5 Dicas para quem está cansado o império da Chardonnay


UVA MELON DE BOURGNE

Gosta de vinhos brancos? Cansado da hegemonia da Chardonnay? Só tem a Sauvignon Blanc como opção?

Tenho duas notícias e uma afirmação antes de passar 4 dicas de vinhos brancos dos quais eu sou mais do que fiel fã.

A primeira notícia é que o império da Chardonnay não vai terminar tão cedo. Não há uva tão adaptável e versátil quanto ela. A segunda notícia é que há muita vida inteligente fora do reinado dela.

A afirmação é: Assim como na vida quem segue os mesmos caminhos chega nos mesmos lugares. Não há evolução, surpresa e conhecimento.

MUSCADETT

Vou começar por um dos vinhos que mais gosto nos dias quentes de verão. São simples e agradáveis sem perder o charme. São os vinhos produzidos em Nantes, no deságue do rio Loire no Atlântico. Esta uva aí da foto a acima a Melon de Bourgogne.

 

O Vale do Loire. Para mim uma referência e, porque não, uma reverência aos variados terroirs e vinhos espetaculares que temos aqui. Com mais detalhes no ebook que escrevi sobre os vinhos da França.

Mas de volta ao tema e a Melon de Bourgogne.

No extremo oeste muito próximo do Atlântico recebendo a total influência marítima tendo invernos fortes e verões amenos nasce e cresce a Melon de Bourgogne, hoje chamada de Muscadet que também é o nome da região e suas sub-regições.

Os vinhedos estão à volta da principal cidade, Nantes. São divididas em quatro appellations: Muscadet  Sèvre et Maine, a maior e mais produtiva delas, Muscadet Coteaux de la Loire, Muscadet Côtes de Gradlieu e a última para vinhos mais comuns a Muscadet.

A Melon de Bourgogne é uma casta que produz um vinho branco, refrescante, acidez média, aromático e ideal para acompanhar os pratos da regiões baseados em frutos do mar.

Uma característica destes vinhos é que alguns deles são vinificados sur lie isto é sobre o leito das leveduras. Aí ficam nos barris por seis meses e são engarrafados sem retirá-las.

Desta maneira obtém-se um vinho mais agradável, com aromas que puxam para uma padaria, um pão quentinho, em face da fermentação das leveduras.

 

BIERZO – GODELLO

 

A região de Bierzo, Espanha é puro charme. Temos um tinto com a Mencía, chamada no Dão, Portugal de Jaen e a branca Godello, no Minho, região dos Vinhos Verdes a conhecem por Gouveio.

Denominação de Origem da Província de Léon, extremo noroeste espanhol. Vizinha a Galícia. Ao norte as Províncias galegas de Ourenso, Lugo e Oviedo. Ao sul, na Província de Léon, La Montaña, la Cabrera e la Meseta.

Bierzo como denominação de origem é nova, por volta do final dos anos 80. Ali estão autorizadas somente três uvas, a tinta Mencía e as brancas Godello e Doña Blanca.

Nos tempos mais recentes não havia nada que se destacasse nos vinhos da região. Quase toda a produção era para consumo local ou vendida para a Galícia. Vinhos simples, suaves e granel.

Até que na década de 90 foi redescoberta. Mas com uma diferença, mantiveram os proprietários seus vinhedos antigos. Muitas vinhas com mais de 50 anos. Nada de renderem-se à especulação desenfreada.

Lembrando que vinhas antigas com mais de 40 anos produzem muito menos cachos por braços. Por outro lado são uvas muito mais equilibradas. Em média um pé de vinha antiga produz 1 quilo de uva ou uma garrafa de vinho.

Resultado? A reformulação dos vinhedos em grande parte foi feita sem a erradicação das videiras antigas. Novas formas de condução e plantio e, principalmente o destaque a duas uvas uma branca, a Godello (Gouveio) para os portugueses e a Mencía, também chamada em Portugal de Jaen colocaram a pequena Bierzo no mapa do mundo vitivinícola.

O clima, ainda sob influência do Atlântico traz boa quantidade de humidade, chuvas na medida correta. Nos dias finais de maturação os verões são quentes e secos com diferença entre dia e noite. Altura média dos vinhedos em torno de 500 a 600 metros. Tudo o que a uva precisa para uma lenta maturação da dos frutos. A tinta Mencía adora. Já a branca Godello nos brinda com vinhos de acidez refrescante e bastante aromáticos.

Vejam a foto deste vinhedo de Mencía, vinhedos muito antigos, plantados em ladeiras aproveitando os micro climas e as temperaturas mais elevadas, eis que a região é muito fria, mesmo no verão, principalmente a noite.

 

Uva nativa da Galícia, que por aqui com grande sucesso. Quase extinta na década de 70, hoje é a menina dos olhos de muitos produtores da Galícia. Seus vinhos tem acidez necessária para nos trazer frescor, aromas de frutos de polpa branca, maçã, pera, algo de pêssego. Minerais em razão do solo de ardósia.

