Crémant – Nem só de champagne vive a França


CRÉMANT BOURGOGNE

Nem só de champagne vive a França. Há outras excelências em borbulhas que não podem ser chamadas de champagne. Levam o nome de Crémant.

São apenas  sete as regiões autorizadas a produzir Crémant: Rhône, Bordeaux, Borgonha, Alsácia, Jura, Languedoc e Loire.

Mínimo de nove meses de garrafa para a autólise utilizando-se o método Tradicional. De destacar que cada região possui o seu Crémant utilizando-se de técnicas e uvas locais. Cada qual com sua característica marcante. Alguns podem ter um sabor doce, mas também podem ser ligeiramente ácidos. Alguns têm fortes notas amadeiradas e outros não. Uma vez que são usadas uvas variadas nas diferentes regiões, o vinho Crémant tem um caráter muito próprio em cada zona.

Se observarmos as sete regiões veremos que estão espalhadas por todo o país. Jura, Borgonha e Alsácia no oeste e nordeste. Bordeaux a leste, Loire no centro e Rhône e Languedoc ao sul.

FRANÇA WINE MAP 1

Embora a maioria dos Crémants seja branca, existe uma clara tendência para o uso de vinho rosé como base. O resultado é um Crémant fresco, vivo e refrescante, com um teor de álcool moderado que ronda os 12% e que, quando servido na temperatura certa é delícia garantida.

CRÉMANT D’ALSACE

Crémant d’Alsace é feito com as uva tradicionais da Alsácia em varietal ou blend (corte). O tradicional Crémant d’Alsace é feito com a Pinot Blanc. A Riesling traz notas mais ácidas e frutados, a Pinot GrisPinot Grigio para os italianos) riqueza e volume.

O Crémant d’Alsace Rosé é elaborado com Pinot Noir. Vinificado em branco, que leva o nome de “Blanc de Noirs”. Sempre a partir de vinhas classificadas AOC Crémant d’Alsace, as uvas são colhidas no início da abertura da vindima, para obter uvas maduras mas, que ainda mantenham altos índices de acidez.

Os Crémants são elaborados pelo método Tradicional com, no mínimo 12 meses de garrafa.

CRÉMANT DE BOURGOGNE

Elaborados pelo método Tradicional, também, mínimo 12 meses de autólise, isto é, de garrafa com as leveduras. Podem ser seco (brut) ou demi-sec.

Já a Borgonha, terra e berço da Chardonnay e da Pinot Noir em geral a elaboram no corte tradicional, Chardonnay e Pinot Noir vinificada em branco, isto é sem o contato com as cascas o chamado Blanc de Noir.

Branco geralmente se veste de uma cor de ouro branco. A bolha é fina e formar um colar de pérolas delicado. Os aromas de citrinos, frescor floral e mineral e elegância acompanhar o paladar com uma acidez que permite o equilíbrio entre o poder aromático e a leveza desejada. Aromas de flores brancas perfumadas, frutas cítricas e maçã verde. Com o tempo, os aromas evoluem em notas de frutas de caroço, como damasco, pêssego e torradas.

Os blanc de noirs exalam aromas de baga, cereja, groselha e framboesa. Este é um poderoso vinho na boca, longo e persistente. O tempo traz seu charme e calor seco aromas de fruta, por vezes, mel, especiarias e noz-moscada.

O rosé feito a partir de Pinot Noir, com ou sem Gamay. É um vinho delicado com aromas sutis de frutas vermelhas.

CRÉMANT DU LOIRE

O mais interessante deles que muitas vezes rivalizam com os champagnes não safrados é o Crémant do Loire.

No Loire médio, no leste da cidade principal, Tours, estão as comunas de Vouvray e Montlouis.

Ali nasce a maravilhosa Chenin Blanc, extremamente versátil, produz vinhos brancos de corpo médio, jovens, alegres, de acidez média, frutados e aromáticos. Produz, vinhos secos, semi-doces, doces e espumantes. E em condições especiais os vinhos botritizados. Aqueles atacados pela podridão nobre a Botritys Cinerea.

