5 Dicas para Conhecer Alguns Vinhos Portugueses


PORTUGAL MAPA

Portugal terra de infinidade de uvas nativas. De vinhos dos mais variados estilos, uvas e preços. Terra de contrastes geográficos e climáticos. Terra do poeta maior Fernando Pessoa. De doces mágicos e amigos fraternos. 

Pretendo indicar alguns locais para serem visitados. Sei que deixarei de lado inúmeros sitios que merecem uma visita detalhada. Mas se assim o fizer longo demais seria este texto.

Optei, então, por realçar cinco pontos turísticos menos conhecidos, entretanto, entendo ser essenciais para perceber um pouco dos singulares vinhos de Portugal. Vinhos que em nenhum outro local do mundo vamos encontrar.

COLARES – NOS ARRABALDES DE LISBOA

PORTUGAL COLARES 2

Enquanto existam estes vinhos únicos, diferentes, saborosos e inusitados. Tudo para dar errado está ali. Nada da cartilha tradicional da vinicultura. Olhem o vinhedo deste senhor acima, ele é bem diferente do normal. Vejamos porque.

Na  região vinícola demarcada do Conselho de Sintra, com seu terroir extremo e seus vinhos um tanto esquecidos está a Colares e seus vinhedos. Tudo conspira contra a uva. São vinhos raros e, infelizmente esquecidos por muitos. Podem ter certeza, a luta do homem é de arrepiar, a teimosia saudável, o amor aos antepassados e a adaptação com  a natureza deu e dá muito resultado.

Vinhas plantadas sem porta enxerto, olhem a foto, diretamente no solo e livres, desde sempre da filoxera. Um pulgão que destruiu vinhedos mundo a fora, inclusive as videiras de Portugal, aqui pelo terreno não fixou-se. Os vinhedos ali localizados nunca foram afetados, como Colares, entre a Serra de Sintra e o Atlântico, em chão de areia, por exemplo, nunca foi afetada pela Filoxera.

Vamos ao quadro: Imaginem ventos muito fortes o ano inteiro, forte influência marítima, sal e pouco sol em razão das névoas e umidade. Sabe-se que as uvas não gostam de nenhuma destas adversidades. Talvez uma ou outra branca. Mas quem dá as carta aqui é a singular TINTA RAMISCO. Seu solo preferido é a  areia de praia.

Mas como fixar a videira sabendo-se que ela é uma trepadeira? Cada cacho é elevado do chão com uma espécie de canudinho para que não fique em contato direto com o solo quente. Um trabalho para os que têm amor pela tradição. Por isto, há as uvas nativas chamadas de Ramisco (tinta) e Malvasia de Colares (branca) plantadas em solo franco e pré-filoxera. São protegidas dos fortes ventos por proteções de tela de palha de cana.

Com estes típicos e únicos vinhos pensemos na culinária local. Não pensem que os saloios sintrenses não nos reservam mais surpresas. Ah, e como reservam. Nas carnes temos o Leitão de Negrais um leitão criado na região e assado de várias maneiras nos restaurantes locais. Frutos do mar os mais variados, quem sabe um robalo, meio sumido aqui no Brasil, quem sabe um polvo como só os locais sabem nos servir.

AÇORES – E OS VINHOS DE CURRAIS

PORTUGAL AÇORES

Currais? Isto mesmo, as videiras são plantadas em currais de solo vulcânico. Nada parece com nada antes de aparecerem os primeiros verdinhos da teimosa videira. E vinho bom é de videira que sofre, aqui temos um bom exemplo. Suas terras formadas pelas lavas estão os vinhedos. São plantadas no meio das pedras em quadrados que lembram potreiros. A foto diz tudo de como são plantadas e colhidas as uvas. É hoje considerado patrimônio da humanidade desde 2004 em função da arquitetura e paisagens das ilhas.

Os vinhos de Açores mais famosos são os generosos  São feitos com a casta Verdelho a mesma que na Itália chama-se Verdichio e está na toscana, Sicília e Córsega. É uma casta que se dá muito bem nas ilhas porque aguentam bem o sol e a maresia. São plantados na Ilha de Pico e na Terceira, na região de Biscoitos, onde temos o vinho generoso de Biscoitos.

BAIRRADA – E A SUA BAGA CASTA ÍMPAR 

UVA BAGA

Sim a Bairrada tem uma casta que somente lá encontrei com este vigor. Irascível como um cavalo selvagem e ainda que domada dá uma canseira danada ao produtor. Muito sensível a umidade forte que vem do Atlântico com seus bagos de casca grossa, mas muito apertados a umidade matinal que entra entre eles com o sol da manhã tendo a apodrecer os cachos.