São vinhos brancos que devem, necessariamente, ser conhecidos. Com um pouco de calma em boas importadoras certamente vais encontrá-lo. Não perca a oportunidade de ampliar seus conhecimentos enogastronômicos.

Pensem em peixes não gordurosos, pratos baseados em camarão, ostras, mariscos e outras tantas delícias que os pratos leves no verão nos trazem.

TORRONTÉS

Na Galícia (Espanha), seu berço, vem ao estilo da Tannat em Madiran (França) e da Malbec em Cahors (França), sendo repaginada, remoçada.

A Torrontés vinda do noroeste da Espanha na mala de algum imigrante encontrou um lar adotivo na Argentina, em especial em Salta norte do país. Companheira dos saltenhos, desde o pequeno agricultor até os grandes produtores.

Mas ali estão, para mim, os vinhedos mais singulares, talvez, no mundo. Pela sua altura, média de 1800 metros, pelo clima, pela geografia do local e pelos seus vinhos. A Torrontés encontrou seu clima e solo ideais.

Mais especificamente no vale do Clachaqui a Torrontés alcança o esplendor.

Temos vinhos de alta qualidade. Na cor amarelo palha levemente esverdeado. No nariz, o leque de aromas vai do floral ao frutado chegando ao levemente cítrico. Na boca imagina-se um vinho doce, aí vem a surpresa, de doce nada tem é, inclusive, levemente ácido. Exagero no comentário? Não. Experimentem a Torrontés de bons produtores de Salta, mais especificamente do Calchaqui e confirmem. Um vinho como este para mim show.

GRÜNER VELTLINER – A ÁUSTRIA NA TAÇA

Impossível falar de vinhos austríacos sem antes ver quem é a Grüner Veltliner. Ela é a casta ícone da Áustria, não é a única nativa, mas certamente é o centro das atenções. Grüner em alemão quer dizer esverdeada, em face da cor de seus bagos.

A produção de vinhos na Áustria é muito pequena, quase todo o vinho é ali consumido ou exportado para os vizinhos países. O que não impediu que esta fantástica casta, aos poucos fosse sendo conhecida pelo mundo.

Produz vinhos brancos de excelente acidez na boca quase crocantes, quando jovens, aromas cítricos e bastante nervosos.

Já dito que o segredo da longevidade nos vinhos brancos é a acidez.

Esta uva com o tempo de garrafa tudo muda e para muito melhor. Com 5 a 8 anos de garrafa desenvolve aromas complexos, na boca algo entre frutos secos e nozes, sua evolução é semelhante a sua parceira a Riesling Renana, a Pinot Gris e a Gewürtztraminer.

E altera muito o estilo de vinho de acordo com a região. Se mais quente, com mais sol no final da maturação do fruto ou não.

 Vejam nas lojas especializadas um vinho com esta uva.

 

CHENIN BLANC – LOIRE E ÁFRICA DO SUL

Que dizer da Chenin Blanc?

Versátil, maravilhosa e única. Nascida no Loire Central, França e perfeitamente adaptada na África do Sul.

Perambula, ainda, na Argentina, Chile e Oceania. Mas no seu berço e na adotiva África do Sul explode em esplendor.

Encontramos esta uva, desde os espumantes, como o Vouvray no Loire até os vinhos Late Harvest onde ela nos concede uma aroma de marmelo inconfundível.

A Chenin Blanc é uma casta originária da região central do vale do Loire e, como já se disse perfeitamente adaptada aos climas mais quentes ou mais frios vai nos fornecendo vinhos únicos e especiais.

Os vinhos tranquilos são aromáticos, agradáveis dependendo do local das videiras um pouco de mineralidade. Quando bem conduzido o vinhedo produz vinhos excelentes a preços bem razoáveis.

Mas um importante capítulo da história leva esta uva para a África do Sul, seu berço adotivo.

 

Esta uva foi levada para a África do Sul, lá pelos anos de 1580 pelos Huguenotes, expulsos da França, por questões religiosas. Logo que se instalaram em Constantia, perto da Cidade do Cabo trataram de produzir vinhos com a Chenin Blanc.

Este lar adotivo foi aceito pela uva. Na África do Sul se produz, também, os mais variados estilos de vinho com esta casta.

Lá também conhecida por Steel. Muito plantada na região de Paarl e Constantia, como é muito vigorosa durante anos deu origem a vinhos populares e sem maiores qualidades. Nos últimos 10 anos vem sendo trabalhada de uma maneira mais correta, diminuindo a sua área plantada e melhorando e muito a qualidade dos vinhos.

Na África do Sul, hoje, seguramente, se faz Chenin Blanc capazes de rivalizar com os produzidos na França.

Um bom  Chenin sul-africano de região mais fria como locais altos e Steellenbosch e Paarl, tem um tom mineral, com aromas levemente cítricos, algo como frutos de polpa branca, maçã e pera. Já os de regiões mais quentes tem aromas de abacaxi e frutas tropicais.

Nos brancos de verão o Israel sempre me acompanha.

 

 

 

 

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