A Importância da Cinsault. Onde estão seus Melhores Vinhos?


UVA CINSAULT

Falar Há uvas que nós pensamos ser do estilo uva menor, sem importância, mas estamos muito enganados. A Cinsault é uma delas. 

Uva de casca grossa e amadurecimento tardio necessita de muito sol para amadurecer corretamente. Para que possamos amadurecer esta casca grossa repleta de taninos, somente muito sol. 

Falar da Cinsault, também,  é falar de uma uva com muitos sinônimos. O nome mais importante que ela tem, infelizmente, é o menos conhecido Hermitage.

Tinha este nome no sul da França antes da expulsão dos Huguenotes por questões religiosas. A turma depois de expulsa da Gália foi parar na África do Sul no final dos anos 1.400. Levando, além da Chenin Blanc a Cinsault que lá ganhou o nome de Hermitage. Depois no cruzamento com a Pinot Noir nasceu a famosa Pinotage, uva ícone daquele país.

Mas vamos ao objetivo da publicação. A Cinsault. Como disse ama o sol. Uva de maturação tardia precisa de muitas horas de insolação para que os taninos estavam perfeitamente maduros. Assim sua localização ideal é a longa área que margeia o Mediterrâneo, tanto em terras espanholas, mas principalmente, no Languedoc-Roussilion, onde é uma das três uvas de ouro com a Uma das três uvas de ouro do Mediterrâneo europeu junto com a Mouvèdre (Monastrell) e a Grenache (Garnacha)

Importante uva na composição dos roses do Languedoc-Roussilion e nos cortes de vinhos tintos. Aqui ou ali a encontramos em varietal.

ROSE 2

Olhem a composição destes roses ainda sem rótulo oficial. Assim como as outras uvas com fortes carga de taninos da região são carentes de acidez. Possuem volume, são vinhos plenos, cor escura, aromas marcadamente de frutos secos, como tâmaras e damasco, entretanto, acidez muito baixa e teor alcoólico mais elevado, consequentemente, em varietal raros são os que não são desequilibrados. 

Nos cortes, apresenta-se fundamental. Dá vida, volume e taninos para a guarda dos vinhos, tanto de regiões famosas como Rioja até novos terroirs do sul da Europa. 

Agora, em nenhum lugar do mundo mostra-se tão essencial como nos vinhos do norte da África, como Tunísia, Argélia e Marrocos.

ONDE ESTÃO AS MELHORES?

FRANÇA – LANGUEDOC-ROUSSILION 

LANGUEDOC WINE MAP

Um pouco da linda história do Languedoc. O nome da região tem origem antiga e do tempo dos Romanos. Aqui falava-se a língua de Ocitane. Falada pelos povos romanos e abrangia, desde a Provence a leste até os Pirineus e a Aquitânia a oeste. 

Aqui começa a história dos vinhedos na França através dos Gregos. Como não poderia deixar de ser Coteaux Du Languedoc recebeu influências de todos os povos que circularam pelo mediterrâneo, desde os gregos até os romanos  passando pelos fenícios. A área vai de Narbonne, oeste, até leste Cévennes. 

Os famosos ventos do Languedoc-Roussilion, são importantíssimos para criar os mais diversos microclimas e terroirs. O famoso Mistral, aos pés do Mont Ventoux (Monte dos Ventos) o grande desafio para os ciclistas na Tour du France, vento quente que desce do norte varrendo tudo que encontra pela frente, o Tramontano, na região central do Languedoc, é o frio e seco vento que vem dos Alpes, a oeste temos frio vento vindo dos Pirineus o Cers e o Mari (marinho) trazendo umidade e chuvas, influenciando nos vinhedos. Assim pensar no Languedoc é pensar nas mais variadas micro regiões para as diversas uvas.

Geografia que vai dos planos vinhedos marítimos até os de altura, nas montanhas debruçadas no Mediterrâneo. 

