Apaixone-se pela Sauvignon Blanc


 

 

UVA SAUVIGNON BLANC

Um dos mais interessantes exemplos da influência do terroir é com a Sauvignon Blanc. Impressionante como ela muda de estilo em cada terroir onde é plantada.

Mesmo sendo a muitos apresentada na última década ela é uva antiga e tradicional da região central e sudoeste da França. Afinal ela é “mãe” da Cabernet Sauvignon tendo  o “pai” a Cabernet Franc. A Sauvignon Blanc hoje está no topo do consumo e área plantada das uvas brancas.

Uns dizem ser nativa de Bordeaux (sudoeste francês) outros dizem ser nativa do vale do Loire, região centro leste da França. Em cada uma destas regiões desempenha papel único com características ímpares.

Veremos.

Esta dúvida sobre o real berço da Sauvignon Blanc só vem a colaborar com o grande potencial de adaptabilidade, qualidade e produtividade que transforma esta uva nas tidas como internacional.

Em Bordeaux, no sudoeste francês ela participa ativamente na elaboração de vinhos brancos, principalmente, da região de Entre Deux Mers. 

Leia.

DESVENDE BORDEAUX 

E em colaboração única no casamento com a Semillón  na elaboração de um clássico o botritizado Sauternes.

Se tiver interesse leia.

A DOCE BORDEAUX 

A SAUVIGNON BLANC E SEUS DIVERSOS TERROIRS 

Deixando de lado alguns clones da uva que de fato, por si só, altera quase a essência da uva. Vamos ficar com alguns exemplos bem distintos.

Por terroir podemos entender o amálgama da influência do solo, clima, geografia e intervenção humana.

Extremamente sensível ao local onde foi plantada, produzindo, assim, diferentes estilos de vinhos.

Terroir mais ensolarado e quente nos trará uma Sauvignon Blanc mais frutada e o contrário uma mais cítrica.

Se de climas mais quentes o clássico equilíbrio harmônico dos vinhos brancos (acidez e açúcar) pende para o frutado. As uvas terão mais açúcares naturais que serão, pela fermentação, transformados em álcool, aromas e Co2 a se dispersar. Os vinhos serão mais “gordos” na boca, mais untuosos, acidez mais educada e aromas que levam ao frutado. 

Se de climas mais frios teremos a balança para a acidez e menos açúcares, consequentemente, vinhos menos alcoólicos, mais ácidos e leves. Aromas mais cítricos. Outras influencias serão levadas pelos estilos de vinificação. Se passam por barricas ou não é um dos exemplos.

Vejam a figura.

SAUVIGNON BLANC AROMAS

Lamento dizer que a Sauvignon Blanc em países de produção vinífera ao melhor estilo de exploração de petróleo como o Chile a Sauvignon Blanc vem tirando o espaço da Chardonnay. A meu ver com prejuízo ao consumidor.

Explico.

Como é uva de alta produtividade acabam os produtores por diminuir o espaço entre as videiras fomentando a disputa (com visiveis perdas de qualidade) das uvas e nos trazendo um Sauvignon Blanc extremamente ácido e liso, isto é, sem corpo, sem “peso” na boca mais parecendo um suco de limão com álcool.

Muito diferente das características da verdadeira alma de um Sauvignon Blanc que deve, necessariamente, ser redondo (sem acidez excessiva), amável (por isto mesmo sem enjoar), aromático (aromas cítricos nos terroirs mais frios e amendoados nos mais quentes) e refrescante, este o ponto chave desta uva para diferenciá-la, por exemplo, da Viognier  outra branca que gosta de frio .

Infelizmente muitos e bons Chardonnay a preços acessíveis estão neste caminho, Parece até que só trocaram de rótulo.

DICA ALEMDOVINHO

Como saber de um terroir que não o seu de nascença produz vinhos de excelência? Simples. Prove um vinho de seu berço, do seu terroir de origem a bom preço. Assim poderemos ter um norte de qualidade ao provar outros vinhos espalhados pelo mundo com esta ou aquela uva.