E também responsável pelo Crémant da região. Em alguns casos entram em cena a Chardonnay e as Cabernet Franc, nativa do Loire em Chinon e a Sauvignon quando a intenção é o Crémant rose.

Elaboradas pelo método Tradicional, com um mínimo de 12 meses de autólise, isto é, fermentação na garrafa.

Caracterizado pela sua cor elegante com reflexos rosa ou salmão com bolhas finas é perfeito para um aperitivo ou para terminar a refeição. Surpreende pelo seu frescor e aromas cítricos e quando envelhecidos mel, damasco e nozes.

CRÉMANT DU JURA

No leste Francês entre a fronteira da Suíça e a Borgonha em Franche-Comte está à pequena região do Jura.

 Clima muito frio no inverno e com verões curtos as vinhas são plantadas em região montanhosa algo em torno de 300 a 500 metros de altura criando vários microclimas que favorecem as castas locais. Além delas planta-se a Pinot Noir e a Chardonnay, além é claro, da nativa Savagnin.

Desde sempre a região foi produtora de vinhos de qualidade. Plinio, o jovem, já a citava em seus escritos.

O Crèmant du Jura pode ser obtido em qualquer uma cinco das regiões demarcadas. É um vinho espumante pelo métodoTtradicional, isto é, a segunda fermentação na garrafa e utilizam-se a tinta Poulsard, Pinot Noir e Troussard  e/ou as brancas Chardonnay e Savagnin.

Para Crémant du Jura branco que perfaz mais de 90% da produção a Chardonnay deve representar pelo menos 50% do vinho de base. Para Crémant rosé do Jura as tintas Poulsard e Pinot Noir também devem representar pelo menos 50% do vinho de base.

As uvas, colhidas à mão transportadas em caixas abertas e com os cachos inteiros. Desde sua criação em 1995, a produção de Crémant du Jura aumentou de forma constante a cerca de 26% do total da produção AOC Jura ou 20 000 hectolitros por ano, em média.

De cor amarelo claro com brilhante emoldurado pela dança das bolhas finas e brilhantes. No nariz oferece toda a sua intensidade em notas florais acompanhado por aromas de frutas de polpa branca comoa maçã fresca e uma ponta de biscoito torrado. Na boca uma mousse de bolhas finas que estouraram no palato. Garantia sentimento festivo, reforçada pelos aromas frutados.

 CRÉMANT DU RHÔNE

Também conhecido por Crémant de Die.  É um vinho espumante produzido na mesma denominação da AOC Clairette de Die, as vinhas de Diois, no sudoeste de Valencia.

O Crémant de Die é elaborado apenas a partir de Clairette, variedade de uva emblemática local, e estão sujeitas a uma fermentação tipo Charmat em tanques e depois engarrafadas e dormem em caves frias.

Crémant de Die é de cor ouro pálida com uma espuma fina e leve. É um elegante  espumante de grande frescor  na boca, aromas de frutos verdes e notas amanteigadas.

CRÉMANT DE BORDEAUX

 Região demarcada desde 1990, o Crémant de Bordeaux é um vinho espumante, também elaborado pelo método Tradicional. Anteriormente chamado de espumante Bordeaux, este nome segue uma longa tradição de desenvolver vinhos espumantes em toda a região.

As galerias escavadas nas encostas do rio Garonne com alto teor de umidade e baixa amplitude térmica são condições ideais para a segunda fermentação e envelhecimento dos espumantes e são utilizadas desde o final do século 19.

A área de denominação é delimitada por todos os vinhedos de Bordeaux. Os vinhos de base devem ser produzidos na denominação Bordeaux e variedades de uva são as de Bordeaux. Geralmente branco o Crémant de Bordeaux pode ser tão róseo.

