Vin Santo. A história do vinho passa por ele


VIN SANTO

A secar estão as uvas que farão parte de um especial vinho de sobremesa da Toscana, Itália. O Vin Santo. Veremos suas qualidades e, principalmente, sua linda história.

O Vinho Santo elaborado com uvas desidratadas, em especial a Malvasia e, em menos proporção, a Trebbiano, nos brancos. Há os rosados feitos com a Sangiovese. Todos elaborados com uvas desidratadas como as da foto acima.

Antes de sabermos detalhes de elaboração, vamos para a história deste vinho.

O nome Vinho Santo vem de duas razões específicas. O berço da técnica de elaboração e uva principal, a Malvasia e a sua utilização nas missas celebradas pela Igreja Ortodoxa.

A origem do vinho e da uva são de Santo(rini) na ilha de Creta.

Os gregos é que iniciaram o consumo diário da bebida, tanto como remédio, prazer e devoção ao Deus Dionyssus, filho de Zeus e Semeli. Assim com os Romanos a ideia de devoção ao Deus do vinho somente trocou o nome para Baco e cada canto da Europa dominada por eles tinha algum resquício destas festas e dos vinhedos a ele dedicados.

Data do século 3 A.C os primeiros vestígios de equipamentos, lagares e outros utensílios utilizados para a produção do vinho na Grécia, na ilha de Creta.

E também foram os primeiros exportadores do líquido precioso em ânforas lacradas. Foram encontradas algumas destas ânforas em Pompéia.

Uvas tidas como italianas, na verdade sempre foram gregas, como as Malvasia, as Moscatéis, Aglianico e Grego di Tuffo.

Depois as Cruzadas, as viagens da Seda, enfim, os vinhos gregos foram se alocando em todas as partes da Europa vinhateira.

A origem da Malvasia, uva mestra na elaboração do Vin Santo, uva bastante comum na Europa mediterrânea, nas ilhas de Portugal e no Brasil, tem sua origem na cidade fortaleza de Monemvassia, no sul da região do Peloponeso, ali existia um vinho doce com esta uva. Os Venezinos, senhores absolutos do Mare Nostrom (Mediterrâneo) vendiam este vinho na Europa. Depois, antes da derrocada do império comercial do Mediterrâneo, trouxeram esta casta para Itália e continuaram a produzir este vinho.

O Vin Santo, vinho era elaborado com uvas desidratadas no vento. Vinho típico de Santorini.

Um show da natureza. Pensem em verões que passam facilmente dos 40 Graus Celsius. Ventos fortíssimos e quentes quase todo ano Escassez de água, solos vulcânicos e pedregosos.

É de imaginar que nenhum vinhedos aguentaria tamanho esforço. Pois bem, ali há vida.

São vinhedos plantados perto do mar, nas encostas, baías e ilhas. Predominantemente com uvas brancas nativas. A Assyrtiko é a chave para o sucesso. Rude, firme e única. Resposta da natureza para tamanha adversidade.

Mas como seria a proteção das uvas a estas adversidades?

GRÉCIA SANTORINI TERROIR

As uvas vem destes vinhedos em forma de ninhos para a proteção dos cachos devidos aos ventos fortes e ao sol inclemente.

Mas e o Vin Santo?

Na Igreja Ortodoxa, Igrejas independentes e não estão sob o comando do Vaticano, mas são ligadas na doutrina, na comunhão eclesiástica e no ritual. A celebração da missa e sacramentos é idêntica, variando apenas os cantos, a arquitetura dos templos, a arte iconográfica e a forma da cruz.

É exatamente aí que reside a importância histórica deste vinho. Ela era o vinho da comunhão na Igreja Ortodoxa. Por isto, também, chamado de Vin Santo.

Com o domínio do Império Otomano, os turcos no poder incentivaram a produção do vinho elaborado em Santorini, vinho doce feito a partir de uvas secas e os vendia para a Rússia, onde se tornou um dos principais vinho na celebração da Missa da Igreja Ortodoxa Russa.

Como é elaborado?

As uvas são postas a secar ao vento em lugar com baixa umidade e assim ficam até se perderem água e ganhar açúcar, quando, então são vinificadas normalmente. Depois vão para as barricas estagiar por 03 a 10 anos dependendo das uvas e estilo de vinho que se almeja.

As madeiras utilizadas pelos produtores vão nos trazer diferentes vinhos. Se de carvalho, nogueira ou outra madeira ou mesmo parte de cada vinificação em cada barrica, enfim, a mão do enólogo está sempre presente.

O estilo e as cores variam de acordo com a desidratação, as uvas e as barricas utilizadas.

Os mais variados estilos de Vin Santo estão espalhados pela Toscana em diferentes DOC. O que não vale é torcer o nariz por ser vinho doce e perder esta maravilha, seja na Toscana, seja em alguma loja especializada.

Vinhos doces são meditativos, assim como esta peça de Schubert.

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