A Botrytis Cinerea e a Ária da Suíte 3 de Bach


 

botrytis-1

Um fungo que atormenta todos os outros produtores de frutos faz a grande diferença nos vinhedos. A chamada podridão nobre cujo trabalho essencial de furar a casca das uvas desidratando-as de tal maneira que ficam os açúcares e a acidez concentrada. Nos trazendo um expoente máximo dos chamados vinhos de sobremesa, os “Dessert wines”.

A foto acima nos dá uma real dimensão do “estrago” que ela faz nos vinhedos. Vejam como os frutos ficam ressecados. Poucos lugares no mundo possuem vinhedos “atacados por este fungo.

Antes um pouco de história.

ONDE TUDO COMEÇOU?

Alemanha, por volta do final do século 18 início do século 19. Cidade Fulda, centro e epicentro nevrálgico da poderosa Igreja Católica Alemã.

Nada fugia aos olhares e ordens dos Bispos. Terras a volta de posse e domínio da Igreja. Monges enólogos que cuidavam da colheita, da condução e elaboração dos vinhos precisavam da ordem expressa do Bispo Chefe para iniciar a vindima.

Distante em torno de 200 quilômetros dali, longe demais para a época está o Mosteiro da Montanha de São João, Kloster Johannisberg. Nas margens do Rio Reno.

Chegado o momento da colheita os monges enviaram seu mensageiro para colher a autorização. Eis que por razões desconhecidas, eu entendo que por Divina Providência o tal de cavaleiro chamado Babbert atrasou-se. Chegou muito tempo depois do momento adequado para a vindima.

Pacientemente os monges esperaram a ordem de abertura da colheita. As uvas Riesling estavam em estado deplorável nos vinhedos. Já murchas e algumas atacadas por um fungo que se entendia prejudicial. Mesmo assim, por necessidade de possuir seu vinho para as missas colheram as uvas e as elaboraram normalmente. 

Resultado? Um vinho de elevar qualquer espírito a Deus. Uma dádiva, uma joia, hoje conhecida como vinhos botritizados. Algumas uvas estavam atacadas pela Botrytis Cinerea e outras, simplesmente, em estado de uvas passas.

Registro de Johan Engert, administrador do mosteiro de Johannisberg, ao anotar a margem dos anais conventuais, em 1776: “Nunca havia trazido à minha boca um vinho como esse”. Ele referia-se ao estranho e doce vinho da Riesling, colhida tardiamente no ano anterior.

Com o atraso do Sr Babbert que agora tem até estátua foi dado o pontapé inicial para estes vinhos maravilhosos e um tanto incompreendidos, hoje.

NÃO HÁ COMO FALAR DE VINHOS DOCES SEM A BOTRYTIS

etapas-botrytis

Para exemplificar vejamos a foto abaixo em todas as etapas da Botrytis Cinerea. A podridão nobre não apodrece a uva, mas, como disse, desidrata-a suavemente.

uva-botritizada

Vejam na foto.

A Alemanha e Áustria são grandes produtoras deste estilo de vinho.

SAUTERNES

Entretanto, não existe a menor possibilidade de competir com duas regiões míticas como Sauternes, Bordeaux, França. Na verdade Sauternes faz parte de Bordeaux, da chamada Sweet Bordeaux. 

A DOCE BORDEAUX 

Sua “rival” em quantidade e qualidade é Tokaj no extremo oeste da Hungria. O Tokaji seus putonios, SUA  MAGIA e sua qualidade extrema chamam a atenção do mundo há séculos.

TOKAJI

TOKAJI A JOIA DA COROA 

Mas como é este vinho? Ele é um contato direto com Deus. Uma prova viva de que o Divino existe e nos brinda com este regalo da natureza. Um vinho que possui a capacidade de nos fazer “viajar” sem sair do lugar. Abre todas as lembranças de nossa caixinha de saudades. Show. Um caleidoscópio de sabores e aromas. Por isto é um vinho intimista. Daqueles que facilita a conversa com Deus.

Assim como esta Ária (No Barroco, esse termo também era usado para designar peças instrumentais, para orquestra ou solista, que constituíam parte de uma suíte) de Bach. 

 

 

 

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