O Vinho e o Álcool. Por que Vinho é Prazer?


degustação 2

As vezes em forma disfarçada, as vezes de maneira explícita me perguntam sobre a minha relação entre o vinho e o alcoolismo. Se pelo fato de escrever, pensar e provar vinhos quase todos os dias não estaria prejudicando a minha saúde ou mesmo me levando ao alcoolismo.

A resposta é mil vezes, não. E por várias razões que veremos ao longo deste artigo. Quando abro uma garrafa de vinho, seja pelo aspecto profissional, provas, degustações e análises técnicas ou mesmo para meu prazer, certamente não estou procurando o álcool, mas sim todos os prazeres e lembranças que só um vinho me traz.

Sabe eu chamo de caixinha de lembranças positivas. Ali guardo ao longo de minha existência todas as sensações e prazeres positivos. Desde um sorriso perdido até um livro inesquecível. Desde os aromas insondáveis de nossa infância até a enésima vez que ouvi uma peça musical que me dá prazer. Ali guardo tudo que foi e é positivo para mim. Um bom vinho tem o dom de abri-la imediatamente.

Nesta vida tão corrida, cheia de guerras e batalhas, muitas vezes temos que tomar várias decisões em pouco tempo. Resultado de tanto stress? Chegamos em casa cansados e precisamos nos reinventar para encontrar arte na rotina da vida.

Uma das minhas grandes ajudas, com as conversas com a família, a música e a culinária é o vinho. É como a visão de um oásis no deserto. Tuareg com sede.

oasis

O vinho é aprendizado de algumas faculdades que não nos ensinaram a desenvolver, como olfato e paladar. Nos ensinaram a falar, ler e escrever, mas não nos ensinaram a sentir e a cheirar. Ao ampliar o conhecimento sobre o vinho certamente estaremos redescobrindo a capacidade de cheirar e identificar aromas e sabores.

O vinho junto com a música e a culinária são os dos representantes de uma nação, povo, aldeia, rincão , enfim, é a demonstração, silenciosa, do local onde foi produzido. É uma viagem sem sair do lugar. Cultura, arte e história numa só garrafa.

O vinho traz muitas mensagens. Ao abrir um vinho que nunca apreciei sempre lembro do náufrago que colhe uma garrafa no mar. Qual será a mensagem que ela tem?

Quando estou na loja de vinhos, diante de tantas opções, pareço uma criança na seção de  brinquedos, fascínio é pouco, os olhos brilham e já imagino como seja este ou aquele vinho de acordo com a região onde foi elaborado.

Vinho também é paradoxo e contraste. Assim como representa a cultura, história e estória do local onde foi feito, alguns até são elaborados exatamente iguais a mais de 900 anos, ele representa, também, toda a inovação tecnológica possível, desde o vinhedo, com estudos sérios e profundos sobre clima, solo e desenvolvimento de clones desta ou daquela casta, passando por alta tecnologia na sua elaboração.

Mas quando abrimos a garrafa parece que estamos viajando no tempo e espaço, simplesmente estou ali no local onde foi feito.

Quanta alegria ao abrir um vinho do Porto? Um Borgonha, Um Piemonte, Um espumante ou um vinho nacional? Cada qual com uma mensagem a ser decifrada.E as harmonizações?

Um mundo que se abre para nós. Harmonizar vinhos é, no mínimo entender de vinhos, culinária e ter saído do lugar comum quando falamos em olfato e paladar. Quanta alegria sinto depois dos cursos que ministro e vejo o brilho e atenção dos olhos daqueles que me escutam.

Pensem no prazer de beber um rose de Provence e sintam-se no mediterrâneo, um Syrah com seus aromas de especiarias, um Malbec firme e forte como só ele e conseguimos ver a paisagem lunar de Mendoza com a cordilheira branca ao fundo, um Sauvignon Blanc do Loire e sintam a mineralidade deste vinho. Um Chardonnay de Chablis, frescor e acidez no ponto. Um  Sangiovese e seus taninos rústicos sempre presentes, quase a gritar por uma pasta.

Um Alentejano, vinho forte, encorpado lembrando em muitos casos um andino, enfim, há opções para todos os momentos.Vinho é confraternização, amigos, con(vivência), mesa e experiências compartilhadas.

Mas sempre tenho em mente a imagem deste oásis quando consigo abrir um bom vinhos com amigos, um oásis nesta corrida e maluca vida.

Como pensar em ser alcoólatra bebendo somente vinho? O alcoólatra é antes de tudo um doente compulsivo. Vai atrás do álcool pura e simplesmente. Porque iria pelo caminho mais caro? Aqui falamos em até 15% de álcool por garrafa. O alcoólatra quer mais muito mais por garrafa. Ele vai direto nas sociais bebidas destiladas ou nas populares, de acordo com seu bolso e disponibilidade.

O que devemos, sim, é quantificar a quantidade de vinho por rodada para não cairmos na degustação vertical desta foto, mas sim na correta degustação vertical que é experimentar um mesmo vinho com a mesma composição de uvas de um mesmo vinhedo em diferentes safras.

E como dizia Raul Seixas: Só não quero ter a loucura de ser um sujeito normal. 

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3 pensamentos sobre “O Vinho e o Álcool. Por que Vinho é Prazer?

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