Descubra a Magia do Vinho pelos seus Estilos


CONFUSO

Depois da última publicação sobre os contra-rótulos alguns em off  questionaram a “limitação” sensorial de alguns destes contra-rótulos, bem como a classificação dos vinhos por estilo. A que uso e estou a explicar na sequencia  do blog como sendo uma classificação que limita a percepção sensorial. Como que estivesse a balizar e enquadrar rigidamente os vinhos.

Como o objetivo máximo deste blog é desmistificar e simplificar o mundo do vinho e entendendo que não fui bem claro nesta última publicação bem como na classificação por estilos senti a necessidade de alguns esclarecimentos.

Os que acompanham este blog sabem que raramente escrevo sobre vinhos específicos. E quando o faço dedico muito pouco espaço as minha análises sensoriais. E sabem por quê?

Porque entendo que a análise sensorial que engloba a análise visual, olfativa (a mais subjetiva delas) e a gustativa variam abissalmente de pessoa a pessoa. Será que é assim mesmo? Tanta diferença entre as percepções analíticas de pessoa a pessoa

Sim. É assim mesmo. Conduzo encontros de vinhos com temas específicos tem mais de 10 anos. Nunca, eu disse, nunca vi ou ouvi unanimidade sobre os vinhos apreciados. Claro, maioria, sim, mas unanimidade sobre qual o melhor vinho. E, principalmente, o que cada um sentiu sobre os vinhos, não. Um mestre pernambucano, Nelson Rodrigues: Toda a unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.

Assim é e será nos vinhos. Mas, por que não temos unanimidade sensorial dos vinhos?

Porque cada qual é cada um. Na individualidade somos um universo de memórias olfativas e gustativas únicas. Ninguém viveu nossa vida e nossas experiências que estão guardadas em nossas lembranças. Elas são personalíssimas. E esta é a maior magia que o vinhos nos traz. Ser capaz de volvermo-nos as nossas reminiscências como nenhuma outra bebida faria. Cheiros que nos são queridos pertencem a somente nós.

Esta diversidade fascina.

Fascina, porém, dispersa. Além de dispersar é terreno fértil para os enochatos de plantão ou mesmo aqueles que sabem e conhecem melhor o mundo do vinho para tergiversar, “viajar” e criar um mundo de aromas e sabores que só eles sentem. Tentar identificar o que não há em determinados vinhos. Tudo para que no mistério que criaram possam sentir-se superiores.

Daí a classificação por estilos de vinhos. Ali há uma limitação, não do sentimos, mas do que não poderemos sentir naquele estilo de vinho.

Um vinho aromático, jamais será um vinho leve e refrescante. Eu disse, jamais. E  como ter tanta certeza num mundo cheio de variáveis como o vinho?

Porque é certo que o vinho que está na sua frente tem influencia do terroir (clima, solo, topografia e intervenção humana). Cada qual tem sua parcela de contribuição. Porém a mais importante contribuição na parte sensorial de um vinho que está para ser aberto é da uva. Cada uva tem seu DNA de aromas e sabores e não dá para por nela o ela não tem. Falar que uma Gewürtztraminer, melhor ainda, uma Moscato, mais conhecida de todos nós, tem aromas cítricos e um gosto de frescor levemente ácido na boca é, no mínimo demonstrar sua falta de conhecimento no assunto.

O Estilo de Vinho Branco Leve e Refrescante, requer, necessariamente: Aromas cítricos e um frescor levemente ácido na boca. A Moscatel jamais será assim. Ele sempre será enquadrada no Estilo de Vinho Branco e Aromático que tem por característica: Baixa acidez, doçura do fruto na boca e aromas de frutos mais doces como abacaxi, manga, algo floral, típicos dos bons Moscatéis.

Daí a importância dos contra-rótulos como na publicação anterior. Justamente para que não compremos o que não estamos a procurar.

Uma comparação prática: Dois estilos de camionete. Uma 4 x 4 de luxo e sofisticação e uma, digamos utilitária pequena para entrega do pão nosso de cada dia, uma Saveiro. Dois carros, dois tipos iguais, camionetes. Porém dos estilos absolutamente diferentes. Não posso confrontar o que vejo numa 4 x 4 de luxo com uma utilitária popular. Simplesmente porque na essência são diferentes. Não se compara grandezas diferentes. Porém, em cada um dos estilos de camionete, aí, sim, posso comparar e declarar as qualidades que vejo em cada uma delas.

Para concluir, quando separo os vinhos por estilos não quero limitar sensorialmente cada um deles. Apenas quero delimitar o que cada um têm na sua essência, justamente para facilitar o conhecimento de cada vinho que me é apresentado. Assim o classifico em determinado estilo, sabendo as características do estilo, não do vinho.

Pois, como disse, cada vinho é um universo de sensações  absolutamente individuais e personalíssimas. Repito. Ao separar os vinhos por estilos entendo que facilita a classificação do oceano de rótulos que vemos na hora de uma compra aos separarmos por grupos de vinhos. E em cada vinho há um universo individual de percepções sensoriais, desde a cor dos vinhos até os aromas e sabores, sabidamente, os mais subjetivos.

Cada vinho exerce uma magia diferente em cada um de nós.

Assim como o estilo característico das obras de Liszt.

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