Resultado, muitos temendo perder parte da produção a colhem antes do devido. Tendo, então, uma uva não perfeitamente madura. Lembrando que a uva amadurece, como os frutos, de dentro para fora. Então, as vezes exteriormente então maduras, mas internamente, não. Assim dão vinhos com muito tanino, muito duros.

Quando o produtor consegue as uvas perfeitamente maduras, certamente, nos trazem vinhos inesquecíveis. Eu tenho um vinho com a Baga como um dos cinco melhores vinhos que provei. Gosto de uvas de difícil cultivo, como a Pinot Noir, a Baga, a Aglianico a Nebbiolo e assim vamos.

A culinária local é baseada no famoso e imperdível leitão a Bairrada. Leitão à Bairrada é um dos pratos regionais mais conhecidos e apreciados da região da Bairrada, em Portugal, tendo sido nomeado uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal. Acompanhado de um Baga é essencial.

MINHO E OS VINHOS VERDES 

PORTUGAL VINHOS VERDES VIDEIRA

Mais uma região fantástica a ser visitada. No norte de Portugal o rio Minho faz fronteira com a Galícia (Espanha). Ali começou Portugal. A influência Romana é perceptível nos sítios antigos, nas estrada e pontes. O legado da turma de César está em toda a parte. Também é terra de um vinho muito único e especial, os vinhos verdes, chamados assim não por que colhidos de uvas ainda verdes ou somente de uvas brancas, até porque temos o vinho verde tinto com a uva Vinhão. 

São chamados assim porque é uma região fortemente influenciada pelo Atlântico. Umidade o ano todo nos traz vegetação o ano todo, portanto uma região verde. Tem por característica terem pouca graduação alcoólica em razão da isolação moderada nos meses de maturação do fruto, assim alcançam menos graus de açúcar e menos álcool. Mais refrescante e com uma característica interessante, leve liberação de C02 nos trazendo minúsculas bolinhas e um ataque estilo agulha na boca, uma delícia refrescante nos dia mais quentes.

Quem sabe uma visita a Monção no extremo norte do país sentido o clima de cidades medievais com suas muralhas, o rio Minho e uma visita ao Palácio da Brejoeira. Ali podemos apreciar um dos expoentes dos vinhos verdes. O Palácio da Brejoeira. Um vinho 100% Alvarinho a versão portuguesa da Albariño. Um show, um clássico no mundo dos vinhos. Algo a ser realmente apreciado, imaginado, interiorizado e agradecermos ao Divino por estar na frente de um dos melhores vinhos brancos que há neste mundo.

Culinária? Vá e descubra nas ruelas das cidades antigas os melhores locais para, sem frescura alguma, se deleitar com peixes frescos, mariscos, polvos, lulas, embutidos e tantas outras maravilhas que servem de escudeiras destes vinho maravilhosos.

Experimente, também, aqueles vinhos verdes feitos em varietal ou mono casta de Loureiro, Trajadura e Avesso entre outras. Esta a dica para o norte de Portugal. 

SETÚBAL – DE VOLTA AOS ARREDORES DE LISBOA

MOSCATEL-DE-SETUBAL

Península de Setúbal, para mim lembra, imediatamente, o Moscatel de Setúbal, um dos meus preferidos vinhos doces, bem como o vinho Periquita, o primeiro amor por vinhos portugueses.

Mas não deve ser lembrado só por isto, mas sim por ser uma das regiões vinícolas mais antigas de Portugal, seja por ser litorânea, seja por ser mais ao sul do País onde aportaram os Fenícios e outros povos antigos que trouxeram as primeiras vinhas para Portugal.

Agora, falar de Terras do Sado é lembrar do Moscatel de Setúbal feito com a casta Moscatel ao estilo dos vinhos fortificados. São de tonalidade laranja, nariz floral e na boca casca de laranja e lima-limão. Ficaram famosos como os Torna-Viagem pois eram, no tempo do império muito vendidos para o Brasil, mas os que não o  eram voltavam nos navios para Portugal. Aí notou-se que o sacolejar das ondas e as trocas de temperatura nas barricas melhoravam bastante este vinho. Este vinho doce compro e consumo com regularidade gosto muito de tomá-lo a noite quando dá vontade de beber algo docinho, vai muito bem com queijo Gorgonzola.

A culinária local A acentuada diversidade paisagística e cultural traduz-se numa gastronomia muito variada. Esta região produz um dos mais prestigiados queijos portugueses – o queijo de Azeitão parceiro para os doces como Fogaças de Palmela, Pastéis de Moscatel, Pêras Cozidas com vinho Moscatel. Tudo isto com uma paisagem de tirar o fôlego.

 

 

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