Um Guia para Conhecer a Garnacha na Espanha


vinhas-velhas

Parece um bonsai, mas é uma videira de Garnacha,  muito antiga, algo em torno de 60 ou mais. Tradicional no centro norte da Espanha. Cada pé em média um quilo de uva o que equivale a uma garrafa de vinho.

Garnache, Grenache, Garnatxa, Cannonau na Sardenha, como queiram. Ela é uma poderosa uva da Espanha e do Mediterrâneo.

Rainha com a Monastrell (Mouvèdre), a Cinsault e a Carignan dão as cartas em toda a borda mediterrânea. Compondo, inclusive 50% ou mais de um dos mais renomados vinhos que existem, o Chateauneuf du Pape, no Rhone Sul,  França. Que veremos na próxima publicação.

Nascida no norte da Espanha, em Aragão, perto de Rioja e, por isto, chamada de Garnatxa nos países Bascos. 

Uva tardia gosta de muito sol para desenvolver-se. Precisa de calor, sol e pouca água, tendo solo ideal em Rioja, no centro da Espanha e mais ai sul no Priorato e Jumilla. Encontra-se em toda a borda do Mediterrâneo espanhol e francês. Na Sardenha ganha o nome de Cannonau.

Talvez uma das uvas mais plantadas no mundo. Em geral usada em corte com as outras uvas do Mediterrâneo, como a Mouvèdre e a Cinsault, principalmente. Deve-se tomar cuidado com o produtor, pois é uma uva que produz muito, sendo assim as vezes mais interessa a quantidade que a qualidade.

Grenache também é usada para fazer vinhos rosés na Provence e no Rhône sul, França, principalmente Tavel no Côtes du Rhône, única região demarcada na França autorizada a produzir exclusivamente roses. Na Espanha compõem os roses de Navarra.

Produz um vinho gordo, acidez não muito elevada e aromas clássicos de frutos vermelhos. Muitos deles produzidos com uvas de vinhas antigas. Um típico vinho estilo Frutado.

ESTILO TINTO FRUTADO

Tem a versão branca da casta. A Garnacha Blanca ou Grenache Blanc que compõe o Chateauneuf du Pape branco. Um show.

DESVENDE O TERROIR – O SENHOR DA VINHA

ONDE ESTÃO OS MELHORES GARNACHA

ESPANHA – RIOJA

ESPANHA RIOJA WINE MAP

Terra e berço da casta. Rioja, uma antiga Denominação de Origem da Espanha. Cortada pelo rio Ebro, mais ao nordeste de Ribeira Del Duero também recebeu fortíssima influência dos Romanos e suas tecnologias de engenharia, vinificação e desenvolvimento para a época. Depois os Monges enólogos trataram de desenvolver e aprimorar o terroir, os vinhedos e os métodos de vinificação.

Rioja se divide em três partes bem distintas e com características bem próprias.

Alavesa, mais ao norte nas portas do País Basco e na encosta da serra da Cantábria. Mais fria, região montanhosa com mais umidade. Boa para brancos. Os tintos têm característica de vinhos de montanha, mais leves e ácidos. Rioja Baixa, mais ao leste e com vinhedos plantados em zonas de menor altura e Rioja Alta, mais a oeste, ambas mais ensolaradas, secas e com solos pobres de matéria orgânica com grande diferencial de temperatura entre os dias e as noites de verão. Ideal para tintas encorpadas e com belos índices de taninos e álcool.

Ali temos excelentes Garnacha. Na Alavessa, perto do país Basco chamam-na de Garnatxa, mais austera porque de clima frio. Porém, as de Rioja Baja e Alta vinhos plenos, cheios que vão do Estilo Sedoso ao de Guarda.

ESPANHA- PRIORATO 

espanha-priorato

Os Monges da Ordem dos Cartuxos, de extremo isolamento e clausura, foram, com os da Ordem Cisterciense, as primeiras Ordens reconhecidas pelo Papa. Sempre se instalavam em locais de muita dificuldade de acesso para atingir o objetivo desta Ordem que era a clausura e a vida de eremita.

Assim com os Cistercienses, ordem religiosa de Dom Perignón, por exemplo, eram exímios enólogos e onde estavam desenvolviam a arte da vinha com maestria. Por exemplo, Cartuxa é o nome de um famoso vinho do Alentejo, e não é por nada.

Pois, bem, os Cartuxos franceses instalaram-se perto de Barcelona, algo em torno de 100 e poucos quilômetros montanhas acima. Região até hoje de difícil acesso, imaginem por volta dos anos de 1.110 quando lá chegaram. Desde logo iniciaram o plantio das primeiras videiras. Dando vida ao que é hoje uma das joias da coroa. Priorat, junto com Rioja alcançam a qualificação máxima de origens qualificadas, na Espanha.

Terreno extremamente montanhoso, solos de origem vulcânica, e pedra, muita pedra e pouco material orgânico na superfície. Videiras plantadas no sistema de socalcos, assim como no Douro. 

Cuidados com as videiras totalmente manual, impossível a mecanização. Clima de extremos, grande amplitude de temperatura, videiras esculpidas na pedra e voltadas para o sol, tendo como uvas mestras a Garnacha e a Cariñena, nas tintas e a Macabeo (Viura em Rioja) e a Garnacha Branca, nas uvas brancas.

Raízes que descem fácil 8 metros para buscar alimento e água, sofrem mas produzem um vinho de exceção. Lembrem-se, vinho bom é de videira que sofre. Não esquecendo que a altura dos vinhedos varia de 350 metros até 600 metros e pouquíssima chuva.

Assim invernos rigorosos, verões ensolarados com grande amplitude térmica nos trazem Garnachas encorpados, densos, profundos em cor, aroma e paladar.

Na sequência veremos a Garnacha mudar de nome e entrar na história dos vinhos franceses.

A Garnacha na Espanha nos traz vinhos plenos e densos como o sax de Rollins

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