Sua Excelência – Rioja


ESPANHA RIOJA BAJA 1

Rioja, uma antiga Denominação de Origem da Espanha. Cortada pelo rio Ebro, mais ao nordeste de Ribeira Del Duero também recebeu fortíssima influência dos Romanos e suas tecnologias de engenharia, vinificação e desenvolvimento para a época. Depois os Monges enólogos trataram de desenvolver e aprimorar o terroir, os vinhedos e os métodos de vinificação.

Por fim, a crise da Filoxera, aquele inseto minúsculo que nasce, cresce e se alimenta das raízes da videira matando-a. Trazida pelas mudas de videira americana, como a Bordô, Niágara e outras. Devastou vinhedos na Europa. Ao final descobriu-se que estas videiras americanas são imunes ao pulgão. Hoje servem de base para as uvas viníferas plantadas pelo sistema de enxertia.

Mas, antes da solução pôs em desespero afamados produtores da França e Itália. Os franceses vieram se abastecer de mosto, uvas e vinho na Espanha, isto quando não exportou enólogos competentes que deram outro impulso a cultura do vinho em Rioja.

O vinho riojano como conhecemos hoje começa a ser desenhado na segunda metade do século 19 quando da fundação de centenárias vinícolas capitaneadas por enólogos como Luciano Murrieta. A proximidade do porto de Santander facilita a exportação para a América e Inglaterra, principais polos consumidores.

Até aqui pouca diferença com as vizinhas regiões de Toro e Ribeira del Duero. Forte insolação no verão, noites mais amenas a tinta Tempranillo comandando.

As diferenças em relação à Ribera Del Duero, estão no terroir, assim entendido como solo, clima, geografia e intervenção humana e na importância da branca Viura.

CLASSIFICAÇÃO DOS VINHOS

A classificação dos vinhos segue pelo envelhecimento em barricas de madeira. Destaco as etiquetas determinam os vinhos. Cada qual indicando a classificação, numeradas e coloridas.

GARANTIA DE ORIGEM:

 São os vinhos de um ou dois de colheita que conservam características de vinhos jovens, frutados e refrescantes. Ou que não se encaixam nas outras categorias. Selo verde.

CRIANZA:

São os vinhos com três anos de safra e ao menos um ano em barricas de carvalho. Nos brancos 06 meses de barricas. Selo vermelho claro.

RESERVA:

São os vinhos selecionados com tempo de crianza mínima entre barrica e garrafa de três anos. Dos quais ao menos um de barricas. Nos brancos o período de estagio são de 2 anos dos quais o mínimo de 06 meses de barrica. Selo roxo.

GRAN RESERVA:

Vinhos de grandes colheitas com mínimo de 02 anos de estágio em barricas de carvalho e três de garrafa. Nos brancos 04 anos de estagio entre barricas e garrafas com seis meses em barrica. Selo azul.

Rioja possui, claramente, três regiões distintas de produção de vinhos, conforme mapa destacado no início do capítulo.

ESPANHA RIOJA WINE MAP

 

RIOJA ALAVESA

Começamos por Alavesa. Região de Tempranillo, por excelência e também brancos de exceção. Seus vinhedos plantados perto da serra da Cantábria são os mais altos de Rioja, algo em torno de 800 metros.

Já dito que vinhedos plantados em altura nos garantem, na reta final da maturação do fruto, pelas noites mais frias, uma maturação mais lenta fazendo com que o fruto, desde a semente até a casca tenha um desenvolvimento completo o que nos traz uma uva e muito mais qualidade.

A serra da Cantábria protege os vinhedos da umidade vinda do Atlântico o que diminui a quantidade de chuva. Aí, solo pobre em matéria orgânica, muito frio no inverno e verão com muita insolação e frio a noite nos trazem  tintos com quase 16 graus de álcool e muito equilibrados. Videiras que sofrem produzem vinhos de exceção.

A cidade medieval de Laguardia é o centro de Alavesa, linda como só ela, um passeio e estamos, certamente, em alguma época da Idade Média. Lá do alto vendo os vinhedos a sua volta. Junto com a sua cidade irmã Labastida eram as cidades fortificadas que protegiam o reino de Navarra da invasão dos Mouros.

O Reino de Navarra foi um dos últimos sítios de defesa do catolicismo frente à invasão Moura. Cidades fortificadas e no alto de montanhas, assim como o Reino de Aragão, mais ao norte no hoje País Basco protegido pela serra da Cantábria.

Portanto, lembre-se, os vinhos de Alavesa são tintos feitos com a Tempranillo bem encorpados com elevados índices de álcool, mas, absolutamente equilibrados, com muita cor e aroma.

Vinhedos antigos e sem condução como este da foto no início do capítulo são característicos por aqui.

