A Moscatel


UVA MOSCATEL 2

Amada por uns, nem tanto por outros, porém desconhecida de quase todos. Uma das uvas que mais carrega preconceito por ser doce e aromática. Muitos, erroneamente, ainda imaginam que os vinhos doces são ruins ou de qualidade inferior.

Ao pensar assim não prestam atenção em dois detalhes.

Primeiro, há dois tipos de vinhos doces. Aqueles que a uva carrega em si mais doçura do fruto que outras, consequentemente menos acidez. Algumas aportam mais aromas, como a Moscatel.

Segundo, há outros vinhos em que se adiciona, no mosto, açúcar exógeno, em geral, de cana. Mais açúcar na fermentação é igual a mais álcool final, é o caso dos vinhos de mesa, a maioria feitos com uvas americanas. Leia aqui

Por esta razão muitos enófilos ou consumidores de vinhos acabam, sem experimentar, torcendo o nariz para importantes vinhos elaborados com esta casta. Pior ainda, desprezam a sua impressionante história para o mundo do vinho. 

Possuindo vários nomes, indo de Moscatel a Muscat, os mais conhecidos. Pode não ser tão famosa quanto a Cabernet Sauvignon, mas certamente sua história é muito mais rica que qualquer outra uva.

Sua grande desenvoltura, seja dos espumantes aos vinhos tranquilos, passando por fortificados a vinhos de sobremesa.

Mas, como se poderia esperar de uma variedade de uva conhecida dos antigos gregos e romanos, a família Moscatel é particularmente diversificada e ramificada. Vinda da Grécia foi para Roma Antiga onde ganhou a Europa. Espalhou-se pelos países vitícolas e se mantém até hoje pela sua competência e versatilidade.

Uma das mais antigas uvas vinificadas com regularidade que se tem notícia. Vai desde as escuras como a Moscato de Hamburgo, até as brancas como a Muscat e as tradicionais aí da foto acima Moscato Giallo (amarela). Existem mais de 200 variedades de Moscatéis.

Vamos a algumas delas e seus vinhos famosos.

Muscat Blanc ou Petits Grains uva plantada na França e vinificada pelo mundo com vários sinônimos, Moscato Bianco (Itália), Muscat Frontignan, (África do Sul), Moschato, (Grécia), Brown Muscat, (Austrália), Muskateller, (Alemanha e Áustria), Muscat de Grano Menudo, (Espanha).

Produz os melhores vinhos doces no mundo, seja em forma frisante ou espumante, como o Moscato D’Asti, o mais famoso deles. Bem como os vinhos de sobremesa por sobre maturação (Late Harvest Colheita Tardia) ou Botritizados aqueles atacados pela podridão nobre, A Botrytis Cinerea.

Lembrem-se que ela é uma das três uvas autorizadas a elaborar o Tokaj, um dos mais importantes vinhos de sobremesa do mundo. No seu país berço, a Grécia a Muscat Blanc é responsável pelos divinos vinhos doces da ilha de Samos e do Peloponeso.

FRANÇA – MUSCAT BLANC    

Compõe importante capítulo do vinho francês, como no sul da França, em regiões como a AOC Muscat de Beaume de Venise, Muscat de Saint-Jean de Minervois e Muscat de Frontignan, fortificado Liqueur Muscat na região vinícola de Victoria de Rutherglen na Austrália ou os vinhos do Wachau da Áustria.

Vamos falar do Moscato D’Asti.

ITÁLIA – MOSCATO D’ASTI

Asti é uma importante cidade para o vinho. Fica no norte da Itália, no Piemonte. Vejam no mapa. Ela está em bela companhia com a Cuneo, Barbaresco, Barolo. 

piemonte mapa

 Ali em Asti é elaborado um espumanti ao estilo Asti com esta uva. O estilo Asti correu o mundo na década de 70/80 onde foi copiado por muitos. O estilo consiste numa única fermentação em tanques de inox em processo muito semelhante ao charmat. Depois da colheita da Moscato há doi caminhos possíveis. Ou ele torna-se um vinho tranquilo com acidez interessante e um inapelável aroma de um moscatel. Algo floral e frutado. Ou ele irá transformar-se no espumanti Moscato D’Asti.

