Entenda o Merecido Reconhecimento da Carignan


UVA MAZUELO

Há uvas que jamais encontramos com expressão fora de seu local de nascimento, entre elas a Baga em Portugal. Há outras que somente em lugares longínquos vão desabrochar, como a Tannat ou a Malbec. Outras viajam bem mostram seu esplendor em outras paragens, entretanto, no seu berço ainda demonstram sua qualidade. Esta é a Carignan.

Nasceu e floresceu em Rioja nordeste da Espanha. Lá em terras secas e ensolaradas com grande diferença de temperatura entre o dia e a noite no final da sua maturação dá-se muito bem. Por lá é conhecida como Mazuelo. 

Conhecida Carignan, por ser originária da cidade de Cariñena, Aragon. Espalhou-se por toda a borda mediterrânea, indo da Espanha até a boca do Rhône. Fundamental uva do norte da África como Marrocos, Argélia e Tunísia. Porém, é uva de muitos nomes o que pode causar uma confusão bem grande.

É uma das tintas fundamentais aos vinhos do Mediterrâneo com a Monastrell (Mouvédre), Garnacha, também Riojana, (Grenache) e a Cinsault formam o quarteto de ouro do sul da Europa.m Outro detalhe importante são seus sinônimos. Principalmente, Mazuelo, também uma cidade de Burgos. Faz parte do corte clássico Riojano com a quase onipresente Tempranillo  e a Graciano

Possui um clone para a versão branca, a Carignan Gris muito plantada a leste da Catalunha Empordà e no outro lado, França. 

Ao exemplo da Grenache e da Mouvèdre, no Mediterrâneo produz vinhos com cores escuras, belo volume de boca, vinhos “gordos”, porém com baixa acidez o que às vezes a tornam, em varietal um pouco enjoativas.

Uva infelizmente mal tratada por muitos produtores, eis que muito vigorosa se não for bem planejada desde o vinhedo até a garrafa certamente teremos vinhos de baixa qualidade. Hoje com menos videiras por hectare e, principalmente, pela correta condução e cuidado destes vinhedos temos o que podemos chamar de renascimento desta casta. 

Os melhores sítios para encontrarmos esta uva são:

ESPANHA – RIOJA

Assim como a Garnacha nasceu em terras de Aragão no nordeste espanhol.

Na versão Riojana a Mazuelo não tão elegante e aromática, como a Tempranillo, porém, transfere aos cortes volume, cor, taninos e vocação para as barricas de envelhecimento.

Como disse acima e aqui friso é uva quer requer muitos cuidados no vinhedo. Espaçamento de videiras, podas secas e verdes, vinhas muito antigas. Aqueles vinhateiros que a ela se dedicam não perdem por esperar. São vinhos muito singulares e ímpares com o DNA de Rioja. Bons e não tão fáceis de encontrar no mercado brasileiro a versão varietal, entretanto a encontramos em inúmeros cortes de vinhos riojanos.

MEDITERRÂNEO

Seja ele francês, espanhol ou mesmo nas ilhas do Mediterrâneo, como Córsega e Sardenha aqui ela aparece em inúmeras e diversas versões. Desde os roses esplêndidos da Provence e Languedoc até versões varietais com muita categoria. Entra no corte com as outras tintas da região as já citadas Garnacha, Mouvèdre e Cinsault, seja para a elaboração de vinhos tintos como para os afamados roses. As terras mais quentes, ensolaradas e secas do Mediterrâneo favorecem e muito a qualidade de seu fruto.

CHILE -MAULE

MAULE

Agora estamos do outro lado do mundo. Mais precisamente no Maule nas portas da patagônia chilena. Aqui em estudo e mapeamento das famosas vinhas velhas do Maule ela apareceu com força total. A Carignan aqui desponta para o sucesso que sempre mereceu.

O Maule é a mais extensa região consagrada do Chile. Inicia a 250 quilômetros de Santiago e vai até as portas de Bio Bio e Itata, últimas fronteiras dos vinhos ao sul do país.

Desde a década de 90 que o Maule vem repaginando seus vinhedos e deixando para trás esta fama de quantidade sem qualidade. A antes quase onipresente uva Pais com suas videiras vigorosas produzindo muita quantidade está sendo substituída por outras uvas.

No vale do Maule a geografia começa a mudar radicalmente, termina o vale entre as cordilheiras e começam as planícies patagônicas.

Como a região é bem mais fria temos a formação das névoas que favorecem o aparecimento da Botrytis Cinerea, um fungo que desidrata o bago da uva é a chamada podridão nobre e seus fantásticos vinhos de sobremesa.

Especial atenção aos vinhos de videiras antigas como a da foto acima, especiais. Uvas que se dão bem por aqui, Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec e, a especial Carignan vindo de videiras antigas.

Estas vinhas antigas tem explicação. A Carignan era usada no corte com a mais antiga uva chilena, a Del Pais (Mision) para aportar acidez. A Mision veio com os primeiros religiosos e era plantada, em princípio para o vinho das missas diárias.

Pois bem, estas vinhas antigas de Cargignan estão a fazer o merecido e atual sucesso. Numa história muito parecida com a da Carmènére no centro norte do país. De esquecida a atual estrela. 

Aqui, no sul do Chile, os produtores se depararam com vinhas muito antigas. Muitas delas abandonadas por terem sido, no passado atacada por fungos e doenças vindas da umidade e frio. Impensável em outras regiões mais ao norte.

Na busca de novas terras e pela natural expansão dos vinhedos chilenos, os produtores, muitos deles adquirindo terras mais ao sul encontraram estes vinhedos antigos. Trataram, cuidaram e mapearam suas uvas e descobriram a rústica e resistente Carignan.

Produtores conhecidos como Odfjell e De Martino logo trataram de cuidá-la com o devido carinho. O resultado é este vinhos especiais e que hoje gozam do devido respeito a esta casta e ao esquecido Maule que a cada dia reaparece com sua força mágica.

Violeta Parra comanda a música.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s