A Cabernet Franc de sumida a estrela


UVA CABERNET FRANC 1

Esta uva originária do Loire é uma das mais antigas uvas da França. Seu DNA está em várias uvas conhecidas hoje como a Cabernet Sauvignon, a Carménère e, até mesmo a Merlot. É  mais importante uva do vale do Loire e de Bordeaux.

Inclusive a Cabernet Sauvignon é originária do cruzamento da Franc com a Sauvignon Blanc.

No Brasil é responsável por grandes vinhos elaborados na fria serra gaúcha. Gosta de solos frios e climas mais amenos mesmo nos dias de verão. De amadurecimento rápido é uma das primeiras tintas a serem colhidas. Muito utilizada em corte com outras tintas, principalmente a Merlot e a Cabernet Sauvignon onde formam a trinca de ouro de Bordeaux.

Bastante sensível ao terroir onde estão seus vinhedos. Se mais frios teremos um vinho de corpo médio, aromas mais herbáceos e acidez mais pronunciada, com aqueles de Chinon, sua cidade natal. Se de climas mais quentes e ensolarados um vinho mais encorpado, alcoólico com menos acidez e aromais florais. Exatamente o que ocorre em Bordeaux, na margem direita. Saint-Emillon é a cidade que adotou esta uva e vem há muitos séculos melhorando-a a cada safra.

Sempre muito ofuscada pela Cabernet Sauvignon e muitas vezes erroneamente confundida com ela nos cortes. Porém há muitas diferenças. A Cabernet Sauvignon é colhida mais tarde. Precisa de mais sol para amadurecer e aquelas uvas colhidas em terroir mais frios são tânicas, ásperas e com nariz muito herbáceo. Já as Franc adoram estes climas mais frios, principalmente, para manter sua essência que é a delicadeza de aromas, algo de frutas vermelhas, mas nos melhores exemplares um floral inebriante. Na boca elegância pelos taninos muito mais macios que os da Cabernet Sauvignon com um final levemente ácido o que a torna refrescante e nada enjoativa.

Quando de climas mais quentes mantém sua versatilidade, apenas trocam os aromas para destacados frutos vermelhos e algo de geleia pela doçura do fruto resultado do maior amadurecimento do fruto. Na boca ficam mais encorpados com taninos mais presentes e acidez menor.

Agora que vem sendo entendida pelos consumidores como uma uva tinta que nos traz vinhos refinados, com aromas florais e uma ponta de gastronômica acidez, cada vez mais os produtores vem trabalhando esta casta em forma de varietal e cuidando dos vinhedos para que possamos usufruir o que de melhor ela nos brinda.

Perfume, elegância, determinação e charme.

Pelo mundo vem dando grandes resultados. Mas para ficar perto do que é nosso lembrem-se do Rio Grande do Sul, na serra gaúcha. Argentina em lugares mais frios como Lujan de Cuyo e Uco.

Porém, no Chile há dois terroir que quero destacar. Casablanca pela proximidade com o Pacífico e seus vinhedos totalmente refrescados nas noites quentes de verão nos trazem uma bela Cabernet Franc.

E, especialmente, pela quantidade com qualidade o Maule. O quase desconhecido vale do Maule.

CHILE MAULE

De uma desprezada região no sul do Chile o Maule a grandes surpresas. A cada dia me rendo aos vinhos do Maule. Videiras antigas, algumas com mais de 80 anos estão a fazer toda a diferença.

Mais de uma hora de Curicó e a quase 300 quilômetros da capital, Santiago,  aportamos em Maule na Província de Talca e centro estratégico para quem quiser visitar o chamado Vale do Maule a maior de todas as regiões vitícolas do Chile.

Aqui há vinhedos muito antigos que foram sendo reconduzidos, revigorados e algumas videira têm mas de 60 anos e produzem no máximo uma garrafa de vinho por pé.

Vinhos espetaculares. Mas com o Maule todo cuidado é pouco.

Explico.

O Maule é a mais extensa região consagrada do Chile. Inicia a quase 300 quilômetros ao sul de Santiago e vai até as portas de Bio Bio, Itata e Maleco as últimas fronteiras da viticultura chilena ao sul. Por ser muito extenso vem daí os vinhos de qualidade inferior ou mesmo sofrível que encontramos no dia-a-dia dos supermercados.

Lógico porque os outros vales mais consagrados ao norte não possuem extensão suficiente para produzir vinhos em grande quantidade com baixa qualidade. Portanto, vamos com calma em relação ao Maule.

Desde a década de 90 que o Maule vem repaginando seus vinhedos e deixando para trás esta fama de quantidade sem qualidade.

A antes quase onipresente uva Del Pais, a Mission, a primeira uva que os missionários espanhóis trouxeram para a América. Presente desde os Estados Unidos, ao sul da Califórnia até o extremo sul do Chile. Por aqui ganhou o nome de Del Pais e na vizinha argentina de Criolla, em geral vinhos a granel e de baixa qualidade por ser muito produtiva e seus vinhedos não tem controle de restrição.

Suas videiras vigorosas produzindo muita quantidade estão ou sendo substituída por outras uvas ou sofrendo recondução de seus vinhedos para que haja mais qualidade e menos quantidade.

A geografia começa a mudar radicalmente, termina o vale entre as cordilheiras e começam as planícies patagônicas.

Com muita força surge por aqui a Tempranillo e a Carignan ou Cariñena trazidas por Miguel Torres e plantadas por aqui também.

É terrioir bem mais fria nas primeiras horas matinais temos a formação das névoas que favorecem o aparecimento da Botrytis Cinerea, um fungo que desidrata o bago da uva é a chamada podridão nobre e seus fantásticos vinhos de sobremesa.

Especial atenção aos vinhos de videiras antigas como a da foto acima. Uvas que se dão bem por aqui, além da citada Carignan, a Cabernet Franc, que está surpreendendo cada vez mais no Maule, a Cabernet Sauvignon e a  Merlot.

Para escolher os vinhos do Maule e como a região é muito vasta e vários microclimas temos que, necessariamente, conhecer o produtor. Aqui a importância do seu fornecedor de vinhos. Se ele tem o mesmo amor aos vinhos que você tem certamente lhe trará o melhor do Maule na sua mesa.

Sempre que estou a frente de um bom Cabernet Franc me vem este Concerto de Aranjuez. Melódico, agradável, misterioso. Tão misterioso quanto um bom Franc.

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