Para Entender os Vinhos Secos, Meio-Secos e Doces


MEIO SECO

Me pergunta o amigo Thiago. Um leitor do blog Alemdovinho. 

Caro Peter,
Muito bom seu blog! Aprendo sempre que entro no site!
Gostaria de tirar uma dúvida com você acerca de vinho seco e meio seco.
Vejo em muitos sites pessoas desqualificando um vinho por ser meio seco (chegando ao absurdo de comparar a chapinha!). Às vezes nem provam o vinho, mas por ser meio seco, ja dizem ser ruim. Qual sua opinião em relação ao vinho ser seco ou meio seco? Ser meio seco é característico de vinho ruim?
Abraços!

Primeiro lugar. Thiago muito obrigado por perguntar e interagir. Assim eu aprendo e vocês também. Esta pergunta é tão pertinente e recorrente que resolvi escrever esta publicação.

Principalmente, hoje que houve mudanças interessantes na legislação brasileira. Alguns importantes rótulos estrangeiros elaborados com uvas conhecidas como a Cabernet Sauvignon ou mesmo este da foto que resolvi ilustrar esta publicação. um Primitivo Di Mandúria, vinho que vai fácil para os seus R$ 200,00 reais.  

A primeira pergunta que vem. Mas um vinho deste valor por ser meio seco? Vinho meio seco ou doce não são vinhos de qualidade duvidosa? 

Para responder esta pergunta precisamos lidar com alguns conceitos como: Desinformação, preconceito, sempre ele e confusão de classificações.

A CONFUSÃO DAS CLASSIFICAÇÕES 

A primeira grande divisão dos vinhos pode ser feita através das origem das suas uvas.

VINHOS DE UVAS AMERICANAS: 

Também conhecido como vinho de mesa (que pela legislação pode conter uvas viniferas). São as uvas também de mesa. Como Niagara, Bordô, Isabel, entre outras. Em geral os vinhos mais baratos, simples e também chamados coloniais. Invariavelmente no rótulo teremos vinhos suaves, ou seja, vinhos com açúcar de cana residual para que possam ser docinhos na boca. Também recebendo a classificação de vinho de mesa. Que também poderá ser seco, meio seco (meio doce) e doce.

VINHOS DE UVAS VINÍFERAS: Os chamados vinhos finos. Já nos vinhos de uvas viníferas, chamadas de uvas finas. Uvas não de mesa, a maioria de origem européia como a Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, entre outras.

 Estes dois vinhos (mesa e fino) podem ser, segundo o Decreto 8198/2014, artigo 31 e 34, portanto recente 2014:

SECO: Seco na literatura do vinho é sinônimo de ausência de açúcar ou até 4 gramas por litro, seja ele residual do fruto ou exógeno, cana de açúcar, por exemplo. A esmagadora maioria dos vinhos finos são secos.

MEIO SECO – MEIO DOCE: Dentre os vinhos poderemos ter o Demi-Sec (meio Doce), expressão mais usada nos espumantes e o vinho meio-seco. Os dois nós teremos residual de açúcar, tanto da própria uva como externo, como cana, pelo método da chaptalização. Que é a introdução de açúcar de cana no mosto que será vinificado para aumentarmos os percentuais de álcool e termos um vinho, digamos, mais alcoólicos. Os índices de açúcar vão de 5 gramas por litro até 25 gramas por litro.

Aí o perigo e a confusão de quem se fixa só nas classificações. Este Manduria da foto deve ter pouco mais que 5 gramas por litro e está, legalmente na mesma classificação que um vinho bastante adocicado como seus “primos” coloniais.

VINHOS DOCES: Suave ou doce – o que contiver superior a vinte e cinco gramas de glicose por litro, sendo que para os vinhos de Vitis vinifera o limite máximo é de oitenta gramas de glicose por litro.

PARA RESOLVER DÚVIDAS SOBRE OS VINHOS DOCES

Nos vinhos finos. São os chamados de vinhos de sobremesa que se sub-dividem em: Colheita Tardia que pode ser pela colheita de uvas em estado de passas ainda na videira e os pelo appassimento que são os passitos, botritizados e o Ice Wine.

PASSITOS QUE VINHOS SÃO ESTES?

PRECONCEITO

Einestein já dizia: Mais fácil destruir um átomo que um preconceito.Pois bem, o preconceito limita o conhecimento das situações e nos traz desinformação. 

Os vinhos como Chapinha, Sangue de Boi, Canção e outros são vinhos elaborados com as uvas americanas e suas características como vimos acima. Assim impossível compará-los com aqueles vindos da uva vinífera. Torcer o nariz para estes vinhos e, pior não considerá-los vinhos só aumenta a desinformação.

São vinhos, sim. Porém, não do seu estilo, do seu agrado, assim como não são do meu. Mas, daí  eu bombardeá-los vai uma distância grande.

Entretanto, são vinhos que eu não aprecio vindo de uvas americanas fermentadas.

DESINFORMAÇÃO

Aí digo, o preconceito traz a desinformação. Há vinhos doces, portanto, não secos que eu amo, como por exemplo, os Ice Wine. Agora, se me perguntarem se eu gosto dos vinhos doces com açúcar de cana eu vou dizer que não. Mas respeito quem goste.

Por fim, vinho fino meio-seco de uvas viníferas, com 5 ou um pouco mais de açúcar residual (em geral da própria uva) eu gosto demais.

Resumindo. Não será a classificação de percentual de açúcar (dentro do razoável, claro) que determinará a encruzilhada do vinho. O caminho a seguir, mas, sim, das uvas utilizadas, se americanas (de mesa) ou viniferas.

Agora, doce mesmo é o sax de Webster. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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