Já dissemos que a principal casta por aqui é a Tempranillo. Os produtores mais conhecidos são: Luis Cañas, Artadi, Osatu, entre outros.

Mas tenham sempre em mente que são produções limitadas, grandes vinhos de excelente corpo e aroma demonstrando que o terroir de verões com forte insolação e, pela altura, mais frio a noite nos trazem a Tempranillo na sua plenitude.

RIOJA BAJA

Vinhedos antigos de Tempranillo e Garnacha sem condução alguma. É a mais extensa, mais quente e seca das três sub-regiões de Rioja.

Pode-se dizer que está diametralmente oposta a Rioja Alavesa. Lá o mesmo rio Ebro que banha os vinhedos recebe forte influência do clima úmido da serra da Cantábria e os ventos frios no verão vindos do Atlântico.

Aqui o clima é mediterrâneo, fortes invernos e verões ensolarados e quentes. Com o detalhe dos vinhedos serem plantados numa altura menor que as outras regiões de Rioja. Aqui em torno de 400 metros contra quase metade de Rioja Alavesa.

Lembrando que regiões mais frias no final da maturação nos trazem brancos excepcionais e tintos mais leves, mais ácidos com mais taninos e menos alcoólicos e aromáticos.

Já regiões mais quentes no final da maturação, como Rioja Baja, nos trazem vinhos mais alcoólicos, densos, aromáticos, mas com menos taninos. Geralmente estes vinhos vêm em corte, isto é, duas ou mais uvas.

Centenárias bodegas estão instaladas em Rioja Baja, cidades como Logroño, Alfaro, Calahora, Arnedo entre outras, produzem estes potentes vinhos.

As Bodegas utilizam o clássico corte de Tempranillo com Garnacha. Esta rainha do Mediterrâneo aporta a estes vinhos muito corpo, álcool e aromas de ameixa e combinando com os taninos e elegância da Tempranillo temos estes vinhos que tanto faz sucesso pelo mundo.

RIOJA ALTA

Rioja Alta mais a noroeste de Rioja Baja. Tem na cidade medieval de Haro seu centro histórico. Terra de Tempranillo. Pouquíssima matéria orgânica no solo, raízes que descem mais de 8 metros para buscar água passando pelos mais diferentes solos.

Cenário bíblico que fascina os amantes do vinho tem mais de 100 anos. Rioja recebeu grande impulsão em qualidade de seus vinhos com a chegada da Filoxera, um pulgão que ataca a raiz da videira matando-a.

Na França, em meados do século XIX suas videiras foram bastante afetadas. Procurando novos horizontes para plantar chegaram a Rioja e ali instalaram-se impulsionando a já conhecida terra produtora de bons vinhos desde os Romanos.

Muito se fala dos tintos de Rioja Alta e com razão sua qualidade é de elite mundial e perfaz mais de 90% dos vinhos ali produzidos.

Mas em terra de tintos tem uma uva branca que temos que destacar. A Viura mais conhecida na Catalunha como Macabeo e coluna das famosas Cavas junto com a Xarello e a Parellada.

Anda, também no sul da França, na região do Languedoc. Em geral usada em corte quando bem trabalhada produz vinhos muito interessantes.

Mas, em Rioja, alcança seu esplendor. Vinhos crocantes, de acidez moderada a alta, aromática e instigante. Versátil e elegante pode ser elaborada com o sem barricas de madeira. Quando passadas na barrica alcançam cor amarelo dourado e aromas de mel e laranja. Se não passarem por madeira secas, rápidas, aromáticas, minerais e refrescantes. Belíssimos vinhos para contrariar o mar vermelho que toma conta de Rioja.

As uvas utilizadas são: Já vimos neste blog a  Tempranillo GarnachaGraciano, Mazuelo e a Maturana Tinta, mais uma uva nativa de Rioja. Assim como a Graciano muito plantada antes da filoxera. Hoje, depois de quase extinta, entrou na lista daquelas uvas que os novos enólogos restauraram. Seus vinhos são semelhantes aos Syrah. Muito herbáceo, pimenta e especiarias. Concentram-se os vinhedos em Rioja Alta com vinhedos em altura média de 600 metros para que esta uva mantenha suas fantásticas características de cor, aromas e sabores.

E a especial branca Viura, variedade branca. A principal de Rioja. Esta casta riojana é chamada no sul do país de Macabeo e compõe o corte dos famosos cavas. Aqui nos traz vinhos com acidez alta, frutados e aromáticos. Pode ser elabora como branco jovem, sem estágio em barricas, como vinho branco crianza. Modernamente têm sido elaborados vinhos que fermentam nas próprias borras trazendo mais complexidade.

Estes vinhos pedem Basie e Peterson. A experiência, a técnica e, sobretudo, a simplicidade.

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