Desvende os Espumantes Aromáticos


UVA MOSCATEL DE SETÚBAL

O mundo sensorial das uvas aromáticas estão aqui. A grande responsável por este Estilo de Espumante é esta da foto. A Moscatel. Rica, plena de aromas, belos índices de açúcar e baixa acidez a transformam em grande vedete do Estilo Aromático. 

O nobre representante do Estilo Espumante Aromático é o Moscato D’Asti, Piemonte, Itália, veremos adiante com mais calma. Nos interessa os parâmetros do Estilo pra identificá-lo a distância.

Baixa acidez, açúcar residual em alta, algo em torno de 60 ou mais gramas por litro, aromas explodindo na taça. Um espumante que caiu no gosto geral dos consumidores. Um exemplo tradicional no Brasil são as Moscatéis que estão sendo produzidas de norte (Vale do São Francisco, Pernambuco) ao sul do Brasil.

Adiante em detalhes quais são os responsáveis por este Estilo de Espumante.

Tudo inicia no vinho base. O vinho base é aquele que sofrerá a segunda fermentação para que as leveduras ao realizar a autólise (comem açúcar e  liberem aromas, álcool e CO2) que estará perfeitamente integrada ao líquido.

Aqui raramente há segunda fermentação na garrafa. O que se quer não é a complexidade do Estilo Espumante Cremoso, mas vivacidade, apesar de ser um espumante Demi-Sec ou mesmo Doce.   

AS UVAS

Há duas uvas fundamentais no Estilo Espumante Aromático. A Mosacatl, a principal e a Malvasia. Sei, há outras localmente utilizadas, porém, pela síntiese do texto ficaremos com estas duas.

MOSCATEL: Amada por uns nem tanto por outros e desconhecida de muitos. Uma das uvas que mais carrega preconceito por ser doce e aromática. Muitos, erroneamente, ainda imaginam que os vinhos doces e ou espumantes aromáticos são ruins ou de qualidade inferior. 

Possuindo vários nomes, indo de Moscatel a Muscat, os mais conhecidos. Pode não ser tão famosa quanto a Cabernet Sauvignon, mas, certamente sua história é tão rica quanto qualquer outra uva.

Possui grande desenvoltura, seja dos espumantes aos vinhos tranquilos, passando por fortificados a vinhos de sobremesa.

Mas, como se poderia esperar de uma variedade de uva conhecida dos antigos gregos e romanos, a família Muscat é particularmente diversificada e ramificada. Hoje, a Moscatel é uma família de uvas.

Vinda da Grécia foi para Roma Antiga onde ganhou a Europa antiga. Espalhou-se pelos países vitícolas e se mantém até hoje pela sua competência e versatilidade.

Uma das mais antigas uvas vinificadas com regularidade que se tem notícia. Vai desde as escuras como a Moscato de Hamburgo até as brancas como a Muscat. Existem mais de 200 variedades de Moscatéis. No Brasil sempre obteve muito sucesso no sul do país, Rio Grande do Sul. Nas últimas décadas há forte desenvolvimento desta casta aromática no Vale de São Francisco, Pernambuco e Bahia, dependendo do lado do Rio São Francisco, Brasil paralelo 8, algo fora do padrão e do eixo normal dos vinhedos abaixo da linha do Equador.

Modernas técnicas de condução das videiras deram vida a esta uva em pleno sertão brasileiro. Belos espumantes aromáticos estão sendo elaborados nesta inovadora região.

MALVASIA: Menos utilizada que a Moscatel, mas mesmo assim aqui e ali espoucam os espumantes elaborados com ela. Muitos torcem o nariz para ela entendendo ser uma uva menor, de novo. Mais uma uva doce de grande importância para o mundo do vinho que sofre injustificados preconceitos. Sua presença, desde que saiu da Grécia pelas mãos dos Venezianos para a Europa está por trás de grandes vinhos.

Tamanha importância que a Malvasia, na verdade, é a mãe de uma família de uvas. Seu berço é na Grécia e seu nome deriva do Forte de proteção e apoio dos Vênetos, na Laconia, os donos do Mediterrâneo do chamado Mare Nostrum nome dado pelos antigos romanos para o mar Mediterrâneo. Este forte chamava-se Monemvasia.

Durante a Idade Média os venezianos comercializavam o vinho local elaborado com a Malvasia. Após a sua expulsão da Grécia e o término do monopólio do Mediterrâneo levaram a uva para a Itália. Dali ela partiu para o mundo ocidental.

MOSCATO D’ASTI:

A quintessência do Estilo Espumante Aromático que, inclusive serviu de chegada de multinacionais no Brasil na década de 70 é a Moscato D’Asti. Através deste espumante e de suas técnicas de elaboração que diversas empresas estrangeiras anteviram as qualidades da serra gaúcha para a elaboração deste estilo de espumante. Asti é uma cidade com pouco mais de 70.000 habitantes entre as famosas regiões do Langhe e Monferrato, no centro-oeste do Piemonte. Seu principal vinho é um espumante elaborado com a Moscatel, seu nome Moscateo D’Asti no limite de Asti com Monferrato estão os vinhedos de Moscatel.

Ali elabora-se um espumante pelo método Asti.  Uma só fermentação nos tanques de inox. No mosto das uvas Moscatel  são colocadas as leveduras. Quando atingimos entre 65 a 80 gramas de açúcar por litro suspende-se a fermentação. Assim interrompemos a troca de açúcares por álcool e aromas. Temos, então, um espumante com baixo percentual de álcool, algo em torno de 7 a 8,5% , açucarado e aromático.

MOSCATEL BRASIL: Sem medo de errar, de norte a sul do Brasil o Estilo Espumante Aromático baseado, quase 100% na Moscatel é o preferido de 6 em cada 10 consumidores. Um espumante gelado, aromático e com baixo percentual de álcool representa, para muitos, o que de melhor este estilo pode oferecer.

Serra Gaúcha, extremo sul do Brasil e Vale de São Francisco, Pernambuco estão entre os melhores produtores deste estilo de espumante. Alguns mais frescos (ácidos) outros mais adocicados, porém, sempre eles é que estão  a assegurar a qualidade dos espumantes nas festas. São muito mais leves (menos doces) mais alcoólicos e aromáticos que os primos italianos. O importante é destacar o enorme trabalho que esta uva desenvolveu nos primeiros passos de muitos consumidores no Estilo Espumante. 

HARMONIZAÇÃO:

Os Moscatéis são espumantes demi-sec ou doces e aromáticos por natureza. Doces e aromáticos. O doce se combate com o salgado. Experimente um Moscatel com uma pasta de queijo Gorgonzola? Ideal. Experimente um Moscatel harmonizando com seus iguais? Um doce com sorvete seria o ideal. Muitos pensam nestes espumantes para encerrar um almoço ou jantar. Não importa a como. Fundamental é que se consuma Moscatel por ser nosso espumante por excelência.

Sempre que penso em vinhos mais doces ou até mesmo de sobremesa penso em músicas introspectivas. Aqui vamos muito bem com Count Basie. 

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