Vale do Loire – Berço da Chenin Blanc e Cabernet Franc querem mais?


FRANÇA LOIRE SANCERRE

Com a imagem ao fundo de Sancerre, cidade medieval que empresta seu nome a um dos terroir mais espetaculares para Sauvignon Blanc vamos falar daquele que eu considero a mais genial de todas as regiões vinhateiras no mundo. Sei que há regiões que pontualmente nos trazem vinhos muito melhores, porém, em quantidade, qualidade, preço e variedade, ninguém bate o Vale do Loire.

E, para o meu gosto, a esmagadora maioria não passam por barricas. São unoaked wines.

O vale do Loire, região de aproximadamente 400 quilômetros de extensão, cerca de 200 quilômetros ao sul de Paris, tendo como fio condutor o rio Loire com pouco mais de 1.000 quilômetros é o mais extenso do país. Inicia na fronteira da afamada Borgonha e vai desembocar no Atlântico, em Nantes.

A facilidade de transporte fluvial e portuária da principal cidade sempre influenciou a região. Sua vocação vinhateira vem desde os idos tempos, seus vinhos, consumidos na capital ou exportados para o Reino Unido, Bélgica e Holanda.

Há várias cidades medievais, ao melhor estilo alsaciano, com os vinhedos batendo nas janelas das casas ou plantados ao redor dos Mosteiros e Conventos. Aliás, os monges foram os grandes responsáveis pelo que, hoje, a região representa para o vinho.

Região turística das mais importantes da França, conhecida pelos seus castelos e vilarejos banhadas pelo maior e mais famoso rio da França.

Hoje caiu nas graças dos enófilos e sommeliers aqui produz-se os mais variados estilos de vinhos. Desde os licorosos até os espumantes (Crémant) passando pelos vinhos tranquilos, sejam eles, tintos, brancos ou roses.

Vinhos para todos os estilos, brancos, roses, tintos, espumantes e vinhos doces, do mais simples ao sofisticado, do seco ao ácido, do leve ao encorpado, há vinhos para todos os gostos.

Os brancos dominam a região, com quase 60% da área plantada, castas como Cabernet Franc e Chenin Blanc, entre outras, nativas da região o resto divide-se em espumantes, roses e tintos e os licorosos.

Vamos falar da versátil Chenin Blanc que nos brinda com espumantes, vinhos brancos encorpados e aromáticos, vinhos de sobremesa e, em condições climáticas especiais os Botrtytizados aqueles atacados pela podridão nobre. Um fungo que ataca as uvas desidratando-as naturalmente, ao final temos um magnífico vinho doce. Os exemplos mais conhecidos são Sauternes, Bordeaux, França e Tokaj (Hungria).

Vamos encontrar a Chardonnay em grande estilo, mesmo sendo nativa da vizinha Borgonha, aqui também, se apresenta muito bem. Temos a Cabernet Franc, com berço em Chinon aqui no Loire, em variados estilos de vinhos, desde os tintos encorpados, aos de médio corpo e os roses.

Enfim, vamos explorar as suas regiões, como Loire Central, Saumur, Touraine, Anjou, Pays Nantais e suas principais sub-regiões.

FRANÇA LOIRE WINE MAP

LOIRE CENTRAL

Assim chamado porque representa o centro geográfico da França, mas no extremo leste do Vale do Loire e abriga o berço adotivo da Sauvignon Blanc. Esta casta nativa de Bordeaux, França, no oeste, quase sudoeste do país onde faz corte com a Semillón para os famosos vinhos botrityzados como o Sauternes. Vinificada, também, em estilo vinho tranquilo.

Encontrou nos solos calcários e clima condições únicas de nos trazer um vinho muito especial.

A região divide-se nas seguintes sub-regiões.

 SANCERRE 

Começamos a viajem pelo Loire do leste ao oeste, da vizinha Borgonha até o oceano Atlântico em Nantes.

Sancerre situada no lado esquerdo do rio loire. Linda cidade e berço adotivo da Sauvignon Blanc. A medieval vila não teria a repercussão mundial não fosse a qualidade incontestável dos vinhos que estampam Sancerre em seus rótulos e elaborados 100% da melhor Sauvignon Blanc.