Chuvas distribuídas de maneira diferenciada, regiões como Narbonne, com chuvas acima da média e outras com chuvas abaixo da média, como em Nîmes, temperaturas variadas, assim como a incidência do sol nas mais várias costas do mar Mediterrâneo. Hoje vinhas espalhadas entre o mar e as montanhas. Vinhos de todas as cores e estilos, do tinto ao branco passando pelos roses e os espumantes (Crèmant de Limoux). 

Paraíso das uvas tintas que nos fornecem vinhos Estilo Frutado. Como as maravilhosas Carignan, Mouvèdre, Syrah e Grenache. Carignan cor e especiarias. Mouvèdre (Monastrel na Espanha): Cor, especiarias e taninos complexos. Syrah: Cor, especiarias, taninos e longevidade. Cinsault: Produtividade e muita fruta, refrescando os vinhos. Grenache: Cor, acidez e muita fruta.

Aqui a Cinsault ocupa lugar de destaque, principalmente, nas regiões mais a oeste do Languedoc e mais perto dos pés das montanhas. Aproveitando o sol inclemente e proteção natural aos frios ventos do norte.

Para mim o ápice é Minervois, gravem este nome. Minervois (Minerva), não é por nada que tem este nome. Nesta região os romanos andaram, estiveram e plantaram as primeiras vinhas da região.

Assim como o Lujan de Cuyo, em Mendoza, Argentina, as vinhas de Minervois, estão plantadas  no estilo anfiteatro, isto é, em semicírculo e escadas de altura, numa média de 100 quilômetros do Mediterrâneo, mas voltado para ele e recebendo todas as suas influências. Mais perto do oceano Atlântico, protegido de seus frios ventos pelos Pirineus. E com vinhas em altura média de 300 metros.

ÁFRICA DO SUL  – PAARL E STEELENBOCH

Mais um entre tantos cruzamentos de laboratório. Aqui a união de duas uvas muito distintas entre si. As francesas Pinot Noir e a Hermitage (também chamada de Cinsault). Tida, por muitos, como uva ícone da África do Sul. Particularmente penso que a branca Chenin Blanc me trouxe muito mais surpresas positivas que a Pinotage.

A Pinot Noir muito conhecida de todos. Nativa da Borgonha, onde alcança o seu esplendor. Uva manhosa, sujeita aos humores do tempo, pode, em poucos meses por tudo a perder. Dizem que o diabo fez a Pinot Noir e Deus a Cabernet Sauvignon. Tem por característica principal a sedosidade, baixo índice de taninos, aromas muito sutis de frutos vermelhos e nos melhores vinhos algo de carne maturada, isto mesmo.

A Cinsault (Hermitage) nativa do sul da França é uma uva muito rústica, De maturação tardia precisa de muito sol para poder expressar suas características. Plantada, também, no norte da África e no Oriente Médio, onde é a uva chave do famoso Château Musar, portanto, aguenta muito bem os rigores do clima. Normalmente são usadas em corte com a Grenache, Mouvèdre e Syrah.

Mas e a Pinotage? Sim, agora podemos falar dela depois das características dos pais. A Pinotage, então, é uva forte o suficiente para enfrentar climas variados, aliás, uma das características da África do Sul, os microclimas em razão dos vales e montanhas. Além da proximidade ou distância das vinhas do mar.

Os melhores locais para a Pinotage são os consagrados terroirs da África do Sul. Os vales de Steleenbosch e Paarl de 100 a 200 quilômetros a nordeste da Cidade do Cabo. Ali, há vários micro climas que favorecem aos dois estilos mais consagrados da Pinotage. Os de terroir de clima ameno uma Pinotage mais elegante, lembrando a Pinot Noir, menos fruta e álcool. Já os de climas mais quentes teremos uma Pinotage mais imponente, presente, porém, com mais álcool e fruta.

Vinhos Estilo Tinto Frutado me lembram a caliente La Buika.

 

 

 

 

 

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