Saiba os Segredos do Vinho Evoluído


VINHAS ANTIGAS GODELLO

Quer se queira ou não alguns conceitos e elementos devem ser bem entendidos para que possamos usufruir melhor do nosso vinho. Tudo para trazer mais conhecimento sobre o vinho.

Falamos nas duas últimas publicações sobre as barricas e os taninos. Agora veremos os efeitos do tempo no vinho. 

Tudo para cumprir um dos objetivos deste blog que é desmistificar a nossa bebida favorita. Lembrando que a palavra mito tem muitas variáveis.

Mito vem do grego Mythós que tinha vários significados dentro de um conceito: Discurso, mensagem palavra, assunto, invenção, lenda, relato imaginário. 

“Mistério” vem do Grego Mýein, fechar, especialmente os olhos. Quando uma pessoa era iniciada em algum ritual que exigisse segredo, ela devia se comportar como se estivesse com os olhos fechados quando lhe foram apresentadas aquelas informações. Seu significado atual gira em torno de “desconhecido, intrigante, não esclarecido”. 

De Mýein se fez a palavra Mýstes, “iniciado nos mistérios”, de onde derivou Mystérion, “doutrina secreta, arcano, culto secreto”. “Místico” deriva daí e tem o sentido de “obscuro, secreto, possuidor de propriedades mágicas, ligado a ritos esotéricos” e por aí vamos.

Pensem um pouco nestas palavras e veremos como “viajam” alguns no mundo do vinho e como são traumáticos para os iniciantes  certos primeiros encontros com o vinho nas mãos de quem só cria confusão.

Uma das gêneses deste blog foi exatamente trazer o vinho ao mundo real das pessoas. Mostrar porque ele acompanha há milênios as mesas de amigos, conhecidos ou mesmo de um povo. O vinho é algo simples, o que não deve ser entendido como algo fácil.

Munidos das informações corretas e seguindo amigos com mais experiência e que não queiram complicar, certamente, qualquer um poderá usufruir do que ele tem de melhor, o prazer.

O TEMPO NO VINHO

Todos os vinhos envelhecem, isto é certo. Entretanto, alguns envelhecem com saúde. Muitos pensados para ser assim outros uma surpresa geral. 

Interessante lembrar: A quase totalidade dos vinhos que vemos hoje nas lojas especializadas, supermercados, vinícolas, etc foram feitos para serem consumidos em dois ou três anos, não mais. Todo o roteiro desde o nascimento da uva até a garrafa foi pensado para ter giro rápido, preço mais baixo e assim sustentar os produtores. Assim, antes de sair por aí pensando que todos os vinhos que estás comprando vão envelhecer com saúde, cuidado.

QUANTO MAIS VELHO MELHOR?

PARA OS TINTOS

Existe uma ideia de que o vinho com o tempo só melhora. Nem sempre é assim. Há vinhos que o tempo pouco ou nada agregará ao vinho.

A pergunta certa é: Como posso saber se um vinho irá evoluir com o tempo de garrafa?

Há vinhos que podemos identificar se têm potencial de envelhecimento. E a grande chave da vocação para ser o vinho “evoluir” com o tempo são os taninos. Leia aqui.  

Os taninos são os pilares de um prédio, quanto mais reforçados mais solidez terá a construção. Nos vinhos é igual. Estes taninos são quando jovens são agressivos e mal educados e são “domados” com a lenta oxigenação, seja ela pelas barricas e no descanso longo e silencioso em local para lá de adequado, nas garrafas, neste caso, a oxigenação se dará pelas rolhas de cortiça, único material elástico (vedante) e poroso aos mesmo  tempo.

Desta maneira uma das dicas é procurar vinhos cuja uva tenha grau alto de taninos e o vinho seja elaborado por produtor honesto e cuidadoso. Vá atrás de vinhos elaborados com as seguintes uvas  Tannat  Cabernet Sauvignon são dois exemplos fáceis de serem encontrados.

PARA OS BRANCOS 

E os vinhos brancos? Como posso saber que o tempo irá ajudar a melhorar o vinho?

Em primeiro lugar esqueçam o pensamento geral de que os brancos devem ser bebidos um ou dois anos depois da safra. Esta ideia vale para parte dos vinhos brancos.

Mas há alguns com a uva Sémillon e a Riesling  entre outras que possuem capacidade de guarda para 10 anos ou mais. Em alguns casos somente “arredondam” depois de 8 anos.

Mas qual a chave para este envelhecimento com saúde?

