Conheça os Segredos da Pinot Noir


PINOT NOIR

Logo mais começa a primavera no hemisfério sul logo mais teremos dias mais longos e dias mais quentes. Ideais para apreciar um bom vinho com esta uva.

Vinhos são como roupas para mim. Vou trocando de Estilo de acordo com o clima.

Sabe aquele vinho tinto que não “gruda” na boca? Aquele vinho tinto agradável, delicioso, aromático e que passa longe dos potentes vinhos chilenos e argentinos?

Sabe aquela vontade de apreciar um tinto sem necessidade de pensarmos em acompanhamentos elaborados e complicados? Sabe aquele tinto que pode ser levemente gelado e servido nos dias mais quentes?

A Pinot Noir é tudo isto e mais um pouco. Uva querida e manhosa. A Pinot Noir é  nativa da Borgonha, França e hoje leva seu charme pelos quatro cantos do mundo.

Vamos falar um pouco mais dela aqui.

Uva de bagos pequenos, casca fina e cachos muito apertados,  sujeita a doenças em razão disto. Mudanças climáticas não são bem-vindas.

Ventos, frio fora de hora, calor excessivo, umidade podem botar a perder toda a safra ou baixar a qualidade do vinho. Dá uma canseira danada aos produtores. Dizem até, que Deus criou a Cabernet Sauvignon e o diabo a Pinot Noir.

Certo que na Borgonha alcança a maioridade, sendo inclusive, a uva do Romané- Conti, um dos mais caros vinhos que existem. Alcançam desde preços proibitivos até alguns bem razoáveis. 

Mas por aqui e por aí encontramos belos terroir para esta casta. Oregon, nos EUA, Central Otago, Nova Zelândia, Casablanca Chile, Patagônia, Argentina, e Campos de Cima da Serra, Brasil estão entre os melhores.

Seja qual for o seu terroir uma característica é sempre sentida. Sua baixa carga de taninos em razão da casca fina.

 TANINOS – SUA IMPORTÂNCIA

Um bom Pinot Noir deve, necessariamente, ser um vinho sensual, aromas delicados de amoras, morangos. Nos melhores exemplares o insubstituível aroma de couro, carne de caça e, também, carne maturada.

Muito influenciada se as uvas vêm de terroir de climas quentes ou amenos. 

LEIA SOBRE A INFLUENCIA DO TERROIR NA MATURAÇÃO DA UVA

Regiões mais quentes nos trazem um Pinot mais frutado mais incisivo, regiões mais frias, as melhores, um vinho mais elegante, de médio corpo, acidez na conta e muito gostoso de beber.

Os de climas frios, os melhores, algumas garrafas ostentam um selo avisando as uvas têm origem em terroir de climas frios. O que para muitos nada dizia até ler esta publicação. 

Em geral não tem vocação para envelhecer com saúde, claro, os melhores exemplares da Borgonha são exceção.

Não sem esquecer que são base para o corte das clássicas Champagnes com a Chardonnay e a Pinot Meunier.

ONDE ESTÃO OS MELHORES PINOT NOIR?

Certamente teremos que começar pela Borgonha.

BORGONHA CÔTE D’OR

Nenhum amante do vinho deve dizer que conhece um Pinot Noir se não apreciou um bom exemplar com esta uva com origem na Côte D’Or. Não existe a menor possibilidade de fugir desta “obrigação”

Um capítulo a parte ao falarmos de Côte D’Or. Esta mítica região vinhateira tem 50 Km de extensão e menos de 3 Km de largura, portanto, uma pequena linha de terra onde estão concentrados os seus melhores exemplares da Pinot Noir e da Chardonnay.

Ali ela foi lapidada pelos Monges Enólogos os Monges Cistercieneses que durante séculos foram trabalhando e definindo os seus melhores locais. E acertaram porque a Côte D’Or tem seus segredos. 

solo cote

O solo apresenta-se em camadas de vários tipos, ferroso, argiloso, calcário e assim vamos. Por uma razão geológica as colinas onde estão os vinhedos apresenta-se como uma fenda. Os vinhedos plantados em patamares. Cada altura tem diferentes terroir e define qual a classificação do vinho. Se Village, os mais de baixo, Premier Cru ou Gran Cru, o topo. Aqui, nesta região começou o conceito de terroir.

Lembrando que aqui centímetro faz a diferença.

romanée conti

Por exemplo, se está dentro do muro estamos falando de Romanée-Conti, se está fora de Vosne-Romanée. E quanta diferença em preço e qualidade. Provem um Premier Cru de Pinot Noir e depois me falem.

Afortunadamente para os nossos bolsos, temos outras regiões no mundo onde esta uva dá-se bem, também, como no Chile.

CASABLANCA – CHILE

A região entre a capital Santiago e a turística Valparaiso foi descoberta na década de 90 para a produção de vinhos brancos de alta qualidade com as castas Sauvignon Blanc e Chardonnay. E onde temos estas duas uvas com qualidade temos a Pinot Noir também. As razões para tal sucesso estão baseadas na localização dos vinhedos muito perto do Oceano Pacífico. Ali desemboca a mais gelada das correntes marinhas, a Corrente de Humboldt que além de trazer frio para as noite de verão retardando o amadurecimento das uvas e melhorando, assim, a sua qualidade traz o clima seco que a casta tanto precisa para não adoecer de fungos em razão da sua fina casca.

NOVA ZELÂNDIA – CENTRAL OTAGO

Sei que quase todo o país tem grandes Pinot Noir, porém, Central Otago é diferenciado.

Em situação muito parecida com Casablanca está o terroir de Central Otago na ilha sul da Nova Zelândia. Para mim rivaliza em preços e qualidade com os melhores de Casablanca. Os frios ventos invadem os protegidos vinhedos que estão em vales refrescam os vinhedos no final da maturação. Tiram o estresse da videira fixando aromas e taninos. Uvas perfeitamente maduras, sadias e com ligeira acidez nos trarão vinhos perfeitos.

EUA – OREGON

Outra região vinhateira que nos traz excelentes Pinot Noir com bastante constância é o Oregon noroeste dos Estados Unidos. Logo acima da Califórnia está o Estado de Oregon que possui vinhedos desde a sua fundação em 1840. O vinho como se conhece hoje se desenvolveu na regição na década de 60 quando vários produtores californianos iniciaram a subida por mais terras e terroirs diferenciados. Mais frio que a vizinha Califórnia, mas nem tanto quanto o vizinho ao norte, Washington, é local certo para o trio, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Pinot Noir.

Condições climáticas semelhantes a da Borgonha, desde os paralelos setentrionais até o clima fez com que vários produtores trocassem experiência com os vinhateiros franceses. Como resultado imediato iniciou a decolagem dos Pinot Noir do Oregon com prêmios mundiais. Se estiver na frente de um não vacile, será uma experiência incrível.

Na harmonia com a música a combinação perfeita e sem arrependimentos. Edith Piaf. 

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