Vinhos de Altura – Mito ou Verdade?


ARGENTINA SALTA 3

Seguido vemos nos rótulos dos vinhos, nos sites das vinícolas ou mesmo nas informações de uma determinada região vitícola a importância e o destaque da altura em relação ao nível do mar que se encontram os vinhedos.

É um tal de “mais de 1.000 metros de altura”, “vinhos de altura”, uvas plantada com altura de 900 metros e assim vai. Os vinhedos desta foto ficam em Salta, extremo noroeste da Argentina com vinhedos com altura média de 1.500 metros.

A pergunta que fica. É mito ou é verdade que a altura influencia o vinho? Realmente a altura exercer um papel de destaque na elaboração dos vinhos?

É verdade. Não é mito. De fato a altura influencia e muito o nosso vinho.

A uva é um vegetal. Assim como as folhagens de nossa casa podem morrer se trocarmos de parede no mesmo ambiente, a uva é fortemente influenciável pelas situações que a rodeiam. A altura é uma delas. Para algumas uvas é fator determinante do seu sucesso.

Mas, especificamente, qual a forte influencia da altura na qualidade da uva que será vinificada?

O que nos interessa no ciclo vegetativo da uva, para o tema aqui posto, são os últimos 30 40 dias de maturação. O chamado final do período de maturação. Aqui quando mais prolongado, suave e sem estressar a videira melhor será a qualidade da uva.

Como qualquer outra fruta a uva se tivermos condições extremas de sol e calor dia e noite, mais rápido será o amadurecimento, porém, menos qualidade terá o fruto. Assim quando tivermos insolação correta, calor de dia e frescor a noite é o ideal para a videira descansar noturnamente, “atrasando” seu período de maturação. Este descanso noturno faz com que a videira não se canse. Quinze ou vinte dias de retardo na colheita faz magias no vinho.

Esta demora é essencial para amaciar os taninos, através do lento amadurecimento do fruto, fixar os aromas através da obtenção de um sumo (suco) da uva de melhor qualidade, percentuais corretos  de açúcar que será transformado em álcool. Em locais quentes sem muitas opções de rios ou mesmo mar por perto procura-se a altura para amenizar o clima. 

Enfim, a altura, principalmente em locais sabidamente quentes e ensolarados no final da maturação do fruto é essencial para a obtenção de uma uva com alta qualidade. Uva de qualidade requer menos intervenção química e vinhos melhores. Podem reparar que os vinhedos em terroir de clima quente ou estão em altura ou perto dos rios ou do mar. Tudo para um amadurecimento lento e gradual.

Lembre-se a videira tem um sistema de autoproteção. Ela precisa do descanso noturno, desde o nascimentos de seus frutos até o correto amadurecimento. Se não houver este descanso (leia-se temperaturas mais amenas) a videira acaba por abortar os frutos prejudicando a vindima.

Este é o caso clássico dos vinhedos de Salta na Argentina, com altura média de mais de 1.500 metros e clima extremamente seco, portanto, frio a noite.  Não fosse isto estes vinhedos estariam fadados ao insucesso. Neste mesmo país lembre-se do destaque constante da altura nos rótulos dos vinhos de Mendoza, como Lujan de Cuyo.

No Brasil a altura é fundamental para o sucesso do chamado “Vinho de Altura” do planalto catarinense. Leia aqui. Outro exemplo claro são os vinhos do Priorato, Espanha. Bem perto de Barcelona, porém, em altura e nas escarpas das montanhas. Assim não é uma informação vazia de sentido quando nos rótulos e contra-rótulos temos o destaque da altura dos vinhedos.

Sempre que lembro de Salta, Argentina, lembro de La Negra.

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2 pensamentos sobre “Vinhos de Altura – Mito ou Verdade?

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