Cabernet Sauvignon 2011 Vinícola Batalha – A confirmação do terroir da Campanha Gaúcha


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Sempre digo: Gosto, aprecio, recomendo e vendo vinho, não commodities. Mais do mesmo, não. Para isto basta ir no supermercado mais perto. Ali temos, no geral, aqueles vinhos estilo, bebeu um bebeu todos.

Outro grande prazer que tenho com o vinho é ser surpreendido por ele. Não há prazer maior que abrir uma garrafa e ter a sublime sensação do diferente e prazeroso.

Por terceiro gosto de comprar vinhos da minha terra, da minha gente, vinhos do Brasil. Afastando o pensamento do grande Nelson Rodrigues que vaticinou o complexo de vira-latas de muitos de nós. Sempre a elogiar o vinho de outras terras. Claro, não vou negar, há locais mágicos e, porque não dizer míticos para o vinho, como Douro, Piemonte, Borgonha, Bordeaux e por aí vamos. Com estes terroirs não podemos nada falar, mas sim tê-los como norte como padrão de qualidade para as uvas que tanto amamos.

Atrás de cada garrafa de vinho tem o suor do homem do campo, sua quase insanidade em cuidar de uma videira. Há o estudo do homem em relação a legislação, a produção, quais as técnicas a serem utilizadas, a luta contra o governo que insiste em jogar contra os produtores.

Por fim, há o preconceito de muitos de nós em relação ao vinho brasileiro. Já escrevi neste blog sobre este assunto.

BOBAGENS QUE OUVI SOBRE VINHOS BRASILEIROS 

Portanto, fico muito feliz em receber e apreciar um vinho feito no Brasil, pela nossa gente. E vinho desta qualidade. Já havia provado um Batalha Cabernet Sauvignon que recebi da filha do produtor Gilberto Pozzan quando a auxiliei no seu trabalho de conclusão da faculdade. Ali, há 4 anos atrás, já tinha percebido o quanto esta vinícola iria evoluir. Parabéns a todos na Vinícola Batalha. Pois bem, um de cada vez. Agora vamos analisar um Cabernet Sauvignon safra, pasmem, 2011.

DA CABERNET SAUVIGNON

Provavelmente a uva mais plantada no mundo e com a Chardonnay as mais conhecidas. De forte adaptação, aos mais variados terroir,  com qualidade e produtividade. Com berço na margem esquerda do estuário do Gironde em Bordeaux, França. Ali, no Médoc ou terras do meio para os Romanos onde só haviam tribos Celtas plantando gramíneas e leguminosas.

Entre duas massas de água, o Atlântico e o Gironde formado pelos rios Garone e Dordogne com solo único nasce a Cabernet Sauvignon, filha da Cabernet Franc e da Sauvignon Blanc, duas uvas, aliás de grande potencial em Bordeaux. Entra no tradicional corte bordalês com a Merlot e a Franc. Por certo sempre tenho como norte de padrão um bom Cabernet de Médoc.

UM GUIA PARA CONHECER A CABERNET SAUVIGNON

Paradoxalmente a sua fama e divulgação é uma extremamente complexa seu ciclo de maturação. Uva tardia precisa de muito sol para amadurecer os taninos, desde as sementes até a casca. É colhida no Brasil por março, portanto, uma das últimas. Se não tivermos um verão ensolarado e adequado, por certo teremos uma uva com taninos quase indomáveis que nos trarão vinhos mais herbáceos e com o indefectível pimentão verde. Porém, quando perfeitamente adaptadas ao terroir ela nos trará um vinho “cheio”, com taninos sedosos e muito longeva. Tudo pela perfeita técnica de tratar os taninos como neste magistral CS 2011 da Vinícola Batalha. 

ENTENDA SOBRE OS TANINOS NO VINHO 

A VINÍCOLA BATALHA

Jovem e importante vinícola do sul do Brasil. Apostando em qualidade. Apostando em uvas perfeitamente adequadas ao terroir da região. Surgem agora seus vinhos e espumantes com a lavra de Adolfo Lona secundado pelo proprietário e a equipe valorosa desta vinícola. Antes de falarmos sobre o terroir da campanha gaúcha, Bagé e Candiota de onde as uvas vêm importante destacar o que é, realmente, terroir. Palavra muito escrita e falada, porém, pouco entendida.

DESVENDE O TERROIR. O SENHOR DA VINHA 

O terroir específico deste vinho é chamado de Campanha Gaúcha. Como escrevo para o mundo, o Rio Grande do Sul é o Estado mais ao sul do Brasil. E onde está localizada esta vinícola e suas terras estão quase na fronteira com o Uruguai.

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TERROIR DA CAMPANHA

Pode-se ver no mapa que a Campanha Gaúcha bordeia a fronteira com o Uruguai. Importante frisar que ela, para os padrões do vinho e creio que terá que ser revisto é muito longa. Mais ou menos 500 quilômetros de extensão é muito. Metro faz diferença em terroir que dirá a extensão de Portugal. 

Campanha tem um clima muito demarcado, pode-se até considerá-lo um clima continental. Muito frio no inverno e no verão muito sol e calor de dia, a noite refrescando nos locais mais altos. O solo muitas vezes rochoso, por vezes arenoso, mas sempre bem drenados, são ideais para o plantio da uva.

Por fim, é importante destacar que a Campanha está no mesmo paralelo de grandes produtores mundiais de vinho como Mendoza, Santiago, Cidade do Cabo e Austrália. O que, climaticamente, significa boas condições de produção de vinhos de qualidade, por certo sempre aliado a outros quesitos.

ESTE VINHO

De início destaco a jovialidade, mesmo com 5 anos de vida, lembrando que a jovialidade se alcança com a idade. Por jovialidade entendo a experiência aliada ao frescor da juventude. A elegância aliada a força da adolescência. Os aromas firmes de compotas de geleias com toques de couro aliados a frescor da acidez ainda presente e aquele floral somente presente nos belos vinhos com esta uva. Na boca os sabores confirmando este prazer olfativo. Importante destacar a enorme diferença entre sabor e gosto.

PARA CONHECER DOS SABORES DO VINHO

Temos um vinho pleno, cheio, gordo com acidez ainda presente e taninos a evoluir o que nos trará mais tempo de vida com saúde, porque envelhecer todos os vinhos envelhece, entretanto, poucos com saúde. O que mais me chamou atenção é que desde os aromas que se confirmam na boca até o último gole o prazer é crescente, como os bons Cabernet Sauvignon. Este, em especial, com um inefável sabor de chocolate. Um gole a puxar o outro.

Seguro que eu o tenho como um tinto sedoso.

O ESTILO TINTO SEDOSO 

O que dizer, Gilberto Pozzan? Parabéns pela luta e por nos brindar com um pouco da cultura, da terra e da essência de Bagé e Candiota. Eu vendo este vinho. Informações pelo email peter.alemdovinho@yahoo.com

Para acompanhamento musical a eterna Alberta Hunter que só alcançou a fama mundial na sua jovialidade dos seus quase 80 anos. 

 

 

 

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