Douro – Patrimônio da humanidade


PORTUGAL DOURO 1

Patrimônio da humanidade pela UNESCO desde 2001.

Primeiro destaque para o rio Douro. Lindo, fantástico que vem serpenteando desde a fronteira com a Espanha nada mais é que a continuidade do rio Duero.

Velho conhecido dos Romanos que por ali iniciaram sua presença de 500 anos na península ibérica. Trouxeram suas uvas e aprimoraram as vinhas existentes desde antes de sua chegada no século II A.C.

Em continuidade aqueles que muito fizeram pela viticultura em Portugal. Os Cistercienses, os enólogos da Idade Média aprimoram as técnicas de produção do vinho. Destaques para os importantes Monastérios Salzedas, São João e Tarouca e São Pedro das Águias.

Outro importantíssimo impulso foram as relações comerciais dos portugueses com os ingleses, na época o maior e melhor mercado para vinho do mundo.

Assim, muito tempo depois dos monges, no século 17 iniciou um estreito relacionamento comercial e político entre Portugal e Inglaterra.

Certa derrocada econômica pelo desequilíbrio do acordo comercial, eis que Portugal colaborava, basicamente, com vinho e especiarias enquanto os ingleses, já com sua revolução industrial em curso, portanto máquinas de tear, máquinas a vapor e tantas outras tecnologias avançadas para o momento, enviavam a Portugal manufaturados, roupas e outras necessidades mais prementes. Resultado? Desequilíbrio comercial e os ingleses se apossando de várias Quintas no Douro. Daí nomes britânicos que estão registrados até hoje.

Por isto os nomes ingleses nas Quintas que produzem o Porto.

Este o início da história deste vinho ímpar.

Com a explosão comercial dos vinhos do Porto, certamente, fraudes e adulterações começaram a surgir. Como precaução os ingleses exigiram o que hoje chamamos de selo de qualidade. Os principais produtores de vinho durienses exigem controle governamental. Deste modo em setembro de 1756 é criada a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro.

E o vinho do Porto?

Para aguentar as viagens marítimas até a Inglaterra, seu principal mercado, nos tonéis de vinho colocava-se aguardente vínica, elevando-se o nível alcoólico tem o vinho condições de viagem marítima. Pronto o princípio do vinho do Porto tinha iniciado. Um vinho com percentuais elevados de álcool e adocicado pela interrupção da fermentação do mosto, quando o suco da uva com cascas ou não sofre o processo de transformação dos açúcares naturais em álcool e aromas.

Então, o vinho do Porto, como qualquer outro vinho generoso (fortificado) é o vinho que recebe aguardente vínica logo no início do processo de fermentação, aumentando o grau alcoólico e mantendo alto índice de açúcar natural.

Veremos adiante as diferentes classificações e estilos.

Mas, hoje, a região não vive só dos famosos vinhos do Porto, o chamado vinho tranquilo ganhou, nas últimas décadas, importante destaque, não só em Portugal, mas no mundo.

Tudo começa com um dos mitos da história do vinho no mundo. O Barca Velha. Vinho ímpar entre seus pares. No mesmo estágio de um Romanée-Conti e outros do mesmo calibre.

Pois este vinho, na década de 50 iniciou o que se chama de vinho tranquilo do Douro, isto é, aqueles que não passam pelo processo de adição de aguardente vínica.

Primeiro engarrafamento em 1952 é elaborado somente em safras especiais.

Depois os chamados Douro Boys impulsionaram este estilo de vinho no Douro. Hoje, a região é famosa mundialmente, não só pelo Porto original como nos vinho sem adição de aguardente vínica.

O VINHO DO PORTO

ESTILOS

PORTO VINTAGE:

É a classificação mais elevada. É o vinho de uma só colheita, produzido num ano extraordinário, engarrafado cedo, e dentro de dois ou três anos da colheita, comercializado como tal, desde que aprovado por órgão competente.

Após cada colheita, provadores oficiais selecionam os melhores vinhos do Porto que já descansaram em tonéis de madeira. Se os provadores entenderem que a qualidade é ímpar declaram que este Porto será um Vintage.

Lembrando que no seu processo de maturação é utilizado o mínimo contato com o oxigênio, resultando em vinhos mais encorpados e com excepcional capacidade de envelhecimento, por isto recomenda-se guardá-lo por, no mínimo 4 anos de garrafa antes de apreciá-lo.

LATE BOTTLED VINTAGE:

O chamado L.B.V também somente é produzido em safras especiais. Mas, aqui não há a necessidade que a safra seja assim declarada por provadores oficiais. A essencial diferença entre o L.B.V e o Vintage consiste no tempo e forma que eles descansam.

O Vintage descansa em tonéis de madeira por 20 meses, depois engarrafado onde continua o processo de envelhecimento.

O L.B.V, mais tempo. Entre quatro a seis anos de tonéis de madeira, depois engarrafado daí o nome último engarrafamento da Vintage. Logo após é liberado ao mercado, sem a necessidade de continuidade de envelhecimento nas garrafas por mais tempo, como o Vintage.