É a acidez. Quando perfeitamente maduras as uvas, isto é com os taninos internos (sementes) estiver maduro, mas mesmo assim, serem uvas que mantêm acidez alta. Quando jovens vinhos muito rascantes, quase intragáveis. Esta acidez ao longo dos anos irá transformar este vinho em algo inesquecível. Sai  a acidez entra a untuosidade, o volume e corpo do vinho branco. Aqueles aromas cítricos e herbáceos transformam-se em aromas mais adocicados, lembrando pão de mel e frutos secos.

QUAIS OS EFEITOS DO TEMPO NOS VINHOS? 

O primeiro grande efeito chama-se oxidação. Eu prefiro chamar de evolução. Oxidação me lembra ferrugem, me lembra algo imprestável. Vinhos com toques de oxidação são vinhos evoluídos. A evolução o altera. Vinho jovem é muito diferente de vinho evoluído.

E ela é algo ruim? Para aqueles vinhos que não foram pensados para durar mais de 5 anos de garrafa a evolução é mortal. Perdem a vivacidade (boca), ficam opacos (cor), aromas neutros ou mesmo de oxidação.  Mas vamos pensar naqueles vinhos que foram criados para evoluir ao longo de uma década.

Este vinho é uma obra de arte. Desde o cuidado inicial de qual uva utilizar vinda de qual terroir, passando pelos minuciosos cuidados com a videira até que elas  cheguem  em perfeito equilíbrio e sanidade na vinícola. Depois na vinícola as técnicas adequadas de elaboração do vinho tudo no maior cuidado com os detalhes.

A EVOLUÇÃO NA TONALIDADE DO VINHO

NA COR

O vinho tem três cores básicas. Tinto, amarelo (branco) e rose. Entretanto, várias tonalidades destes três cores. Aqui a evolução modifica a tonalidade e intensidade das cores. Reforço que das três análises sensoriais, os aromas, o sabor e a cor a última é a mais desprezada e apressada das análises. Porém, é a que não tem subjetividade. Cor é cor e pronto.

TINTOS A oxidação (tempo) de vida de um vinho altera nos tintos. Passando da intensidade do vermelho com bordas violáceas para um vermelho sem tanta vivacidade e com bordas atijoladas. Os taninos quando envelhecidos fornecem este tom tijolo aos tintos. Se não houver mais um mínimo de brilho nesta tonalidade de vermelho. Há o óbito do vinho. 

BRANCOS Nos brancos quando jovens temos tonalidade de amarelo que vai do amarelo-oliva (bons Chardonnay) até o amarelo-palha, em geral os vinhos brancos refrescantes, como os Vinhos Verdes. Com a evolução o branco ganha tonalidades mais douradas, porém, com menor intensidade de brilho. Mas ainda mantendo uma jovialidade. Quando totalmente opaco o amarelo este vinho já morreu.  

NOS AROMAS 

Mas de onde vem os aromas? Leia aqui O Nariz do Vinho

Por que quando abro uma garrafa de vinho os aromas vão se modificando? Se modificam pela oxigenação. O vinho é um ser em constante evolução pelos mínimos contatos com o oxigênio. Mesmo as garrafas fechadas por muitos anos há a evolução nos aromas do vinho. 

Sai a explosão dos aromas e entram aqueles aromas mais fechados. Nos tintos temos o tostado das barricas, o toque de café e frutos secos em contraste com a anterior fruta vermelha que saltava no nariz. Nos brancos os toques herbáceos e cítricos dão lugar aos aromas mais delicados de nozes e avelãs e um toque levemente adocicado.

NA BOCA

BRANCOS Toda a aquela acidez descontrolada, as vezes intragável, como disse, dá lugar a uma elegância sem igual. Um vinho untuoso, amanteigado, levemente ácido para contrapor com uma doçura natural e bela. Inesquecível a experiência de um Riesling com mais de 5 anos de garrafa.

TINTOS Os rascantes taninos que darão suporte para uma velhice saudável quando jovens parecem potros selvagens. Agressivos, sem elegância alguma. A evolução amacia e traz sedosidade a estes taninos. Tornam o vinho amável e elegante.

Vinhos que envelhecem com saúde, são como certas pessoas muitas vezes é na velhice que se apresentam melhor.

Assim como Alberta Hunter que só conheceu o merecido sucesso na sua velhice.

 

 

 

Mas como se mostra a evolução de um vinho? Ora, os taninos, antes, duros e travados ganham sedosidade. O que era agressivo torna-se carinhoso.

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