Vinho Gran Reserva será sempre melhor que os outros? Mito ou Verdade?


ARGENTINA VALE DE UCO 1

Este é o Vale de Uco, Argentina de onde vem vinhos que passaram por barricas e são muito harmoniosos.  Antes de tudo é fundamental discorrer sobre alguns conceitos. Vinho bom, vinho ruim, vinho caro ou barato são conceitos subjetivo. Para mim não tem vinho bom nem ruim. Tem vinho estragado ou não. Vinho bom é aquele que te dá prazer.

Ocorre que há vinho desequilibrado ou não. A harmonia de um vinho branco deve ser pensada no perfeito equilíbrio entre acidez e açúcar. A de um tinto entre acidez, taninos e fruta. A percepção de harmonia virá com a experiência erro e o estudo para conhecer o vinho.

O consumidor de vinho tem muita informação, seja em revistas blogues, etc e tal. Porém,  pouco conhecimento. Sem o devido conhecimento não ligaremos os ponto da informação e seremos presas frágeis a alguns embustes como este dos Gran Reserva, Reserva e Resrevado, principalmente de países onde não há legislação específica para tanto.

Nos rótulos dos vinhos é comum o destaque, Gran Reserva, Reserva e alguns casos, os chilenos especialmente, Reservado. O preço é similar aos títulos. A ausência de legislação específica só vem a confundir ainda mais o consumidor.

Uma destas armadilhas, infelizmente, enraizadas no consciente de muitos é que o vinho tinto “bom” tem que passar por madeira. E quanto tempo mais que ficam nas barricas melhores ficam.

Nada a ver.

É mito. Puro mito que um Gran Reserva é melhor, necessariamente, que um Reserva ou mesmo um tinto sem barrica o estampado em alguns rótulos”unoaked” Wine. E pré conceito é um dos mais nefastos ao consumidor desavisado, pois implantou-se a ideia de que um “bom” tinto deve, necessariamente, passar por barricas de madeira e quanto tempo mais, melhor será o vinho. 

O Gran Reserva (em geral de 12 a 18 meses de estagio), dependendo da legislação do país produtor, quando a tem, apenas garante que o vinho ficou um tempo maior nas barricas de carvalho, mas não garante a qualidade do vinho que está lá dentro. O Reserva (12 a 8 meses de estagio) o Reservado não diz absolutamente nada, apenas aumenta o preço dos teus vinhos. Assim como as linhas reserva da família, adega do nono e outras baboseiras são apenas jogadas de marketing. 

Agora o Gran Reserva tende a ser mais bem elaborado, principalmente levando em conta o preço das barricas como a bordalesa a mais usada de todas com apenas 225 litros e no máximo duas safras e dos mais puro carvalho americano ou francês, as mais usadas madeiras. Vou rapidamente repassar conceitos já vistos sobre as barricas e também sobre os taninos.

Rapidamente até para não perder o norte desta publicação. As barricas têm cinco funções básicas. Estabilizar a cor dos vinhos. Transferir taninos. Transferir aromas. Domar os taninos dos vinhos. Realizar a pela natural micro-oxigenação. Bem aí vem a pergunta.

Todos os vinhos precisam passar por elas? Não. A esmagadora maioria, não. Em grande parte as barricas servem, nas mãos de enólogos competentes, de um tempero na elaboração do vinho, apenas dão o retoque final. Usadas em excesso “pesam” os vinhos e mascaram um dos principais defeitos na elaboração do vinho. A correção química para equilibrar uvas desequilibradas. Aquelas com muitos taninos por não estar devidamente madura e aquelas que possuem acidez em demasia, por exemplo. Há vinhos tintos que passam longe das barricas e são maravilhosos, como os Gamay de Beaujolais.

Entretanto, há aqueles vinhos onde, imperiosamente, as barricas devem estar presentes, como no Estilo Tintos de Guarda, veja aqui. O estágio nas barricas é a alma e essência destes vinhos.

Para finalizar a publicação falava da legislação de alguns países sobre as barricas. Na Itália ela remete a cada região produtora com suas Denominações de Origem a legislação específica sobre as barricas. Espanha, idem. A mais famosa é a de Rioja que hoje é um espelho para as demais. Portugal nada de específico. Infelizmente, não há legislação específica nos países andinos, Chile e Argentina, de onde vem a maior parte dos vinhos consumidos no Brasil. Que por sinal segue o mesmo caminho que seus vizinhos. Ficará para a próxima publicação um passar de olhos nas legislações dos países produtores sobre a utilização das barricas. Fique esperto amigo do vinho.

As ostentações de Gran Reserva, Reserva, Reservado e por aí vai são palco certo para armadilhas. Eu sigo uma lógica. Se as barricas são caras, muito caras servem duas safras e só. Ficam com vinhos estocados, nos Gran Reserva por até 18 meses. Depois são armazenados em garrafas pesadas e caras com rolhas de cortiça, as vezes pura, tudo isto é muito dinheiro para se colocar um vinho de menor qualidade.

Porém, não podemos afirmar como verdade que o que está dentro daquela garrafa de Gran Reserva seja melhor que o Reserva, sem que haja legislação específica para tanto. Depois conceitos de melhor e pior são muito subjetivos. 

Porém há países com legislações bem firmes quanto ao tempo de barrica como a Itália, Espanha, Portugal e França quando aí sim o tempo de descanso nas barricas é muito controlado. Harmonia é tudo que procuro no vinho. Há alguns no Estilo Frutado que as barricas o tornarão desequilibrados pela baixa carga de taninos, seja da própria uva, seja do pouco contato delas com o mosto que será vinificado.

Assim como na música, gosto de harmonia como este trio do Oscar Peterson. Notem Joe Pass um dos grandes violinistas do Jazz ao fundo. 

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