Claro que há exceções a regra. Aquelas uvas que em seu local de nascimento produzem vinhos muito diferentes dos terroir adotivos. Mas são poucas as mais conhecidas como a Malbec e a Tannat.

Bem, mas aonde estão os Sauvignon Blanc que mais gosto?

Logo me vem três lugares mágicos. Dois no vale do Loire, França e um no vizinho Chile. 

Ficamos com Sancerre e  Pouilly-Fumé, por exemplo.

SANCERRE 

sancerre 4

Situada no lado esquerdo do rio Loire. Berço adotivo da Sauvignon Blanc. A vila não teria a repercussão mundial não fossem os seus vinhos com a SB e no nome Sancerre estampado nos rótulos. Vários SB pipocam pelo planeta, mas comparáveis a Sancerre e a vizinha Pouilly-Fumé, não há.

Vinhos elaborados por pequenos produtores. São secos quase crocantes. Aromas de nozes e frutos secos como damasco e laranja. Na boca minerais e acidez marcante. Acompanham excepcionalmente bem frutos do mar e pratos leves. Mas inesquecíveis com o queijo da região, um Chèvre (queijo de cabra).

POUILLY-FUMÉPOUILLY-FUMÉ

Vizinha a Sancerre somente o rio Loire divide as duas cidades. Entretanto, mesmo tão perto o terroir muda bastante e nos traz um Sauvignon Blanc muito diferente.

franca-pouylly-fume

Aqui como os vinhedos estão mais perto do rio temos mais neblinas, menos sol e mais calor. Climas mais quentes nos trazem um SB mais cheio, menos acidez e mais mineralidade por conta do solo. Ali há vestígios pré-históricos de um mar. Muitos resquícios minerais. Aromas mais frutados com um toque infalível de pedra de isqueiro característica de um bom Pouilly-Fumé. Como são mais encorpados pedem peixes mais gordurosos, como trutas e salmão.

 

Fiquem com a vista da agradável Sancerre.

Do outro lado do mundo está a Nova Zelândia e seus vinhos brancos especiais.

A grande uva que colocou este país no mapa dos principais produtores e exportadores foi a Sauvignon Blanc que se adaptou com perfeição produzindo vinhos extremamente deliciosos e únicos.

Na ilha sul estão concentradas as principais regiões. No norte da ilha sul a Sauvignon Blanc encontrou terreno fértil.

 

CHILE – CASABLANCA

Os vinhedos mais perto do mar que o Chile tem. Região entre a capital Santiago e a turística Valparaiso foi descoberta na década de 90. A proximidade com o Pacífico e a corrente de Humboldt, a mais fria das correntes marinhas, que desemboca ali trazendo nas noites de verão o frescor necessário aos vinhedos, principalmente de uvas brancas e a Pinot Noir.

A Sauvignon Blanc ali produzida nos traz equilibrados vinhos. Alguns bastante aromáticos algo de aspargo, a famosa pedra de isqueiro e leves toques herbáceos. Muito bons e a preços bastante acessíveis.

 

NOVA ZELÂNDIA – MARBOROUGH

Mais especificamente no norte da ilha sul em Marborough. Ali há um local chamado Cloudy Bay, algo como baia nublada. Menos sol, mais frio, mais mineralidade. Um Sauvignon Blanc muito especial. Acidez dança na taça e na boca. Aromas de maracujá explodem no nariz.  Na boca firme, redondo algo mineral com frutado e muita elegância. Vale a pena.

BRASIL 

No Brasil a Sauvignon Blanc apresenta-se muito bem nos altos da Serra Gaúcha fronteira com Santa Catarina. Entretanto, eu entendo que os SB dos vinhedos de altura em Santa Catarina são imbatíveis. Clima frio mesmo nas noites de verão, sol na medida correta e solos pobres em matéria  orgânica com excepcional drenagem faz com que as raízes das videiras desçam várias camadas de diferentes solos para pegar seu alimento. Condições perfeitas para um Sauvignon Blanc bastante mineral acidez correta e aromas cítricos. Uma delícia. 

Acompanha sempre o meu amigo Albert King

 

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