Chianti – A Sangiovese, sua história e o galo negro


ITÁLIA CHIANTI

 Poderia dizer que na região metropolitana de Florença nascem as uvas que darão vida ao Chianti. O vinho cujo corte inicial foi criado pelo Sr. Ricasoli. Um corte de Sangiovese (75%), Canaiolo (15%) e a branca Malvasia (15%). Este o corte inicial. Depois este vinho sofreu altos e baixos.

Florença, capital da Toscana, sempre foi uma cidade dedicada às artes, à música e ao bom viver. Foi o epicentro italiano no Renascentismo, ali viveram e conviveram artistas do país inteiro e até do exterior. Dante Alighieri, Leonardo da Vinci, Michelangelo, entre outros. Esta turma governada pelos Medici prepararam a região para, digamos, as coisas belas da vida, entre elas o vinho.

CHIANTI PALHA

Tenho no Chianti uma história de vida. Desde que lembro de vinho tenho a imagem desta garrafa na cabeça. Inúmeras vezes a vi emoldurando restaurantes italianos em São Paulo. Já a qualidade deste vinho variou em muito. Desde os sofríveis até vinhos mágicos.

Infelizmente, a exemplo, dos Valpolicella, dos vinhos do Dão, dos vinhos Liebfraumilch “alemães”, dos roses, enfim, vinhos ordinários que povoavam os supermercados deste país, denegriram e muito a imagem destes clássicos.

Precisamos perder o preconceito em relação ao vinho que era vendido nesta época, aí por volta dos anos 80.

Bendita a abertura do país aos vinhos importados, lembro-me das pessoas que vinham do exterior e traziam os vinhos na mala como se fosse algo raro, como uma joia tal a dificuldade em consegui-los. Felizmente esta época se foi, hoje temos desde grandes até pequenos e abnegados importadores.

SANGIOVESE

A uva principal deste vinho rainha temperamental da Toscana. Nascida ali, no máximo migrou, na Itália, para as regiões vizinhas do centro do país. Fora da Itália, pontualmente, bons resultados. Mas é muito exigente necessita de um terroir bastante específico.

Já apreciei vinhos com esta casta que me fizeram caminhar nas nuvens, porém, outros me fizeram descer ao inferno, sem escalas.

Literalmente em Latim Saguis Jovis, Sangue de Júpiter. A grande uva do coração da Itália, Toscana, Umbria, Marche e Abruzzo, regiões que a tem como uva mestra.

Casta cultivada pelos primeiros povos da região, os Etruscos. Nos bons exemplares ela se apresenta um tanto mal humorada, algo de acidez e taninos, bem rústica, mas aí é que está seu charme. Normalmente não passa por barricas de carvalho preservando seu frescor e originalidade.

Mas ela é temperamental por quê? Como vegetal que é exige para que se desenvolva todo o seu esplendor determinada condições: Solo granítico bem drenado, altura em torno de 250 a 350 metros. Por exemplo a melhor área da região do Chianti está acima dos 400 metros, por isto ela já resmunga um pouco. Encontra em Montalcino, sudoeste o seu melhor local. Lá usa-se um clone chamado Brunello  a Sangiovese Grosso. Ali, sim altura média desejada, solo querido e condições climáticas ideais.

Fora de Montalcino é coluna dorsal dos Chianti com algum corte a escolha do produtor. Não fugindo muito aos corte original que vimos no início da publicação.

MAPA DA REGIÃO DO CHIANTI

CHIANTI WINE MAP

CLASSIFICAÇÃO DOS CHIANTI

São vinhos pouco longevos, apesar de serem elaborados com base na Sangiove, porém, levam outro tantos de uvas diminuem a carga de taninos da Sangiovese, aliás taninos, as vezes indomáveis. Lembrando que os taninos é que dão condições de envelhecimento com saúde para o vinho. Portanto, não é só querer que o vinho tenha a idade x ou y, mas sim de condições para tanto.

CHIANTI: Um Chianti simples, 06 meses de garrafa.

SUPERIORE: Até um ano de garrafa.

RISIERVA: O top da maioria dos produtores Dois anos de garrafa.

GRAN SELIZIONE: Idade acima de 2,5 anos e usado somente na região do Chianti Clássico.

E o galo nero estampado em no pescoço de algumas garrafas de Chianti?

Mas qual é a origem do Gallo Nero que hoje é tão famoso nas adegas do mundo inteiro?

A LENDA DO GALO NEGRO

Uma antiga lenda nos conta que na época das sangrentas lutas medievais entre Florença e Siena pela posse dessa famosa região do Chianti, senesi e fiorentini resolveram decidirem essa questão de uma forma muito curiosa.

Na verdade as duas cidades decidiram confiar a definição da fronteira através de uma prova entre dois cavalheiros: um com as cores de Florença e outro com as cores de Siena. Cada cavalheiro partiria da sua cidade ao cantar do galo e a fronteira Florença-Siena seria definida exatamente no ponto onde os dois cavalheiros se encontrassem no meio do caminho entre as duas cidades.

Siena escolheu um galo branco e empazinou o galo de muita comida convencido de que bem alimentado, o galo iria cantar mais alto na madrugada, enquanto os fiorentinos escolheram um galo preto o qual ficou sem alimentação.

No dia do julgamento, o galo negro de Florença, desesperado de  fome, começou a cantar mesmo antes do o sol nascer, e o galo branco de Siena, ainda estava dormindo, pelo simples motivo que ele ainda estava satisfeito com a barriguinha cheia.

O cavaleiro de Florença, com o canto do galo preto, começou imediatamente o galope, enquanto  Siena teve que esperar  muito tempo antes que o galo branco resolvesse cantar: O resultado do pacifico combate foi que os dois cavaleiros se  encontraram apenas 12 km dos muros de Siena, e assim a República de Florença  conquistou uma grande parte da Região do Chianti.

Vamos de um bom jazz.

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