Alternativa economicamente mais viável a todos, desde o produtor até o consumidor.

TAWNY:

São os vinhos do Porto envelhecidos em condições oxidativas, portanto, em tanques abertos, cores mais alouradas (devido à oxidação), aromas de uva passa, cacau, frutos secos, especiarias, baunilha e canela. Depois vão para os tonéis de madeira para promover o envelhecimento, as casas de vinho do Porto recorrem ao uso da madeira, que permite que se deem trocas gasosas. Estes tonéis de madeira têm ao longo da maturação um papel importantíssimo no fornecimento de oxigênio aos Tawny. O contato com o ar e a quantidade (tamanho dos tonéis) determinam, fortemente, a qualidade, a cor e os aromas que ganhará o vinho.

RUBY:

Pelo seu maior contato com a madeira tem cor vermelha profunda, aromas frescos a frutos vermelhos e taninos mais evidentes, vale dizer que armazenados em menor quantidade que o Tawny, não passando por lagares abertos, assim em condições oxidativas menores, resultando num vinho onde os aromas e taninos são mais evidentes fornecendo aos vinhos mais complexidade e cores mais avermelhadas.

PORTO BRANCO:

Feito com castas brancas e específicas para este tipo de vinho e envelhece em grandes tonéis de carvalho (20 mil ou mais litros). Tipicamente vinhos do Porto branco são vinhos jovens e frutados, além de serem classificados pelos seus índices de açúcar, tal qual o espumante , não se esquecendo que até o seco, pelo seu processo de vinificação tem índices de açúcar bem mais elevados que os brancos tranquilos.

SUB-REGIÕES DO DOURO

A Região Demarcada do Douro divide-se em 3 sub-regiões, Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior.

BAIXO CORGO

O Baixo Corgo, no extremo oeste, sob a influência direta da Serra do Marão. Representa mais de metade da região demarcada com 51% da área ocupada por vinha, margem direita do Rio Douro, desde Barqueiros ao Rio Corgo (Régua). Na margem esquerda, desde a freguesia de Barrô até ao Rio Temi-Lobos, nas proximidades da Vila de Armamar.

É a sub-região mais fresca e chuvosa, a mais fértil e com maior densidade de vinhas. Dali sai o Porto mais jovem e frutado.

CIMA CORGO

O Cima Corgo, a leste do Baixo Corgo, vai até ao meridiano que passa no Cachão da Valeira.

É conhecido como o coração do Douro, clima mais seco e menos produtivo, onde nascem muitos dos vinhos do segmento superior do Vinho do Porto. Vinhos mais concentrados e longevos.

DOURO SUPERIOR

Antes falemos do Cachão da Valera. Pode ser entendido como Pedrão da Valera. Havia, até 1790 um enorme obstáculo físico para a navegabilidade da parte superior do Douro, justamente este Cachão da Valera. Com a sua eliminação a navegação aumentou sua distância e a área, hoje entendida como Douro Superior passou a ser plantado.

O Douro Superior, a sub-região de maior extensão, é a mais quente, seca e extremada, mas também a com geografia menos acidentada, marcada pela secura e pelos verões infernais.

É uma das regiões mais ricas em castas autóctones, com centenas de castas únicas e uma área extensa de vinhas velhas, por vezes plantadas com dezenas de castas misturadas.

SOLO

A quase totalidade do solo do chamado Douro Vinhateiro é composto de Xisto. Nome comum a vários tipos de rochas facilmente identificáveis por serem laminadas. Em Portugal também conhecidas como Lousa. Esta pedra tem uma capacidade enorme de armazenar calor de dia e liberá-lo, gradualmente, a noite reduzindo as amplitudes térmicas dia/noite e contribuindo para o avanço da maturação das uvas.

A região é de solo pobre, com as vinhas plantadas nas ladeiras do vale do Douro, muitas vezes suas raízes descem mais de 10 metros para buscar  a sua sobrevivência.

CLIMA

Fortemente montanhosa, a região encontra-se protegida da influência atlântica pela Serra do Marão. O clima é habitualmente seco, com invernos frios e verões muito quentes, variando entre a precipitação moderada a oeste e a secura quase desértica das terras próxima à fronteira com a Espanha.

O clima é duro. Invernos rigorosos e verões que facilmente chegam a 40 graus, fazem com que a vinha sofra bastante. E há um ditado que diz que vinho bom é vinho é de videira que sofreu.

UVAS

Embora em determinados vinhos mais de trinta uvas possam compô-lo, há aquelas uvas que são imprescindíveis. As tradicionais uvas que compõem os vinhos da região são: A coluna vertebral do Porto a Touringa Nacional, a força do Porto Tinta Roriz, a acidez da Tinto Cão, a doçura necessária Tinta Barroca, os taninos da Tinta Amarela, o perfume do Douro Touriga Franca já as vimos pelo blog.

Uma conversa sem compromisso com amigos com um Porto e ao fundo Tom e Oscar.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s