O Valor da Amizade e do Vinho


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O melhor amigo do vinho é a amizade. Assim como a felicidade o vinho só é completo se compartilhado.

Um amigo muito especial, José Francisco de Assis Polonini, cujo coração é tão grande quanto o nome, me envia este vinho, o Tabocas Cabernet Sauvignon 2014 e pede que eu passe minhas impressões sobre ele.

Teu pedido é uma ordem Polonini e desde já agradeço o regalo.

O vinho que eu gosto como este Tabocas, para ser produzido precisa: De um louco para cuidar da videira, um sábio para a legislação, um artista para vinificar, amantes para bebê-lo e os poetas para descrevê-lo.

Um dos melhores prazeres que tenho é ser surpreendido por um vinho, como este. Cada garrafa de vinho elaborada com amor e paixão como o Tabocas nos trás, tal qual a garrafa dos náufragos uma mensagem que viaja pelos sete mares.

Primeiro o terroir. Para muitos, e aí eu me incluo neste grupo, o inusitado terroir do Estado do Espírito Santo.

Segundo a utilização de uma uva por demais complicada que pode facilmente transbordar para vinhos de qualidade duvidosa, apesar de ser a tinta mais plantada no mundo, a Cabernet Sauvignon.

Terceiro pela ausência das barricas de envelhecimento.

Vamos ao vinho?

TERROIR DESTE VINHO

Município de Santa Teresa, Estado do Espírito Santo. Bem ao norte dos paralelos aceitáveis para a produção de vinhos de qualidade. O milagre na produção de vinhos em terroir como este deve-se a uma técnica bem interessante, chamada de poda invertida. Lembrando que a intervenção do homem é um dos elementos do terroir.

TERROIR O SENHOR DA VINHA

A poda invertida são duas podas no ano, a primeira entre agosto e setembro, logo depois da colheita, e a segunda entre dezembro e janeiro, quando a planta está com os frutos bem pequenos, que são desprezados e a videira recomeça todo o ciclo com a formação de folhas, flores e frutos.

Neste caso, as uvas estarão prontas para serem colhidas a partir de julho como no hemisfério norte e aproveita-se a época mais quente e seca das regiões mais centrais do Brasil. Sem esta técnica não se poderia ter tantos e novos vinhedos pipocando país a fora.

Santa Teresa está localizada  na serra do Espírito Santo em altura média de 600 metros. Sabe-se que os vinhedos de altura têm características bem próprias. A altura nos traz um diferencial maior de temperatura entre o dia e a noite fazendo com que o frio noturno retarde o amadurecimento do fruto mantendo assim mais aromas, cor, taninos e sabor.

VINHOS DE ALTURA MITO OU VERDADE? 

Aqui ou em Mendoza a altura traz ao amadurecimento das uvas o mesmo efeito. A calma necessária para que sem atropelos a uva ganha os açúcares necessários.

DA CABERNET SAUVIGNON

A Cabernet Sauvignon cujo berço é Médoc, Bordeaux, França é seguramente a uva mais plantada no mundo pela sua versatilidade, adaptabilidade e qualidade. Como se adapta a vários terroirs temos vários estilos de Cabernet Sauvignon. 

O mais normal de encontrarmos é aquele que nos traz uma versão com menos esplendor. São vinhos mais ácidos, herbáceos e com taninos marcantes. Isto porque é uma uva de maturação tardia. Colhe-se, sem a poda invertida, no hemisfério sul lá por março.

Precisa de muito sol para amadurecer seus taninos. Poucos lugares do Brasil e aí eu jamais citaria o Espírito Santo até conhecer este vinho, como um terroir de qualidade para esta uva.

UM GUIA PARA CONHECER A CABERNET SAUVIGNON 

Também por esta razão me surpreendeu bastante o Tabocas 2014.

Como veremos adiante um vinho com a força e a elegância, duas qualidade quase sempre opostas, que só os grandes Cabernet Sauvignon podem nos trazer.

A terceira surpresa foi a ausência da utilização das barricas para “domar” os taninos de uvas como a Cabernet Sauvignon.

DA AUSÊNCIA DE BARRICAS

As barricas têm cinco funções básicas: Domar os taninos do vinho. Ceder taninos. Realizar a micro-oxigenação necessária para a evolução do vinho. Fornecer aromas. Estabilizar a cor. Ao deitar este vinho na taça, pela cor e aromas pensa-se, imediatamente na utilização das barricas, mas não. Aqui o vinho descansou somente em tanques de inox.

BARRICAS NO VINHO 

Mais um ponto positivo deste vinho. A sua guarda e evolução sem a utilização de barricas tornando-o mais frutado e pleno na boca. Isto só foi possível pelo perfeito trabalho de campo, da lida das vinhas. Uvas equilibradas precisam de menos intervenção, seja química, seja por técnicas de elaboração como as barricas.

No caso as uvas estavam em plena saúde e prontas para a vinificação. O que só se consegue com trabalho de mestre, desde a videira até a garrafa, parabéns. No caso 26 de Brix, perfeito.

Brix? O que é isto? Brix é uma medida de percentual de açúcar que uma uva deve ter. Lembrando que o vinho é a fermentação destes açúcares da uva que serão transformados em álcool e aromas pelas leveduras.

Recomendo a leitura.

DESMISTIFICANDO OS AÇÚCARES DO VINHO

Vamos ao vinho?

Este vinho é maravilhoso, surpreendente, ímpar e único, principalmente, para quem gosta dos tintos estilo andinos. Encorpados, aromáticos, elegantes e impositivos.

Este é um Cabernet Sauvignon explícito, eu diria. Aromas muito frutados com um fundo de terra e café. Na boca confirma o nariz um vinho que “gordo” pleno e que preenche nossa alma.

Eu o classificaria como um vinho estilo tinto frutado.

O QUE FAZ UM TINTO SER FRUTADO?

Bem ao estilo dos tintos do mediterrâneo, algo como um Grenache ou um Mouvèdre de Bandol.

Parabéns, novamente, ao enólogo equipe e ao meu amigo do peito José Francisco de Assis Polonini.

Este vinho é único e ímpar quanto Vivaldi em versão acordeon.

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