Dicas para entender sobre a cor do vinho.


APRESENTAÇÃO DO VINHO VISUAL

As cores de um vinho assim como o colorido, luminosidade e sensibilidade desta foto me leva a pensar em paz, harmonia e prazer.

Somos muito impactados pela cor dos vinhos, afinal é nossa primeira impressão ao encher uma taça ou mesmo vê-la em outra mesa que não a nossa. É a impressão inicial de um  vinho e a menos subjetiva delas.

Além de ser a menos estudada das percepções do vinho e por esta razão a análise visual de um vinho carrega algumas armadilhas.

A principal delas é o preconceito sobre o vinho a ser apreciado. Paradoxalmente é a que mais influencia o prévio entendimento, as vezes distorcido,  de sabor e aromas do vinho.

Quantas vezes decidimos a compra de um vinho pela cor?

E os produtores sabem disto.

Antes de ingressarmos na parte técnica das cores do vinho preciso falar sobre a influencia que elas exercem em apreciadores mais distraídos.  Pensa-se que as cores mais intensas nos remetem a vinhos de mais qualidade, a vinhos mais potentes, a vinhos mais caros, a vinhos aromáticos com mais intensidade de sabores, seja ele tinto, branco, rose ou espumante.

Ledo engano.

Somos facilmente enganados pelos nossos olhos. A impressão visual é o primeiro contato com o vinho, porém, não o único. Certo que a intensidade e tonalidade das cores, em qualquer percepção, seja no vinho, seja nos alimentos seja no nosso cotidiano nos preconcebe. Morangos vermelhos e intensos nos parecem melhores que aqueles esmaecidos. Laranjas com cascas brilhantes e cores quase agressivas nos parecem melhores que outras não tão intensas.

Sabendo disto há produtores que utilizam-se de certas artimanhas para, digamos, intensificar as cores de um determinado vinho, veremos adiante.

Antes, porém, vamos entender um pouco mais de cor para não sair por aí falando o que não deve.

CARACTERÍSTICA DAS CORES

TOM: É o que podemos chamar de DNA de uma cor. Aquilo que a diferencia das outras. Vermelho, Violeta, Roxo, Amarelo e assim vamos. Uma não pode ser a outra, de maneira alguma, portanto, nada de subjetivismo ou é ou não é.

Legal, não? As demais abordagens sensoriais do vinho são altamente subjetivas, como aromas e gostos. Esta, não.

TONALIDADE: São as variações da matiz (tom) de uma cor. São variáveis desta cor. Como a cor de um vinho elaborado com a Chardonnay. Quando jovem tem a cor amarelo esverdeado ou amarelo oliva tão característica dos bons vinhos desta casta. Com o tempo perdem esta tonalidade e ganham aquelas de amarelo dourado, menos intenso.

Mas o que é intensidade da cor?

INTENSIDADE: É o maior ou menor grau de luminosidade desta cor. Quanto menos luz mais intensa será a cor. Um Vermelho escuro é mais intenso que um vermelho claro. Aqui um dos grandes perigos da cor para nossa percepção de um vinho.

A cor, sua intensidade e tonalidade pode nos preconceber um gosto? Pode nos fazer “beber” com os olhos? Pode nos preconceber sobre um vinho?

Pode, sim.

O mundo dos vinhos é a grosso modo dividido em três: Branco, tinto e rose. Graças a Deus temos as tonalidades e as intensidades, caso contrário sobraria a monotonia.

Aplicando os conhecimentos rudimentares sobre cor que descrevi acima já podemos dizer que o vinho tem muito mais nuances que poderíamos imaginar. O vinho branco pode ir desde o amarelo-palha, como um vinho verde elaborado com a Loureiro,  até o dourado mágico de um Tokaj (um vinho botritizado), passando pelo amarelo oliva de um Chablis.

Os roses desde os famosos casca de cebola até os roses intensos quase tintos de um Tavel, Provence, única região francesa autorizada a só produzir rose. Os tintos vão desde os mais clarinhos Pinot Noir ao vermelho insondável de um Alicante Bouschet.

Isto sem falar em técnicas de elaboração que distorcem estas tonalidade e intensidades naturais. As vezes por consequência, como o uso de barricas, as vezes propositais como maceração com alta temperatura.

Assim a cor é parâmetro de análise sensorial de um vinho como os outros dois, aromas e sabores. Olhos, nariz e boca trabalham tanto a nosso favor como contra.

Inadvertidamente a análise de cor é a mais rápida e a menos estudada das três. Digo inadvertidamente porque é a primeira que nos impacta e a que mais gera preconceitos prévios.

Esta roda das cores deve ser entendida.

RODA DAS CORES

Mas de que maneira somos influenciados pela tonalidade e intensidade de uma cor?

Somos influenciados pela mídia que “escolhe” um estilo de vinho para ser o da moda. Por um por um bom tempo martelou a cabeças dos apreciadores de vinho avisando que tinto bom era tinto retinto, encorpados, boa carga de taninos e passados em barricas ou mesmo chip de madeira o tempo suficiente para que quase venhamos a morder o vinhos e não bebê-los.

Assim temos a falsa ideia de que a intensidade e tonalidade da cor tinta é fundamental para que estarmos a frente de um bom vinho.

Mas, será que a natural intensidade de tonalidade um Beaujolais elaborado, como sempre, com 100% de Gamay será um vinho assim? Não. Mil vezes, não. Muito pelo contrário.

O mesmo ocorrendo com a Garnacha, Cinsault, Nero D’Avola e outros que visualmente nos levam a esta distorção perigosa. Estas uvas são bastante tintórias, porém, com médios índices de taninos e acidez mais baixa. Aquele vinho que visualmente parecia ser um arrasa quarteirão é, na verdade, um vinho de médio corpo, sensual que vai te conquistar com o tempo, não no primeiro encontro.

Alguns exemplos de manipulação “saudável” na cor dos vinhos:

  • Utilização de uvas tintórias de sabor e aromas neutros. A Alicante Bouschet é uma delas.
  • Ph mais baixo = mais intensidade de vermelho.
  • Temperatura de fermentação. Quanto mais alta mais extração de cor.
  • A sangria do mosto. Quanto mais contato das cascas com o líquido (mosto) mais intensa é a tonalidade da cor. Além de retirar (por sangria) a água do mosto concentrando-o, tanto em sabores como em cor.

Tudo o que foi escrito até agora é uma prévia das publicações posteriores sobre a cor dos vinhos. Apenas quis demonstrar aos leitores os redobrados cuidados na análise sensorial para a nossa apreciação do vinho. Não subestime o estudo e a importância da análise visual de um vinho.

Eu já fiz experiências de degustações de vinhos com taças negras. A surpresa foi geral.

Por falar em taças aqui vem a importância essencial de que as taças devem ser de cristal ou de vidro de qualidade e, pelo amor de Deus, sempre transparentes, nada de cores.

Pensem que as cores de um vinho nos traz mensagens maravilhosas. Veremos na sequencia.

Fiquem com Mozar e seu adágio no Concerto para Clarinete e Orquestra. Sempre que ouço lembra as mais variadas tonalidades e intensidade das mesmas cores que estão catalogadas há séculos.

 

 

 

 

 

 

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