Como disse o mosto suco da uva depois de suavemente prensado e retirado cascas e sementes inicia o processo de fermentação. Quando alcançam 7 a 8 por cento de álcool interrompe-se o processo e com o C02 retido nos tanques de inox inicia-se o engarrafamento.

PORTUGAL – MOSCATEL DE SETUBAL

 O Moscatel de Setúbal, um dos mais tradicionais vinhos de Portugal tem sua região demarcada em 1907. Delimitada entre os concelhos de Setúbal, Palmela, Montijo e Freguesia do Castelo. Este é o “terroir”, berço do Moscatel de Setúbal. 

O Moscatel de Setúbal é um vinho licoroso, portanto logo ao início da fermentação do mosto deita-se aguardente vínica para estancar a fermentação e obter-se o alto índice de  álcool (em torno de 17 18 G/L) e doçura.

Existem dois tipos de Moscatel de Setúbal, o branco e o roxo, mais raro. 

Sabe-se que esta casta é originária da Grécia, tendo-se expandindo pelo Mediterrâneo a partir de Alexandria (Egito), possivelmente na época do Império Romano. Resistente à secura, é sensível ao míldio e ao oídio. As uvas Moscatel de Setúbal constituem a base do prestigiado vinho generoso “Moscatel de Setúbal” e são também utilizadas na elaboração de outros vinhos brancos. Há várias variedades de Moscatel no mundo, todas elas com uma importante concentração de compostos aromáticos, no entanto, são as da casta Moscatel de Setúbal que apresenta maior concentração e riqueza desses compostos aromáticos. Os aromas típicos são bem conhecidos: casca e flor de citrinos, mel, tília e rosa.

O Moscatel Roxo vinhos produzidos com esta casta apresentam um elevado grau de doçura, são muito aromáticos e de sabor persistente. O seu aspecto é bastante diferente da casta branca Moscatel de Setúbal. Os seus cachos são pequenos e compactos, de bagos redondos e tom rosado e de extrema doçura. Este vinho generoso possui um aroma mais seco e complexo, mas não menos rico, à prova excede as expectativas criadas pelos aromas exibindo um paladar finíssimo onde ressaltam as especiarias e as compotas de ginja e figo.

A MOSCATEL NO BRASIL 

Certamente uma das uvas mais importantes para o Brasil. É essencial na produção de espumantes. Desde os mais simples até o mais refinados.

Figura carimbada no paralelo 8, no Vale do São Francisco no nordeste brasileiro, onde a meu ver encontrou uma pátria adotiva e apresenta-se esplendorosa. A uva é elemento chave para alavancar o crescimento econômico e social de uma das mais novas regiões brasileiras produtoras de vinhos. Ali produz Moscatéis frescos, aromáticos e vivos, Espumantes no Estilo Aromático

Muita alegria na taça representando uma das regiões brasileiras com forte cultura, culinária e a beira de um dos mais importantes rios do mundo. Percorre cinco Estados brasileiros em pouco mais de 2.000 quilômetros de extensão. No Rio Grande do Sul, mais especificamente em Farroupilha talvez nove em cada dez espumantes sejam elaborados com esta uva. Certamente colaborou com a riqueza da região e a expansão do espumante brasileiro mundo afora. 

Infelizmente, alguns ainda não a entenderam. Torcem o nariz para os espumantes e vinhos produzidos com ela. Agem com preconceito exatamente na alma de um bom moscatel, seja em espumante ou vinho tranquilo. A delicada doçura na boca e os fantásticos aromas florais.

O que é fundamental, na verdade, é entender que este é seu DNA.

Na harmonização por contrastes é par perfeito um bom queijo Gorgonzola? 

Vinho é como roupa. Uma para cada ocasião. Os bons Moscatéis são para serem servidos sem compromisso nas beiras de piscinas, lagos, rios e praias foram feitas para curtir a vida.

Para aproveitar a vida nada melhor que Tim Maia. 

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3 pensamentos sobre “A Moscatel

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