Não existem vinhos do velho e novo mundo


FRANÇA ALSÁCIA 3

Os lindos vinhedos da Alsácia, foto, são chamados de vinhos do velho mundo.

Antes de entrarmos nos posts sobre a questão dos estilos é importante salientar esta classificação, da qual não concordo, em separar os vinhos por novo e velho mundo.

Dá para chamar de novo mundo os vinhedos da África do Sul plantados há mais de 500 anos? Eu penso que não.

A principal razão da minha recusa em utilizar esta classificação está na razão de eu separar os vinhos por e não por países.

Se não divido os vinhos por países porque irei dividir o mundo vinhateiro em dois?

Dizem velho mundo os vinho produzidos na Europa e novo mundo os produzidos fora dela. Para piorar dizem ser estilo novo mundo os vinhos mais concentrados, alcoólicos e  com a madeira saliente. E velho mundo aqueles que possuem o estilo oposto, menos concentração, álcool e madeira.

Primeiro é muito estranho dividir o indivisível mundo do vinho quando muito em duas partes. Ora, vinho é vinho em qualquer lugar do mundo e são feitos de uva. Penso que pode-se, isto sim, dizer que os estilos são diferentes.

O estilo dos vinhos europeus, em geral, são elegantes, isto é menos álcool, menos concentrados e menos madeira. Para mim, na verdade são vinhos mais voltados para a culinária.

Já o estilo moderno prima pela concentração do fruto, são mais doces (da própria maturação da uva) mais alcoólicos e madeirados. E ponto final.

Agora, no que diz respeito à legislação  aí sim, existem diferenças cruciais.

Vinhedos em países tradicionais como Espanha, Portugal, França, Itália e Alemanha, são vinhedos muito antigos e submetidos a uma legislação muito rígida no que diz respeito às uvas que podem ser utilizadas, nesta ou naquela região. Os rótulos devem conter informações muito mais detalhadas, veremos adiante.

Em contra partida os vinhos do novo mundo tem uma legislação muito mais aberta, as informações contidas nos rótulos são mais sucintas, em alguns casos  até simples demais, não contendo nem mesmo as informações básicas.

Um exemplo da rigidez da legislação relativa as denominações de origem está no vinho Incógnito (Cortes de Cima-produtor), Alentejo, Portugal. Onde não podia colocar no rótulo o nome syrah, pois a legislação não permitia. Assim ficou o nome Incógnito.

Vamos interpretar o rótulo abaixo. Um clássico.

FRANÇA BORGONHA MONTRACHET RÓTULO

Vamos lá:

DOMAINE DUC DE MAGENTA, é o dono do vinhedo.

PREMIER CRU: É dentro da legislação vigente na Borgonha a elite dos vinhos. Os  melhores vinhedos, dentro de um terroir previamente demarcado tem muitos anos, recebe esta determinação.

CHASSAGNE-MONTRACHET:  Côte de Beaune, Borgonha, região famosa para os grandes vinhos brancos  incluindo 3 Grands Crus. Montrachet, o mais famoso deles, é freqüentemente chamado de “rei dos vinhos brancos”.

MORGEOT: É o local em Chassagne-Montrachet onde está o vinhedo. Famoso por ser um dos melhores locais da região (Chassagne-Montrachet). Veja como estamos delimitando cada vez mais.

MONOPOLE CLOS DE LA CHAPELLE: Delimita-se mais ainda. Monopole é uma área menor de um dono só. Cada vinho é vendido por apenas uma empresa.

VINIFIÉ, ELEVÉ ET MIS BOUTEILLE PAR: Vinificadas e engarrafadas por Louis Jadot. Aqui um negociante de vinhos. Ele compra as uvas da Domaine Duc de Magenta e as vinifica, engarrafa e vende.

Vejam quanta informação tem no rótulo. MAS UM DETALHE, não fala das uva ou, no caso, da uva que é a Chardonnay. Sabe-se que a legislação da Borgonha sobre os vinhos de Chassagne-Montrachet, não permite que outra uva seja plantada que não esta.

A safra está mais acima do rótulo que não aparece nesta foto.

Aqui o DEMARCADO vinhedo da Domaine Duc de Magenta. Olha a mureta de novo nos vinhedos da Borgonha.

CLO

Agora vejam a simplicidade do rótulo de um dos vinhos que gosto muito. O  Syrah Montes Alpha.

MONTES ALPHA

Fala do produtor, Montes Alpha, da uva Syrah, região Colchagua, Chile, que passou por barrica de carvalho francês e safra. Com o detalhe da sub-região Apalta

Vejam como são diferentes os rótulos. A legislação em países tidos como novo mundo é muito mais aberta e permite, por exemplo, que se plantem outras uvas que não as previamente determinadas, entre outras liberdades.

Vamos de velho e novo mundo ao mesmo tempo. Mariza uma cantadeira de fado interpretando Lupícínio Rodrigues. Show.

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Um pensamento sobre “Não existem vinhos do velho e novo mundo

  1. Muitas palavras para dizer que a distinção entre novo mundo e velho mundo não é justificada, para chegar a fazer a mesma distinção…
    A crítica do velho mundo – que não permitiria a flexibilidade do novo mundo – não é justificada, porque é errada. Pode produzir vinhos de castas diferentes, mesmo na Borgonha. Mas não pode usar “appellation contrôlée”. Assim nasceram os Super-Toscanos: não porque estão “superior” aos vinhos da Toscana, mas porque foram e são produzidos fora das regras do DOC. A Italia reagiu e criu IGT…
    O problema do Novo Mundo é que muitas vezes, não tem controle de produção, não tem regras. O consumidor fica nas mãos dos produtores. Pode acreditar que sejam honestos, ou não.
    A diferença justifica a distinção entre Velho Mundo e Novo Mundo…salvo que nas partes do Novo Mundo, autoridades ou somente os produtores criaram regras. Neste sentido, “Novo Mundo” vai talvez ser, mais e mais, um mesnomer.

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