Tannat – De gata borralheira a princesa


UVA TANNAT

A Tannat desprezada em sua região de origem, Madiran, sudoeste francês, quase fronteira com a Espanha.

Lá produz um vinho com muito tanino, vinho duro e, nem de longe lembra o esplendor alcançado no Uruguai e  sul do Brasil (Rio Grande do Sul).

Lá até pode-se até dizer que se trata de uma gata borralheira.

Esta casta veio na mala de um imigrante basco que aportou no Uruguai

Chegou no Uruguai. Caneloles, na grande Montevidéo há a maior área plantada desta casta. O clima muito semelhante ao de Madiran ajudou bastante a desenvolver o crescimento e o esplendor desta uva que hoje é o ícone uruguaio

Porém, com o máximo respeito as posições contrárias entendo que o melhor Tannat não é desta região, mas sim, 400 quilômetros ao norte, bem perto da fronteira com o Brasil.

Ele está em Rivera, no Cerro do Chapéu, na Bodega Juan Carrau. Solos pobres, pedregosos, com ótima drenagem e  numa altura média de 300 metros com excelente insolação no verão somado aos dias quentes e noites amenas era tudo que esta casta queria.

É o Tannat Amat.

AMAT

A sua imensa carga de taninos, característica fundamental desta uva recebe a dosagem certa de sol no final da maturação. Uma Tannat perfeitamente madura com belos índices de açúcar nos trarão uma uva perfeitamente equilibrada para que possamos elaborar um excepcional e longevo vinho.

A Bodega Carrau conseguiu com perfeição esta obra prima. O início da vinificação é pelo sistema de maceração carbônica que dura 12 dias. 

Macerar na arte de produzir vinhos é deixar as cascas tintas em contato com o mosto (suco da uva, cascas e sementes) de cor cristalina. Daí a dizer que se faz vinho branco de uva tinta, mas o contrário, não. Com a maceração os tintos ganham cor.

Para a maceração carbônica, necessariamente, teremos um tanque com redução de oxigênio, diz-se quase a zero, porém com quantidades razoáveis de C02. Os grãos, ao contrário do sistema normal, não são esmagados, mas sim, sobrepostos neste tanque. Inicia-se a fermentação intracelular e os bagos das uvas incham e explodem. O peso de sobreposição das uvas, somado ao C02 da fermentação das uvas nos trará um mosto adequado para continuidade da elaboração do vinho

No final da vinificação passam por barricas de carvalho francês e americano na proporção de 50% cada por 18 meses e sobre as borras, Sur Lie ou sobre o leito

No final temos um vinho com aromas de ameixa, cereja e algo de couro com um toque defumado ao fundo. Na boca denso, encorpado e sedoso, muito sedoso pela qualidade das uvas, processo de vinificação e barricas nas quais estagiou mais o tempo necessário de descanso em barricas. Taninos perfeitamente domados.

Um vinho que já deveria vir com um pernil de ovelha e a receita no bolso. Casamento perfeito com as parrillas  uruguaias

Nada como ouvir Cesar Passarinho sendo acompanhado por Borghetinho. Abre a gaita seu gaiteiro. Que vamos de Amat e um pernil de ovelha.

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