Desvende o Dão – Portugal


PORTUGAL DÃO VINHEDOS

Estes vinhedos no Dão trazem uma bela ideia de como é o seu terroir.

Região montanhosa que nos traz vinhos tintos para lá de especiais com alta vocação gastronômica e brancos com acidez marcada, minerais e delicadamente aromáticos.

Para mim uma surpresa que o Dão ainda não tenha a fama e a reputação que merece, ao menos no Brasil. Talvez ofuscado pelo seu vizinho, o Douro. Entretanto, por aqui temos estilos de vinhos muito diferentes do quente e ensolarado Douro.

Justamente a delicadeza, leveza e elegância de seus vinhos me cativou e mais me enfeitiçou. Sempre que posso levo umas garrafas do Dão e nunca me arrependi.

Porém, não foi assim em décadas anteriores. Os mais velhos hão de lembrar que as prateleiras dos supermercados, no Brasil, foram invadidas por dezenas de vinhos muito semelhantes. Vinhos sem qualquer cuidado na elaboração e feitos exatamente com este objetivo. Vender a preços módicos. Felizmente este quadro mudou.

Mas, inevitavelmente, pensamos em Veneza que foi construída após a fuga dos habitantes do Vêneto com a derrocada do Império Romano. Fugindo dos bárbaros povos do norte refugiaram-se nas ilhotas onde hoje é Veneza. E para expandir as ilhas começaram a assorear o Mediterrâneo e temos o que é hoje uma das grandes cidades turísticas do mundo.

Falar do Dão é falar de vinhos tintos, brancos e espumantes. É falar de tintos elegantes muitos semelhantes aos estilo dos vinhos da Borgonha, França.

Tintos no Estilo Sedoso, leia aqui. Agradáveis, aromáticos e sedosos.

Os brancos também lembram a Borgonha. Muito delicados, levemente frutados e com acidez refrescante. É o Estilo Branco Frutado, veja

PORTUGAL DÃO MAPA DO VINHO

Vamos ao mapa do Dão.Viseu, a capital, é o ponto de partida para percorrer a região. Claro que os vinhedos começaram com os Romanos, sempre eles. Outro grande impulso que não podemos esquecer foram dos enólogos da Idade Média, os Monges Cistercieneses, por ali eles também deram sua colaboração. 

Por fim, uma revolução aconteceu no Dão. Quando da entrada do país na Comunidade Européia – CE em 1986. Este ano foi um marco para que a região abandonasse técnicas ultrapassadas, erradicasse castas indevidas. Passaram a respeitar o terroir, o senhor das vinhas, assim aproveitando-se de uma excepcional geografia para os vinhedos iniciaram a trabalhar com as castas locais, perfeitamente adaptadas e o resultado apareceu em pouco mais de uma década.

Repito, nós brasileiros, precisamos esquecer da invasão de décadas atrás de vinhos ordinários que vieram do Dão e invadiram as prateleiras dos supermercados. Estes vinhos de qualidade duvidosa fazem parte do passado.

Hoje há, no Dão, desde gigantes como a Dão Sul até produtores bastante pequenos, mas todos com a qualidade a aumentar a cada safra. Nada como o resgate de uvas nativas, perfeito domínio das técnicas de cuidado e condução dos vinhedos e, ao final, modernas vinícolas para nos trazer o que a região tem de melhor.

Região montanhosa, vinhedos plantados em alturas que variam de 400 metros até 700 metros. Clima frio no inverno com verão quente e seco e cortada por dois rios principais, o Mondego e o Dão a colaborar para as condições perfeitas para a vinha.

Os tintos são de corpo médio, álcool em torno de 12/13 graus, sedosos, lembrando os Pinot Noir, só que com mais vigor e dureza que este último. Os brancos minerais, aromáticos e refrescantes. Delicadeza é a palavra que expressam seus vinhos. Claro que as características de seus vinhos são recebem reforço de uvas nativas de grande representatividade.

ALFROCHEIRO

Grandes, únicos e ímpares vinhos elaborados com esta casta. Perambula pelo Alentejo, Tejo, Bairrada e Dão. Porém, no Dão ela desenvolve o pleno de sua existência. Nas sub-regiões do Dão, como Nelas e Serra da Estrela dá-se melhor.

Grãos pequenos e cachos cheios e apertados somada a casca fina a uva é muito suscetível à umidade e as suas consequências como fungos e algum apodrecimento em climas chuvosos.

Quando nas condições ideais temos vinhos tintos escuros, uma característica da uva, aromáticos, frutados e com enorme vivacidade pelo equilíbrio entre açúcar, álcool e acidez, aliás, os pilares de um bom vinho tinto. Boa vocação para as barricas e nos melhores exemplares alguns anos de guarda.

TINTA RORIZ 

Chamada no sul de Aragonez e na Espanha de Tempranillo. É uma casta de alta qualidade e produtividade que se dá em solos ricos e temperaturas médias. O vinho resultante é de menor intensidade corante e o aroma é intenso e complexo. Os seus taninos dão ao vinho certa adstringência, força e agressividade.

Os fortes e maduros taninos levam a vinhos com grande vocação para guarda. Os vinhos com esta uva dependem muito do clima onde estão os vinhedos. Se mais fria a região nos dão vinhos mais leves, menos escuros e mais ácidos. Se os vinhedos estão em regiões mais quentes, ao contrário, mais encorpados escuros e densos. Vinho bom de beber, em geral de médio corpo e aromas que remetem a frutos vermelhos e algo de tostado, em geral das barricas nas quais estagiaram.

JAEN 

Chamada no noroeste da  Espanha de Mencía. Agrega álcool, cor e aromas aos vinhos do Dão. Em casos especiais é vinifica sozinha por alguns produtores. A Jaen em Portugal onde está nos cortes dos vinhos do Dão e tida como parente da Cabernet Franc, anda na Espanha, na vizinha Bierzo com o nome de Mencía.

Uva bastante eclética dependendo do terroir produz vinhos desde os mais leves até os encorpados e barricados. Tudo depende do cuidado com os vinhedos e de sua localização, ou seja, terroir de clima ameno ou quente.

TOURIGA NACIONAL

A grande uva tinta por excelência de Portugal. Principalmente porque circula e está adaptada, senão a todas, quase todas as regiões portuguesas.

Se aprecia um bom Cabernet Sauvignon vais gostar da Touriga Nacional. 

É a casta mestra dos vinhos tintos do Dão onde é seu berço. Vinhos de cor escura e aromas muito marcantes de frutos vermelhos. Bastante tânica produz vinhos com vocação para a garrafa e, quando domados, vinhos sedosos, firmes e com bastante volume na boca.

ENCRUZADO 

Dão terra de tintos uma branca é destaque. Pense naquelas uvas que só nos ofertam o seu melhor no local em que nasceram. Pense naquelas uvas que produzem vinhos especiais, desde que acariciadas e bem cuidadas.

Acariciada desde os vinhedos nos traz vinhos de alta qualidade, cor amarelo palha, nariz de amêndoa e frutos secos. Na boca acidez média, seco e muita delicadeza.

Uva com grande capacidade de guarda. Pode-se apreciá-la muitos anos depois de engarrafada. Algo perto dos oito anos

É bom não servir muito gelado pela sua delicadeza, caso contrário, perderemos muito aroma e gosto. 

Pois bem, para sair da rotina por que não experimentar um branco do Dão com a uva Encruzado? Um bom vinho com a Encruzado me faz ouvir Billie Holliday.

 

 

 

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