Apalta – Conchagua e a redescoberta da Carménère


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Quando publiquei recentemente sobre Lujan de Cuyo uma das regiões de Mendoza me veio a mente expandir este pensamento e falar um pouco do Valle de Uco, Mendoza  e Peumo, Chile o que farei mais adiante.

Aqui gostaria de me ater a Apalta, uma das sub-regiões do Colchagua e palco de um importante acontecimento para o Chile e, claro, para nós. Ali foi redescoberta a Carménère uma uva de Bordeaux, França que se tinha por extinta após a filoxera andar por lá.

Hoje não só a Carménère, mas as tintas Cabernet Sauvignon, Syrah e a Merlot,entre outras se dão-se muito bem por lá.

Antes de falarmos da Carménère é fundamental explicar quem é esta Filoxera.

A chamada Filoxera é uma praga que ataca as raízes e folhas de um vinhedo. Detectada nos Estados Unidos no ano de 1854. É um pulgão que se alimenta das raízes da videira abrindo espaços que serão preenchidos por fungos matando-a em três a quatro anos.

Levada para a Europa rapidamente dizimou videiras centenárias pondo em pânico regiões produtoras como o Douro, Bordeaux, Provence, Borgonha e outras. Alterando profundamente o mapa do vinho durante 50 anos. Franceses, os mais afetados foram obrigados a transferir seus vinhedos para outros locais da Europa, como a Espanha.

Uvas tidas como extintas reapareceram em outros locais, como a Carménère, outras que não tinham muita aptidão em seu berço de origem viraram estrelas em outros cantos do mundo, como a Malbec e a Tannat.

FILOXERA

Descobriu-se, mais tarde que nem todas as videiras eram atacadas pelo Pulgão. As videiras americanas eram fortemente resistentes, mesmo que o ciclo começasse não terminava. E as videiras europeias de Vittis Vinifera as mais afetadas.

Como solução as uvas que trouxeram o problema, as americanas, trouxeram a solução. Desde então planta-se a americana e sobre ela em forma de enxerto a uva vinífera.

Pois bem este pulgão dizimou vinhedos em Bordeaux, aliás, como na Europa inteira. Entre as uvas replantadas por lá não estava a Carménère, então tinha-se como extinta.

Há duas ou três décadas atrás ela foi redescoberta no Chile, justamente em Apalta.

A CARMÉNÈRE

O nome vem da palavra Carmin, a cor avermelhada que ficam suas folhas quando do outono. Veio na mala de algum missionário, imigrante ou mesmo enganada entre tantas outras castas bordalesas que aportaram no Chile, como a Cabernet Sauvignon e a Merlot.

Encontrou no vale do Colchagua as condições ideais para se desenvolver. Durante muitos anos confundida com a Merlot. Entretanto, vários estudiosos ficavam intrigados com aquela que chamavam de Merlot tardia, porque a Carménère é a última uva a ser colhida no Chile. Ao estudarem viram que se tratava da Carménère, dita como extinta.

Mais especificamente no oste do Colchagua é que ela foi descoberta e redesenhada.

Apalta é uma destas regiões consagradas e abençoadas no Chile.

TERROIR DE APALTA

LOCALIZAÇÃO

Fica a oeste do vale do Colchagua já na subida da Cordilheira Costeira conforme podemos ver na foto acima. Vinhedos plantados em altura média de 150 a 200 metros.

SOLO

Muito pobre de matéria orgânica ideal para as videiras com suas poderosas raízes que descem mais de cinco metros para buscar os nutrientes necessários passando por várias camadas de solos melhorando aromas e qualidade da uva. Aliás, no dialeto local Apalta quer dizer solo pobre.

A máxima aqui se repete. Vinho bom é de videira que sofre.

CLIMA E O SEGREDO

Mediterrâneo típico com invernos suaves e verões quentes, ensolarados e secos. Os frios ventos que descem a Cordilheira dos Andes juntam-se aos gélidos ventos vindos do Pacífico por conta da corrente de Humboldt, a mais fria das correntes marinhas que tem início na Antártida e desembocam neste ponto do litoral chileno.

Vejam a figura.

CHILE COLCHAGUA MAPA

Os frios ventos ficam represados e refrescam os vinhedos mesmo nas noites mais quentes do verão. As uvas tintas como ali plantadas adoram este refresco noturno. As videiras não entram em estresse e retardam o amadurecimento dos frutos em mais de 15 dias. Fundamental para que as uvas tenham mais fixação de taninos, aromas e paladar. Uvas mais equilibradas são vinhos com a mínima interferência humana possível. Podemos dizer que Apalta possui um dos melhores microclimas do Chile para as uvas tintas como a Carménère, Syrah, Cabernet Sauvignon e Merlot.

São vinhos muito harmônicos em seus elementos principais: Álcool, taninos (corpo volume na boca) e acidez. São firmes, até mesmo potentes, porém sem perder a elegância e o frescor que a acidez traz.

O que posso reafirmar é que os vinhos de Apalta são vinho muito firmes, encorpados, impositivos, mas, sem perder a elegância. Algo raro. Como mantém bons níveis de acidez são excelentes vinhos para os pratos com carne vermelha com molhos mais gordurosos porque a acidez “limpa” a boca nos revivendo o prazer da harmonização.

Nada daqueles tintos pesados, alcoólicos e sem acidez, portanto desequilibrados.

Apalta é terra abençoada para bons vinhos.

Tão abençoada como a voz de Nat King Cole

 

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