Por que o nome Super-Toscano? O Tignanello 2008


ITÁLIA SUPER TOSCANO

Tignanello diz algo a vocês? Conhece a história dos vinhos Super toscanos? Porque este nome? Como eles quebraram preconceitos e paradigmas? Como revolucionaram uma região italiana voltada para vinhos sofríveis? Como revolucionaram uma região voltada para a pesca?

Aliás, revolucionaram toda uma legislação que em muitos países da Europa bloqueavam a “internacionalização” das uvas e, porque não dizer, dos vinhos. Se não conhece ou se conhece e quer agregar mais, continue a leitura.

Estes tempos apreciei um regalo de Deus como este Tignanello 2008. Aí resolvi escrever um pouco sobre a história do Tignanello e dos super-toscanos.

Antes vamos falar também do litoral da Toscana porque muitos ainda pensam que os super-toscanos são encontrados somente ali. Entretanto, eles estão espalhados por toda a Toscana.

Onde havia poucas décadas atrás várias colônia de pescadores, pequenas vilas medivais, Bolgheri é uma delas e alguns vinhos elaborados com a temperamental Sangiovese.

Bolgheri, Maremma, IGT, Super Toscano, hoje são palavras e nomes mais familiares, mas há uma década, não eram. A revolução foi tal que Bolgheri e Maremma no litoral da Toscana passaram de vilas, simples e esquecidas para a elite mundial de vinhos.

Graças aos vinhedos de Merlot, Syrah e Cabernet Sauvignon, isto mesmo, castas “franceses” em plena Itália. Sim, isto mesmo. O arqui-rival da Itália na disputa de maior produtor de vinhos.

Bem no litoral virado para o Mar Tirreno, quase divisa com o Mar da Ligúria. Bolgheri é uma das muitas vilas medievais da Toscana.

ITÁLIA BOLGHERI

Esta a famosa estrada que nos leva a vila que é um paraíso dos enófilos. A estrada dos ciprestes.

ITÁLIA BOLGHERI CIPRESTES

Depois Bolgheri e seus vinhedos.

ITÁLIA BOLGHERI VINHEDOS

Lá em cima o Castelo de Bolgheri, centro da vila.

Mas e os vinhos? E a revolução?

Pensem em se abastecer de jogadores da equipe mais rival de seu time? Que bela confusão. Pois assim foi com a chegada de uvas francesas como Merlot, Cabernet Sauvignon, as principais e em menor número a Syrah. Castas sabidamente bordalesas e francesas. Algo que os italianos puristas jamais pensariam.

Como plantar castas francesas em solo italiano? Nem pensar.

Aí para fugir das rígidas regras aplicadas à região da Toscana, mais precisamente ao seu vinho mais famoso, o Chianti, os visionários iniciaram o plantio das uvas bordalesas. No início esta ideia era vista com total desconfiança. Primeiro porque eram castas estrangeiras, depois porque plantadas numa região inusitada, muito perto do mar e onde não havia tradição vinhateira, até então.

Passado o tempo e hoje temos alguns dos ícones mundiais do vinho. Nomes como Sassicaia da Tenuta (Fazenda) San Guido,  Ornellaia e Tignanello ( o da foto de capa), entre outros, hoje são vinhos reconhecidos mundialmente.

Para nossa sorte e prazer estas castas bordalesas estão perfeitamente adaptadas a Toscana.

Mas as dificuldades continuavam. Como classificar o vinho produzido com castas estrangeiras? Lembrando que a rígida legislação impedia tal registro. De início colocavam no rótulo, vinho de mesa, apenas. Mas como vender este vinho, com esta classificação no exterior? Muito difícil. Vinho de mesa é a classificação mais ordinária que um vinho possa ter na Europa.

A solução foi colocar no rótulo IGT. Indicazione Geografica Tipica, algo como a dizer que não é um vinho de mesa, mas não pode receber as honrarias merecidas por ter na sua composição castas estrangeiras.

Por fim, hoje são chamados comercialmente de Super toscanos e legalmente de IGT – Indicazione Geografica Tipica.

O que dizer destes vinhos? Alguns são caríssimos outros nem tanto, mas todos são excelentes. Posso dizer que até hoje não encontrei um vinho desta região que não fosse cuidadosamente elaborado.

São vinhos elegantes, sedutores e mágicos. Eu não me apaixonei na primeira vista. Mas aos poucos foram me seduzindo aos poucos a tal ponto que não posso mais ficar sem eles. Hoje, felizmente, há vinhos desta região que são vendidos a preços mais acessíveis.

Este em especial um grande exemplo de super toscano. Feita pela mais do que centenária Antinori com vinhedos espalhados pelos melhores terroir da Itália. Aqui não poderia ser diferente. O Tignanello é um dos pioneiros na utilização de castas francesas em solo italiano. As uvas vêm do vinhedo com o mesmo nome,  no coração da Toscana, a região do Chianti, pouco mais de meia hora de carro ao sul da linda Florença.

Produzido com uvas do vinhedo com o mesmo nome tendo como uva mestra a temperamental Sangiovese que traz ao vinho a sua rusticidade característica por conta de seus taninos firmes em corte de maior proporção variando de safra a safra, mas não menos que 70% o restante dividido em proporções variáveis ano a ano de  Cabernet Sauvignon e  Cabernet Franc.

Este 2008 um corte de 80% Sangiovese, 15% de Cabernet Sauvignon e 5% de Franc com 12 meses de barrica de carvalho. Um vinho de cor vermelho rubi intensa, nariz de frutos vermelhos, algo de especiarias como noz moscada, baunilha e um leve tostado. Na boca a força e o vigor típico de uma Sangiovese, plena de taninos e acidez sem desagradar, porém bastante presente. Um belo vinho que foi acompanhado por um assado de ovelha.


Música?Charlie  Parker, The Bird, resolve.

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