Esta casta, ao contrário da sua vizinha Pinot Noir (Borgonha), se dá bem em quase todas as regiões do mundo que lhe oferecem verões amenos e invernos frios. Da Nova Zelândia ao Uruguai, passando pelos vinhos de altura da serra catarinense, Brasil, esta casta produz excelentes exemplares.

Mas nada se compara ao produzido na região de Sancerre e Pouilly-Fumé, outra sub-região do Loire Central.  São feitos por pequenos produtores, brancos secos, minerais, aromas de frutas secas e nozes. Na boca acidez marcante, quase crocante, vão muito bem com frutos do mar e pratos leves. Mas inesquecíveis com os queijos de cabra o Chèvre (cabra em francês).

O clima continental é o ideal para o desenvolvimento desta casta.

Algo de Pinot Noir vinificado em tinto ou rose também há por cá.

Mas os inesquecíveis Sancerre (100%) Sauvignon Blanc são especiais. De cor amarelo palha. Nariz de frutos brancos a cítricos com algo de herbáceo. Na boca crocantes, acidez ideal e muito refrescantes.

Acompanhamento com frutos do mar, ostras, saladas leves e, principalmente com queijo de cabra, muito comum na região.

POUILLY-FUMÉ

FRANÇA POUYLLY-FUMÉ

Sub-região do Loire Central situada no lado direito do rio Loire e vizinha a Sancerre. Tem, também, na Sauvignon Blanc sua uva mestra. Porém, os seus vinhos são diferentes.

Seus brancos elaborados com a Sauvignon Blanc tem um toque aromático mineral, algo que chamam de pedra de isqueiro. Eu prefiro entender como minerais, algo quando há chuva leve em solo quente.

Outra grande diferença é que somente brancos são produzidos. As uvas são a Sauvignon Blanc e a Chasselas.

Acompanhamento pede algo mais encorpado que frutos do mar. Arrisco um Salmão, Garoupa e, até mesmo, carne de porco.

QUINCY

Novamente a Sauvignon Blanc dominando os vinhedos. Interessante o nome Quincy. Ele deriva do antigo tempo que os Romanos andavam por estes lados. Quincy vem de Quintius, Dominio de Quintius, o vinho era apreciado e as vinhas plantadas desde o tempo da tribo Celta Bituriges com forte presença na Borgonha e Loire.

Localizada na margem esquerda do rio Cher, afluente do rio Loire.

Aqui, com clima ligeiramente mais quente nos dias de verão e uma queda na temperatura a noite, os vinhos elaborados com a Sauvignon Blanc são mais picantes que os de outras regiões. Produção pequena é quase todos consumidos na Europa e exportados para poucos países.

As outras sub-regiões: Menetou-Salon e Vierzon, seguem os estilos de Sauvignon Blanc de Quincy com a abertura do leque para alguns Pinot Noir em tinto e rose.

 REULLY

Mais a oeste, já na fronteira com outra região produtora, Tourraine, Reully produz vinhos a semelhança dos Sancerre. Mais baratos sem perder a qualidade. Temos também bons roses e tintos de Pinot Noir.

Com clima continental mais marcante é a região mais quente e ensolarada no verão. Noites e dias com pouca chuva e alguma diferença de temperatura entre dia e noite. Favorecendo a tinta Pinot Noir e as brancas Sauvignon Blanc e a Pinot Gris, sim ela mesmo a Pinot Grigio para os italianos e a Grauburgunder para os alemães.

 CHÂTEAUMEILLANT

Em contrapartida, Châteaumeillant, aos pés do Maciço Central, uma região de planaltos e planícies que toma conta da região central do país. Altura média de 700 metros alcançando o pico de 1.900 metros em Puy de Sancy.

Os vinhedos mais altos do Loire Central e por consequência os mais frios. Mais picos de frios no inverno e no verão dias quentes com noites mais frias. A lenta maturação das uvas nos trazem colheitas mais tardias com mais concentração de aromas e sabores.

Por conta deste clima é terra de tintos e roses. Aqui a Pinot Noir e a Gamay dão conta do recado.

 TOURAINE

A região central do vale do Loire é responsável pelos tintos da região. Brancos especiais e a Crémant de Loire. Uma das sete regiões na França autorizadas a este tipo de vinho. Um espumante com as técnicas de elaboração dos Champagnes, ou seja, segunda fermentação na garrafa.

