Descubra os prazeres dos Tintos Sedosos e a Culinária Toscana


ITÁLIA TOSCANA 1

Estamos no centro oeste da Itália naquela que eu considero a mais conhecida região, a Toscana. Famosa pela renascença, pela redescoberta do homem e suas escolhas, influências, cultura, depois de vários séculos de ostracismo imposto pela Idade Média.

Quem não ouviu falar de Leonardo Da Vinci, Rafael, Michelangelo. Quem não viu fotos da cidade de Florença, Pisa e sua torre inclinada, Siena e a histórica Lucca? Quem não conhece ou ouviu falar dos Chianti? Um clássico vinho da Toscana.

Pois bem. Agora para harmonizarmos os vinhos Estilo Tinto Sedoso, certamente vou beber da fonte. A culinária toscana e seu vinho emblemático, o Chianti. Entretanto, antes faz-se necessário relembrar as características básicas do Estilo Tinto Sedoso.

Para maiores detalhes, veja aqui.

Os Tintos Sedosos são os tintos de médio corpo, isto é, lembrando do tríplice equilíbrio dos vinhos tintos: Fruta, Acidez e Taninos, os Sedosos estão exatamente no meio termo. São tintos de médio corpo, acidez na conta certa e taninos presentes, porém, perfeitamente redondos e domados. Nos trazem na boca um vinho com presença de acidez o que traz sensação de frescor e vocação para acompanhar pratos, sentimos a fruta na boca (juventude) do vinho, menos claro, que os frutados, porém ainda presente o que não acontece nos tintos de guarda, como veremos na próxima publicação.

No entanto, a principal característica dos Tintos Sedosos é a presença em boa quantidade de taninos em razão dele sentimos o peso do vinho na boca. Porém, não são rascantes, não secam a boca, muito menos estão jovens demais, nada daquela sensação de banana verde ou secura na boca. Sentimos um carinho a cada gole.

DICA: Tanino pede gordura. Quanto mais taninos tiver o vinho mais gordura deve ter o prato. Seja pelas carnes gordas, seja pelos molhos. Sempre lembrando que o grande inimigo do tanino é o sal em excesso. O sal em excesso metaliza o gosto dos taninos.  De nada adianta molhos mais pesados, mais encorpados, mais gordurosos se forem salgados demais.

Desta maneira os Tintos Sedosos formam pares perfeitos com molhos vermelhos de carne, com carne de gado, porco, massas com molhos vermelhos a base de carne seja nos recheios, seja na cobertura. Lembrem-se de um dos segredos da harmonização que vimos aqui. Molhos mais pesados com vinhos mais encorpados.

 Como em todos os vinhos a principal influencia é da uva. Cada uva tem seu DNA e leva ao vinho suas características básicas. Depois o terroir, se de clima mais ameno, vinhos com menos corpo, menos álcool e mais acidez. Se de climas mais quentes, mais fruta, menos acidez e mais álcool. Além das técnicas de elaboração como uso de barricas, se primeiro uso ou não, enfim, há muitas variáveis.

 DICA:  Como poderemos ter no mesmo terroir, as vezes do mesmo produtor dois vinhos no mesmo Estilo e tão diferentes?  Pensem na Malbec na Argentina e teremos uma situação muito parecida. Dependendo do cuidado com os vinhedos, sua localização e técnicas de elaboração teremos vinhos com a Malbec que vão do Frutado até Encorpado. O principal elemento de influencia nos Tintos Sedosos são as técnicas de elaboração principalmente a utilização das barricas, importante a leitura aqui

Harmonia entre, acidez, fruta, álcool e taninos. Por sorte é o grupo dos Tintos com mais opções de regiões, países, uvas e técnicas de elaboração. Podemos pensar em harmonizar pratos típicos da Toscana com vinhos de vários países. 

