Um Roteiro para Desvendar o Berço da Syrah e da Viognier


rhone sul

Será que você sabe o que está levando para casa quando compra um vinho do Rhône, França? Digo porque em conversa com amigos vejo que há muita confusão sobre os vinhos da região. A maioria não se dá conta de que são muito diferentes os vinhos do norte e do sul. Eu diria que de igual só o nome Rhône.

Há vinhos daqui em todas as prateleiras de supermercados do Brasil e do mundo. Há vinhos nos mais diversos estilos, uvas e qualidade. Há para todos os gostos e bolsos. 

Se tiver vontade de conhecer o berço de uvas muito interessantes como a Syrah, Viognier, Cinsault, Grenache e outras menos conhecidas, como a Roussane e Marsanne temos que descobrir as pequenas vilas, vinhedos e produtores do Rhône, usando, necessariamente, uma motinho como meio de transporte. Não há nada mais libertador para explorar esta fantástica região do centro sul da França.

Assim como a Borgonha aqui temos vários produtores com poucos vinhedos fora o terroir muito facetado.

Há, na verdade, dois Rhône bem distintos. O Rhône norte e o sul. Ambos completamente diferentes entre si, desde o clima, solo, topografia até uvas e estilos de vinhos e, principalmente, o preço que se paga por eles.

O rio Rhône que nasce no centro sul da França e deságua no Mediterrâneo na região de Marselha, cidade portuária, a segunda cidade em tamanho na França e a mais antiga delas. Pelo Rhône subiam, para o centro da Europa as especiarias vindas do Oriente e desciam as mercadorias vindas do norte do continente.

Assim sempre foi importante rio para a história econômica e cultural da França e, porque não dizer da Europa. Lyon é banhada por ele. Lembrem-se que Lyon é considerada é um dos centros gastronômicos do mundo quando falamos de escolas e estilos. Cidade fundada pelos Romanos em 43 A/C com o nome de Lugduno, para ser capital da Gália. Sempre foi o centro cultural e econômico do centro sul da França.

rhone map

Vamos aos dois Rhône? Neste artigo falo sobre o norte.

RHÔNE NORTE

A topografia é típica de vale ao melhor estilo Douro. Vinhedos plantados em fortes declives, no sistema de socalcos, isto é trilhas lapidadas no duro chão de pedras em fileiras descendo o vale. Há locais mais ingrimes outros menos. O clima continental bem definido. Invernos muito rigorosos e verões curtos, secos e  ensolarados e com boa diferença de temperatura entre o dia e a noite, principalmente nos vinhedos mais altos. O solo como dito pedregoso com excepcional drenagem. Lembrando que as raízes de um vinhedo tem fácil mais de 4 metros. Aqui a máxima se repete, Uva boa é de videira que sofre.

FRANÇA COTIE ROTIE

As principais regiões são:

HERMITAGE:  E sua pequena cidade Tain L’Hermitage, na parte mais alta está o coração do vale do Rhône norte. Mais uma vez em suas encostas, desta vez de quem sobe o Rhône no seu lado leste, estão plantados estes magníficos vinhedos. Só a foto acima já bastaria para alegrar o dia.

Na parte mais baixa do vale perto do rio está Crozes-Hermitage, a cruz do eremita como fica mais abaixo muda o terroir que passa a receber mais umidade, menos diferença de temperatura entre dia e noite e solos não tão bíblicos como os da foto. Aqui três uvas ditam as regras. Duas brancas não tão conhecidas como a Roussanne (produz brancos untuosos, ricos em aromas, nativas desta região) e a Marsanne (nativa da região, mais ácida e cítrica traz frescor e vivacidade no corte com a Roussanne) e a internacional Syrah que encontra no Hermitage somente um concorrente o vizinho Cotiê Rotie.

PARA LER SOBRE A SYRAH 

COTIÊ ROTIE: Literalmente costa torrada pela cor alaranjada do solo e pelo sol inclemente no verão. Os vinhedos são plantados em sistemas de plataforma, ao longo do vale do Rhône, voltados para o sudeste recebendo do sol toda a sua contribuição e protegendo-os dos frios ventos do norte. Dali saem tintos extremamente robustos, entretanto, um robusto natural nada de sangrias desatadas dos vinhos andinos, cor vermelho escuro, quase negra, nariz muita fruta seca e especiarias, principalmente pimenta, pimentão e em alguns casos dependendo da madeira tostado, café e ao final couro.

CONDRIEU: Terra nativa da Viognier. Condrieu, vizinha a Côte Rotie, mesmo clima continental, mesma disposição das vinhas, em solo granítico, descendo geometricamente as paredes do vale do Rhône, sempre voltadas para leste. Tem sua produção baseada na casta branca Viognier, até pouco tempo atrás bastante desconhecida.

A história de Condrieu se confunde com a história dos vinhos do Rhône norte. Conhecido e apreciado desde os tempos papais de Avignon sempre foi citado e registrado como um dos grandes vinhos da França. Tempos difíceis depois, a filoxera, as duas guerras mundiais o desenvolvimento industrial do Vale do Rhône norte deixaram os vinhedos de lado. Um tanto abandonados os vinhedos de Viognier foram mantidos por alguns abnegados enólogos e produtores. Desde a década de 80 que a Viognier e, por consequência, Condrieu, foram restabelecidas e revigoradas.

PARA CONHECER A VIOGNIER

FRANÇA CORNAS

CORNAS: Cornas, nome deriva do Celta que significa queimado. Os vinhedos plantados nas encostas do Massif (Maciço Central) virados para o sul protegendo as vinhas dos frios ventos do norte com solos pobres em matéria orgânica e cor mais avermelhada (daí o nome). Geograficamente é o ponto final do Vale do Rhône norte.

Terra de bons Syrah que gosta de verões quentes e secos. Assim são produzidos vinhos, quando jovens muito potentes, fortes, volumosos e tânicos e desde logo demonstrando grande vocação para o envelhecimento. Aromas de chocolate e algo frutado. Mais velhos e evoluídos em ambiente com redução de oxigênio como as barricas de carvalho fazem com que ao final de alguns anos tenhamos um vinho, ainda muito elegante, macio e inesquecível com aromas de couro, trufas e especiarias.

Próximo artigo vamos para o Rhône sul e seus multi facetados vinhos.

Os vinhos do Hermitage são deliciosamente fortes e poderosos como a voz de Albert King

 

 

 

 

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