Descubra os Segredos da Divina Gewürtztraminer


UVA GEWÜRTZTRAMINER

Com a Moscatel e a Malvasia compõem não só uma uva, mas uma família. A família das doces e aromáticas. Também tem origem muito antiga na Grécia ou Oriente Médio. Veio para a Europa através dos mercadores italianos, via Mediterrâneo ou mesmo pela rota da Seda.

Diferente das outras duas se instalou na parte germânica da Europa, norte da Itália, antigo Süd Tirol, Alemanha, Áustria e leste da França (Jura e Alsácia).

Também possui mais ramificações que as suas amigas anciãs. Há mutações e não clones em atividade. Por mutações podemos entender a polinização com diversas outras uvas gerando diferentes membros da família, porém, nada que haja interferência direta do homem como os cruzamentos.

Interessante que o nome chave Traminer, tem origem no, hoje norte da Itália, Alto Ádige, com base na cidade de Termeno, mas na época do Império Áustro-Húngaro, conhecida como Tramin com o sufixo er dando a entender como posse originária da cidade de Tramin.

Mais há uvas espalhadas pela Europa germânica que são parentes entre si, eis que a mãe é a mesma, mas com variações em aromas e gostos, veremos. 

Nomes como Gewürtztraminer, Roter Traminer, chamada, no Jura, extremo nordeste francês de Savagnin Rosé e Gelber Traminer, são muito próximas entre si e cada qual com seu papel em seus terroir. 

Há, na verdade dois troncos da mesma mãe (Traminer):

A Traminer Branca que se subdivide em branca e amarela. Em língua germânica temos: Weisse Traminer e Gelber Traminer (Savagnin Blanc, sim ela mesma importante uva do clássico vinho amarelo o Vin Jaune).

A Traminer Vermelha, a Roter Traminer (Savagnin Rosé) e a Gewürtztraminer. Finalmente apareceu a nossa amiga.

Além da cor da sua casca qual a diferença entre elas? A capacidade aromática a mais conhecida capacidade desta uva. Quem em sã consciência não se lembra da fantástica explosão de aromas de uma Gewürtztraminer?

Pois então, as Traminer de casca clara, as chamadas de Weiss e Gelber com a versão gaulesa (Savagnin Blanc) são as menos aromáticas e com acidez mais elevada. As de casca avermelhada, Gewürtztraminer, Roter Traminer (Savagnin Rosé) justamente o contrário, são muito mais aromáticas e com acidez mais baixa.

A GEWÜRTZTRAMINER

Parece ter crise de ter crise de identidade. Possui a casca vermelha, mas produz um vinho branco de excelência máxima.

Tem nome alemão mas nasceu em Traminer, hoje, Itália, Alto Ádige, antigo Süd Tirol do império Austro-Húngaro, mas faz um sucesso danado na Alsácia, França.  Para muitos difícil de falar o nome, mas muito fácil de se apaixonar pelos seus vinhos. Esta é a Gewürtz (especiaria) em alemão Traminer (da região de Tramin-Itália).

Se a Sauvignon Blanc   vai do vinho com acidez marcante, estilo lima-limão, até os minerais. A Gewürtztraminer segue, dos vinhos levemente minerais e de acidez mais baixa até espetaculares vinhos tardios, principalmente os alsacianos, alemães e austríacos.

Como todas  as uvas brancas de casca vermelha, entre elas a Pinot Gris e a Vermentino  produzem vinhos de um amarelo dourado inebriante  muito aromáticos e de acidez média baixa.

Representante máxima do Estilo Branco Aromático. Cuidado ao abrir um bom vinho com esta uva, logo surge uma explosão de aromas que vão das frutas ao frutos secos.  Na boca outro show. Na ponta da língua o seu adocicado característico e ao fundo a acidez bem-vinda. Experimente encher a boca com este vinho e deixá-lo lá por uns instantes. É  um caleidoscópio de sabores e aromas. 

Mas ela tem seus caprichos. Sua produção é baixa o que faz com que muitos não a plantem. Não se adapta fácil em qualquer lugar.

Alcança seu potencial máximo na Alsácia, mas pode ser encontrada com qualidade na Itália, Alto Ádige, Austrália, Nova Zelândia, EUA e, com critério, no Chile e no Brasil, isto mesmo. O Brasil em tempos idos foi um bom produtor desta casta, principalmente na fronteira com o Uruguai. Há dois lugares que eu destacaria como especiais para esta uva.

FRANÇA-ALSÁCIA 

FRANÇA ALSÁCIA 3

A Alsácia no extremo nordeste francês, fronteira com a Alemanha, produz a parte da elite mundial dos vinhos brancos. Bela e única Alsácia. Pequena região francesa que une a pragmática Alemanha com o charme da França. Fronteira móvel, região que sofreu muitas guerras ao longo da história já foi da Alemanha e depois voltou para a França, por duas vezes, e sempre entremeada de guerras, hoje é um amálgama perfeito entre estes dois países.

Pode-se dividir a Alsácia em duas, a alta Alsácia, cuja cidade principal é Colmar e a baixa Alsácia com a capital Estrasburgo. Do lado oeste está o maciço de Vosges e do lado leste o rio Reno dividindo o país com a Alemanha. Prensado e protegido dos frios ventos está à alta Alsácia, epicentro dos melhores vinhedos da região. A importância do Vosges é fundamental para o sucesso dos vinhos desta região.

Em seus 170 quilômetros de extensão produz vinhos brancos secos e bastante aromáticos e uma combinação ímpar entre açúcar, acidez e álcool, sendo um dos melhores, senão o melhor berço das castas brancas no mundo.

Minha região favorita em se tratando de vinhos brancos. Tem de todos os tipos, do mais seco ao mais doce, do mais aromático ao mineral, incluindo aí seu Crémant (sparkling). As principais uvas são: Gewürtztraminer, Riesking e a Pinot Gris.

ITÁLIA – ALTO ÁDIGE

Tramin, berço da Gewürtztraminer é uma das pequenas cidades da região. 

ITÁLIA ALTO ÁDIGE VINHEDOS

O Alto Adige,  junto com Veneza e Veneza Giulia formavam o reino de Veneza as três venezas, a trentina, Veneza e a Giulia, hoje Friuli. Ficam no extremo norte da Itália.

O Alto Adige, também chamado de Süd Tirol durante muitos anos terra austríaca. É também a Itália bilíngue, ali o alemão e o italiano são línguas oficiais.

Região montanhosa, ali ficam as famosas Dolomitas que durante a segunda guerra mundial tirou vidas de muitos soldados, mas também de inúmeros vales com o clima indo dos Alpes até as planícies perto do Mediterrâneo.

Vários climas e micro-climas pela região montanhosa temos vários estilos de vinhos e uvas. Cada qual com seu lugar preferido. Os brancos desta região são adoráveis e, para mim, estão na elite mundial.

Música? Assim como a complexidade numa só uva é a polifonia de Vivaldi nas mãos de um homem só. Com vocês, Hrustevich

 

 

 

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