descer há um problema, pois elas passam a crescer para os lados impedindo o correto desenvolvimento da planta. E solos muito úmidos são solos ricos em matéria orgânica.

O verão é época de pouca chuva, como fazer para  “molhar” o solo? O mesmo giz que absorveu a água agora a devolve, lentamente, para a videira. Aí estão as diferenças.

AS UVAS UTILIZADAS

As três clássicas para o corte (blend) deste vinho. A branca Chardonnay e as Pinot, Noir e Meunier.

Com estas uvas, faz-se os mais variados champagnes.

COMO LER O RÓTULO DE UM CHAMPAGNE 

Nas próximas publicações veremos este estilo de vinho pelo mundo. Um bom champagne harmoniza perfeitamente com Sinatra. 

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