O que Faz um Tinto Ser Frutado?


EQUILÍBRIO DOS TINTOS

Antes de apresentar a vocês o Estilo Tinto Frutado, importante destacar como é a dinâmica do envolvimento de três fundamentais elementos nos vinhos tintos. Fruta, Acidez e Taninos.

Vinhos frutados são vinhos elaborados com uvas que possuem menos carga de taninos. Se forem de regiões mais frias, além da fruta terão percentual alcoólico menor e acidez mais viva, em razão da menor insolação e dias mais frios. Desta maneira a uva amadurece sem ganho expressivo de açúcar. Exemplo típico são as uvas Barbera e Dolcetto.  

Se forem uvas de regiões mais quentes e com baixa carga de taninos, teremos mais álcool, porém, ainda mantendo o frutado no nariz e boca. Exemplos a Garnacha e a Mouvèdre.

Neste gráfico acima teremos mais domínio da fruta e acidez sobre os taninos, responsáveis diretos pelo “peso” ou corpo de um vinho na boca.

Uvas com menos taninos produzem vinhos que raramente passam por barricas. Temos, assim, o domínio da fruta, com mais ou menos acidez dependendo do TERROIR como veremos adiante, sobre os taninos.

INFLUÊNCIA DO TERROIR 

Já vimos em publicações anteriores, veja aqui, a influência do terroir no estilo final de um vinho, inclusive fazendo com que ele passa para outra categoria. Aqui não é diferente. Claro que vale ressaltar, novamente, a maior influência que um vinho tem é da própria uva com a qual foi elaborado. Não podemos pensar em comprar um frutado tinto pensando na Tannat, uma das mais tânicas uvas que se conhece.

O chamado terroir de montanha. Típico da Serra Gaúcha, Rio Grande do Sul, Brasil, onde os vinhedos são plantados nas encostas dos morros com excelente drenagem de solo, boa insolação e dias mais frios mesmo no auge do verão garantem que a uva amadureça por completo, mas ainda mantendo mais acidez e menos açúcares. Assim, vinhos menos encorpados e alcoólicos. 

Bem ao estilo do norte da Itália, Dão, Portugal, certamente nos trarão vinhos tintos frutadas, ligeiramente mais ácidos, veja aqui a razão, daqueles tintos da borda do Mediterrâneo com a Garnacha ou a Cinsault, por exemplo.

Técnicas de elaboração também contribuem bastante para o estilo frutado. A maceração carbônica é um belo exemplo. É esta técnica que mantém a leveza e jovialidade de muitos vinhos frutados, em especial em Beaujolais, Veja aqui.

As uvas são sobrepostas o próprio peso uma das outras as esmagam. Assim estouram as bolhas de Co2 que já estavam a se formar entre o sumo e a casca da uva. Daí o nome maceração pelo esmagamento das uvas e carbônica pelo início da fermentação dentro dos bagos das uvas. O que nos interessa é mantém  o frescor e aromas da uva.

OS AROMAS: Os vinhos deste estilo têm aromas que vão do morango, algo de cereja, naqueles de regiões mais frias, até os aromas de frutos vermelhos como mirtilo e amora.

PALADAR: Como dito o paladar dos frutados muda em relação à acidez e os taninos. Quanto menos ácido mais tânico será o vinho, mantendo sempre a predominância da fruta. Um belo exemplo são os tintos frutados elaborados com a Garnacha, por exemplo. Vinhos de regiões mais quentes, são ainda que de aromas frutados, possuem mais peso na boca em razão da predominância dos taninos e, também, por isto mais doces. Lembrando que os taninos nos trazem aquela sensação de boca seca, de banana verde.

As uvas que marcam o estilo.

GAMAY: Hoje a Gamay domina a região sul da Borgonha, como toda a uva que produz muito e sendo mal conduzida pode levar a vinhos bastante simples. Bem trabalhada produz vinhos com baixo potencial de taninos, bastante frutada, aromática e com acidez marcante, alguns produtores a vinificam para que possam ter mais tempo de garrafa. Para mim não importa, gosto dos Beaujolais justamente por serem vinhos novos, agradáveis e excelentes companheiros para longas conversas sem compromisso. Algumas uvas determinam este estilo de vinho. São clássicos vinhos frutados. Mais detalhes veja aqui.

PINOT NOIR: Uma nobre representante dos vinhos frutados, principalmente, os Village de Côte D’Or ,os Pinot de regiões mais frias como Central Otago, Nova Zelândia, Casablanca, Chile e Patagônia, Argentina. Uva de casca fina, com pouca carga de taninos se vêm de regiões mais frias ganham menos açúcar, consequentemente, menos percentual de álcool privilegiando, assim a fruta.  Mais detalhes sobre a Pinot Noir aqui

MALBEC: Apesar de sua excelente quantidade de taninos, novas técnicas  de vinificação, mas principalmente, de condução (poda) dos vinhedos, em especial em locais mais altos ou em micro-climas mais frios, começamos a ter uvas Malbec  com mais fruta, mais acidez, portanto menos álcool e taninos mais contidos. Na Argentina já temos este estilo de Malbec frutado que tem caído muito bem no gosto dos consumidores por ser um vinho para ser bebido jovem. Com excelentes aromas frutados de cereja, morangos e amora. Leves e ideais para acompanhar pratos com massa e molhos vermelhos. Até mesmo serem servidos um pouco mais gelados. E viva a diversidade.

GARNACHA: Tradicional uva do centro nordeste da Espanha, como tem maturação tardia, precisa de muito sol e calor para estar pronta a vinificação. Desceu para o litoral espanhol e com a expansão, do então Reino da Catalunha, passou a ser plantada na França com o nome de Garnacha. 

BARBERA E DOLCETTO: Duas uvas típicas do Piemonte, norte da Itália. A Barbera nos traz um vinho de cor vermelho escuro, aromas que puxam mais para o apimentado, na boca um pouco mais de força e acidez, mais rústico, bem ao estilo italiano, mas imbatível com uma boa pizza. A segunda, apesar do nome, docinho, nada tem de doce, muito pelo contrário, seus aromas de frutos vermelhos e a acidez garantem um vinho bem refrescante e companheiro para os pratos leves e carnes brancas.

ALFROCHEIRO E TOURIGA NACIONAL: Portugal tem uma região que produz, neste estilo, vinhos de elite, o Dão. Região montanhosa entre o litoral, Bairrada e o interior o Douro. Aproveita os frios ventos do Atlântico para refrescar seus vinhedos no verão o que garante vinhos com boa dose de acidez e fruta. Somam-se as casta locais como a Alfrocheiro e a onipresente  Touriga  Nacional, entre outras, garantindo todas as qualidades de um bom vinho tinto para a esta época, principalmente no preço.

HARMONIZAÇÃO: São vinhos com baixa carga de taninos, assim podem ser gelados e servidos nos dias mais quentes de verão, ideais para quem não abre mão de um tinto. Vão muito bem com pasta de molhos leves, pizzas ficam soberbos, peixes mais gordurosos como Truta, Salmão, Garoupa e Bacalhau. Queijos de como Gruyère e Gouda, mesmo que um pouco mais salgados não conflitam com os taninos, não os amargam, eis que este em pouca quantidade neste estilo de vinho.

Um  Blues é o que me lembra estes tintos frutados. Leve e solto com qualidade. Com B.B King

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