Elaborados com Chenin Blanc, em sua grande maioria ou a Chardonnay nas brancas e nas roses com a Cabernet Franc e a Sauvignon, nas sub-regiões de Touraine e Vouvray.

Uvas como a Chenin Blanc, Chardonnay e Sauvignon Blanc e as tintas Cabernet Franc, Pinot Noir, Gamay.

Clima continental na parte mais a leste e o marítimo na parte mais oeste.

CHINON

As apelações de Chinon, Bourgueil e Saint Nicolas-de-Borgueil. São tintos de médio corpo, frutados, jovens e refrescantes. Produzidos com a Cabernet Franc. Seu estilo lembra os vinhos do mediterrâneo.

Chinon é a maior das três apelações e está às margens do Loire e de seu afluente Vienne.

De clima mediterrâneo, os vinhedos estão localizados as margens do rio Vienne.

Suave e sedutor assim é o vinho tinto de Chinon. Daqueles vinhos companheiros para momentos íntimos onde podemos ouvir uma boa música e ler um bom livro.

 A Franc saiu do Loire e foi para Bordeaux onde junto com a Merlot e a Cabernet Sauvignon formam o trio de ouro bordalês. Traz aos vinhos de Bordeaux, perfume e especiarias. Uma espécie de fiel da balança algo como um baixo no jazz parece invisível, mas sem ela não haveria a o corte bordalês.

Sem esquecer que junto com a Sauvignon Blanc são os “pais” da Cabernet Sauvignon.

VOUVRAY

FRANÇA LOIRE VOUVRAY

Nas outras cidades do Loire médio, no leste da cidade principal, Tours, estão as apelações de Vouvray e Montlouis.

Ali nasce a maravilhosa Chenin Blanc, extremamente versátil, produz vinhos brancos de corpo médio, jovens, alegres, de acidez média, frutados e aromáticos. Produz, vinhos secos, semi-doces, doces e espumantes. E em condições especiais os vinhos botritizados. Aqueles atacados pela podridão nobre a Botritys Cinerea.

MAINE-ET-LOIRE

Em Pays de la Loire. A proximidade do Atlântico nos oferece outro clima, mais fresco no verão e um pouco menos rigoroso no inverno, ideal para a Chenin Blanc, que encontra em Savennères, vinhedo da foto, sua localização predileta, além, é claro de Vouvray, como vimos.

Dali saem vinhos brancos minerais, aromáticos, encorpados e de grande persistência e retrogosto. Aqui os Chenin precisam de pelo menos uns três anos de garrafa para desenvolverem seu potencial.

Em Anjou são produzidos vinhos brancos e tintos. Os brancos predominantemente feitos de Chenin Blanc, Chardonnay e Sauvignon Blanc. Os tintos, inevitavelmente de Cabernet Franc.

Os roses são um capítulo a parte. Os Roses D’Anjou vão desde os bem secos até o meio doces.

Importante destacar o Crémant de Loire, o espumante (Crémant) os melhores são produzidos pelo método tradicional (Champenoise) em Saumur e Vouvray em Touraine. Os de Saumur são feitos de Chenin Blanc, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Cabernet Franc.

NANTES

Aqui termina a viagem pelo Loire. No extremo oeste muito próximo do Atlântico recebendo a total influência marítima tendo invernos fortes e verões amenos nasce e cresce a Melon de Bourgogne, hoje chamada de Muscadet que também é o nome da região e suas sub-regiões.

Os vinhedos estão à volta da cidade mestra da região, Nantes. São divididas em quatro appellations: Muscadet  Sèvre et Maine, a maior e mais produtiva delas, Muscadet Coteaux de la Loire, Muscadet Côtes de Gradlieu e a última para vinhos mais comuns a Muscadet.

A Melon de Borgogne é uma casta que produz um vinho branco, refrescante, acidez média, aromático e ideal para acompanhar os pratos da regiões, baseados em frutos do mar.

Uma característica destes vinhos é que eles são vinificados sur lie isto é sobre o leito, sobre as leveduras. Aí ficam nos barris por seis meses e são engarrafados sem retirá-las.

Desta maneira obtém-se um vinho mais agradável, com aromas que puxam para uma padaria, um pão quentinho, em face da fermentação das leveduras.

 Fiquem com a técnica do Battonage sur Lie

 

 

 

 

 

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