Crémant de Bordeaux branco tem cor amarelo pálido. O rosé Crémant vestido em rosa pálido com destaques alaranjados. No nariz estes vinhos revelam um nariz elegante, com notas de frutas cítricas, flores brancas e frutas secas. O envelhecimento sobre as borras enriquece seu bouquet que se desenvolve em brioche e manteiga. O nariz do rose aromas florais misturados com sabores de frutas vermelhas. No paladar dos brancos a Sauvignon Blanc e a Semillon fornecem frescor e elegância. Nos roses o paladar é mais  denso e austero.

 CRÉMANT DU LANGUEDOC

Em Limoux na subida dos Pirineus, mesmo um lugar quente e ensolarado há plenas condições para que se plante a Mauzac (uva fundamental) do vinho espumante.

Limoux de Minervois bem alto já nos médios Pirineus. Com seus vinhedos plantados em 300 metros de altura, recebendo do frio todas as vantagens para produzir o que o Languedoc pode produzir de vinhos brancos e espumantes. Não se esqueçam as uvas brancas adoram o frio, principalmente nas noites de verão o que retardam seu amadurecimento, diminuem a quantidade de açúcar e mantém a acidez elevada.

Aqui são plantadas as tradicionais brancas, como Chardonnay, Chenin Blanc e a nativa Mauzac. Uva branca nativa do sudoeste na cidade de  Gailac. Aromática com acidez firme. Entra nos cortes dos vinhos doces de Gailac ou nos espumantes de Limoux (Languedoc) os famosos Blanquet du Limoux onde traz a acidez necessária a um bom espumante. Tem a versão Mauzac tinta e rose (mutação) da branca. Raras e utilizadas somente em casos especiais com vinhos locais.

Hoje em maior quantidade a Chenin Blanc e a Chardonnay.

Pois bem, esqueçam a lenda de Dom Pérignon que não estava querendo as bolhas, mas sim, eliminá-las, muito antes, nesta Abadia Beneditina de Saint-Hilaire os monges de lá conseguiram encapsular o Co2 formado pela fermentação espontânea.

ABADIA DE SAINT HILAIRE

 Nesta Abadia em 1513, segundo os relatos registrados e, claro, sem intenção alguma, o monge responsável pela elaboração dos vinhos verificou uma nova fermentação na garrafa advinda das leveduras ainda restantes, mesmo que este vinho estivesse lacrado com a devida rolha. Ali, muito antes de Champagne se tornar região produtora por excelência o mundo conhecia o espumante.

Há registros na Abadia. Em 1544 Sr Arques pede Blanquette para celebrar suas  vitórias. Em 1584 o Duque de Joyeuse brindam com Blanquette. O principal deles um documento de 1794 dando como bebida conhecida em todo o país a Blanquette de Limoux.

Lembrando que o espumante é um vinho base que sofreu uma única fermentação, método Ancestral ou a segunda fermentação pelo método Charmat ou pelo sistema tradicional ou Champenoise. 

Hoje o espumante da região é dividido assim:

BLANQUETE MÉTODO ANCESTRAL

Um espumante elaborado com uma única casta, a Mauzac numa única fermentação, nos trazendo um vinho mais leve, algo em torno de 7 G/L ligeiramente frisante e engarrafado na primeira lua de março. Após 8 meses pode ser comercializado.

BLANQUETTE MÉTODO TRADICIONAL

Um espumante com no mínimo 90% de Mauzac e os outros 10% divididos entre a Chardonnay e a Chenin Blanc. Com um mínimo de 9 meses de espera em garrafa.

CRÉMANT DE LIMOUX

Lembrando que Crémant é o nome dado aos espumantes franceses que estão fora da região demarcada de Champagne. Assim temos o Crémant d’Alsacie, de Borgonha e assim por diante. Pois o de Limoux é composto de no mínimo 60% de Mauzac e o restante entre Chardonnay e Chenin Blanc a gosto do produtor.

Assim surge o nascimento das borbulhas.

Peterson e Basie qual dos dois?

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