Saiba porque o rótulo é o cartão de visitas de um vinho


barolo-rc3b3tulo

O homem ia falar de rótulos e vem com mapas, de novo. Mas não tem outra maneira.

Muitos entendem o mundo do vinho, erroneamente, como um santuário para poucos. Complicado, com pessoas que mais atrapalham que ajudam. Produtores, idem.

Por exemplo. ao chegar nas lojas especializadas olham os certos vinhos europeus clássicos ou pedem a carta de vinhos de um bom restaurante. E aí? Nada entendem.

Por mais que dominem a língua do país a confusão se estabelece, caso não tenham, pelo menos a informação que quero passar aqui, de forma simples.

Olhem estes rótulos de um dos vinhos mais clássicos do mundo. Parece que ele está em código. Nenhuma informação. Mas ao contrário do que pensam passam mais informações que os rótulos de vinhos chilenos e argentinos, por exemplo.

E por que não se modernizam? Porque são vinhos que estão amarrados à tradição e as legislações antigas. Estas exigiam o destaque do local (terroir) de onde vieram as uvas e, também, pressupunham:

Primeiro que o vinho seria comercializado no local ou próximo.

Segundo, não sairia do país de origem.

Terceiro respeitam legislações seculares que criaram a região demarcada e exigiam estas informações nos rótulos.

Quarto, à época não se pensava na globalização de hoje não se imaginava que este vinho pudesse estar à venda na tua cidade do outro lado do planeta.

Quinto, países como a Alemanha e Itália foram, na cronologia da história ocidental, recentemente unificadas. Com todas as diferenças entre reinos e ducados, línguas culturas, etc e tal. Havia e há muitas diferenças culturais e linguísticas entre as diversas regiões unificadas. Cada qual preservando sua própria cultura, da qual o vinho faz parte. Apreciar o seu vinho em detrimento do de outra região é mais do que aceitável.

Portanto, não foram pensados em consumidores novo mundistas ou mesmo foram feitos por um bando de pessoas que só queriam complicar o que para muitos já é complicado.

Uma certeza se afirma. Não foram feitos para humilhar ninguém.

Vamos desfazer as dúvudas. Primeiro o introito acima, o mapa. Não se entende de vinho sem entender mapa, uvas e terroir. Depois a história e a cultura do local e, por fim, a cereja do bolo, ampelografia. Uau o que é isto?

Ampelografia é o ciência da origem de uma uva pelo estudo de suas características morfológicas e outros dados. Vejam um desenho.

ampelografia

Assim, o mapeamento do terroir começa no estudo dos ampelógrafos, louvas a eles.

Olha a nossa Nebbiolo. A rainha absoluta do Piemonte. Sim, mas estive várias vezes lá e não vi o nome dela destacado em nenhum vinho vendido na aprazível vila ou mesmo no Piemonte. Aqui no meu país vou na loja especializada da minha cidade e, idem. Nada de encontrar o destaque da uva nos rótulos.

Aí os mapas, livros e blogs nos ajudam. Ela está aqui, nestes vinhos da foto de capa rótulos em destaque.

Acima ela está majestosamente plantada nos vinhedos a volta do Castelo di Barolo que deu nome a vila, lugar e terroir que, bingo, está destacado no rótulo acima. Eis o castelo.

ITÁLIA BAROLO

Barolo é local, assim como acontece com Barbaresco, vizinha a ele. A uva é a Nebbiolo, não estando destacada no rótulo, mas deve estar na mente dos enófilos mais interessados que sabem que Barolo é sinônimo de Nebbiolo.

E aqui está Barbaresco vila medieval vizinha a Barolo, ainda com a Nebbiolo em destaque.

barbaresco

Outro exemplo é Alba. Cidade localizada na região de Cuneo, a mais importante do Piemonte e um dos seus vinhos são feitos com a Dolcetto

A beleza de Cuneo.

ITÁLIA LANGHE 2

E porque aqui eles colocaram a uva? Ah, porque há dois vinhos tintos tradicionais feitos em Alba. Com as princesas do Piemonte. A Dolcetto (que apesar do nome nada tem de doce) e a Barbera, oh, uma conhecida nossa aqui no Brasil, com vinhedos na Serra Gaúcha e Serra do Sudeste. Que o diga o belo exemplar que é o vinho da Angheben.

Aí se não houver o destaque fica difícil, já que a legislação permite a vinhedos destas castas por ali

Clássico para uns nem tanto para outros. Assim segue a vida

Agora clássico é  Mio Babbino Caro, na voz inimitável de Callas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s