ESPANHA: Um Tempranillo Reserva, como vimos acima de Rioja ou  Ribera del Duero. A Monastrell de Jumilla, Yecla e Murcia. Os vinhos do Priorato, logo acima de Barcelona. A Garnacha de vinhedos antigos do centro do país. 

PORTUGAL: Alentejo e Douro com a sua versão da Tempranillo a Aragonês ou Tinta Roriz, veja.

CHILE: Imagine Colchagua com a Cabernet Franc, Merlot e Carménère. Vinhos clássicos no estilo Tintos Sedosos.

ARGENTINA: A nossa onipresente Malbec. Porém, pensem nos Malbec de Lujan De Cuyo. Terroir perfeito para produção de Tintos Sedosos que acariciam a boca e fazem um bem enorme para a alma.

FRANÇA: Certamente três regiões logo saltam na minha memória para excelentes Tintos Sedosos. A Borgonha, mais especificamente, Côte D’Or e seus esplêndidos Pinot Noir. Sedosos, sedutores e conquistadores vinhos. Depois que arrebatam nossos corações dificilmente poderemos esquecer deles. Também da França os vinhos do Languedoc. Em especial o Rei do Rhône Châteauneuf du Pape, leia aqui. Grenache e mais 10 uvas diferentes formam o corte deste vinho Estilo Sedoso. Por fim Bordeaux e seus vinhos com o corte bordalês. Cabernet Franc, Merlot e Cabernet Sauvignon.

Todos irão maravilhosamente bem com a culinária Toscana como veremos.

Mas não esqueçam, estamos na Itália, na Toscana terra e berço da uva Sangiovese que nos traz belos Tintos Sedosos.  Um exemplo clássico de Tinto Sedoso, o Chianti.

Vamos conhecer um pouco mais deste ícone toscano?

Poderia dizer que na região metropolitana de Florença nascem as uvas que darão vida ao Chianti. O vinho cujo corte inicial foi criado pelo Sr. Ricasoli. Um corte de Sangiovese (75%), Canaiolo (15%) e a branca Malvasia (15%). Este o corte inicial. Depois este vinho sofreu altos e baixos. São vinhos com pouca vocação para a guarda. Devem ser bebidos até 5 anos do engarrafamento, em geral o ano da sua safra. É fundamental entender a classificação dos Chianti pela qualidade. 

CHIANTI WINE MAP

 CHIANTI: Um Chianti simples, 06 meses de garrafa para depois poder ser vendido.

SUPERIORE: Até um ano de garrafa.  RISIERVA: O top de linha. Dois anos de garrafa.

GRAN SELEZIONE: Idade de 2,5 anos e usado somente na região do Chianti Clássico.

Este vinho é exemplo de um italiano Estilo Tinto Sedoso Clássico. Combina na perfeição com a clássica culinária da Toscana. Há outros exemplos italianos de Tintos Sedosos. Olha um Chianti que faz parte da memória de muitos de nós. 

CHIANTI PALHA

Quem sabe um interessante tinto com a Nero D’Avola uma tinta do sul da Itália que faz enorme sucesso na Sicília e na Púglia. Pensem na Primitivo, outra estrela do sul do país. No norte, na vizinha Abruzzo com a uva Montepulciano, enfim, oportunidades e opções não faltam. 

Massas com ragú de ovelha e porco ao molho de tomate. Ragú é carne desfiada pelo cozimento em fogo baixo durante horas. Um perfeito exemplo de combinação. Taninos + gordura das carnes e molhos. O sal da carne harmonizado com a acidez do vinho. Lembrando que sal e acidez combinam.

Mas eu prefiro indicar a vocês uma chuleta/bisteca Fiorentina. Uma clássica peça bovina com mais de 5 centímetros de altura temperada com azeite de oliva e sal. Assada em fogo alto tostadinha por fora e macia e suculenta por dentro. Deu até fome ver o vídeos abaixo com sua elaboração.

Bisteca Fiorentina.

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