ITÁLIA – 5 INESQUECÍVEIS LUGARES


ITÁLIA SICILIA 1

Itália com a França são os países onde dificilmente não encontraremos uma região que não produza seu próprio vinho, sua uvas e sua cultura. Difícil escolher onde ir. Optei por pinçar um pouco de cada parte do país.

Desde vinhos especiais que dificilmente saem dali quanto os mais internacionais, mas todos com o DNA de onde foram plantadas as uvas e os métodos de elaboração.

Aqui alguns lugares que não podem deixar de serem vistos por quem viaja para a Itália.

SICÍLIA – MUITO ALÉM DO ETNA

Quando falamos em Sicília, foto acima, logo nos vem a mente a imagem do Etna. Tudo aos seu redor, desde os vinhedos, as ruínas, passando pelas vilas medievais. Todas, em alta temporada abarrotada de turistas. E nos esquecemos do lado oeste da ilha, onde está localizada a cidade de Marsala, com seu vinho especial, suas uvas nativas, sua culinária e seu carpe diem.

A ilha está encravada entre a África e a Europa, fica no meio do Mediterrâneo e foi sucessivamente visitada e conquistada por diversos povos antigos. A ilha viu passar o exército de elefantes cartagineses dos generais, Amilcar, Asdrúbal e Anibal, viu a cultura grega difundir-se,veja a história de Agripento,  ali nasceu o poeta grego Teócrito, inspirador de Virgílio que serviu de fonte para Dante e sua Divina Comédia.

Hoje a famosa revolução que atingiu todo  o Mediterrâneo vinhateiro erradicando vinhas velhas e improdutivas, plantando novas, sejam de castas locais, sejam as chamadas internacionais, modificação no modo de poda e condução da vinha e da produção, vem originando vinhos muito bons e não necessariamente caros.

As principais castas nativas tintas são Mascalese e Nero D’Avola e, entre as brancas, a Grillo que compõe o famoso Marsala e a Inzollia.

Mas quero destacar que não se vai a Sicília sem visitar o lado oeste da ilha que ainda preserva o modo de vida antigo e sem muitas modernidades. Perca-se em Marsala.

Marsala tem origem no árabe “Marsa Allah”, que significa “Porto de Deus”. Mas muito séculos antes da chegada dos árabes, no ano 397 a.C., os fenícios fundaram a cidade de Lilibeo, palavra que quer dizer “cidade que olha para a Líbia”, pois era chamada Líbia toda a costa norte da África.

Ali tem um vinho especialíssimo, um tanto conhecido comercialmente no mundo, mas ainda com pequenos e importantes produtores que certamente mostrarão o que tem de melhor.

O vinho licoroso Marsala é elaborado com as principais brancas, Inzolia, Catarrato e Grillo, entre outras. Os estilos vão do mais seco ao mais doce, dependendo da sua cor.

Sua classificação por qualidade depende da cor. Que vai do ouro ao Rubi passando pelo âmbar, aliás as três cores acima.

Quanto à qualidade esta depende do envelhecimento. O mais jovem é o Fino com pouco mais de ano de garrafa, até o Soleras Extra – Velho com mais de 10 anos de garrafa, passando pelo Superior e o Reserva.

ITÁLIA CAMPANIA

CAMPANIA – NÁPOLE E VINHOS ESPECIAIS

Quem, em sã consciência não conhece o litoral da Campania? Nápolis, Sorrento, Capri, enfim, em termos turísticos a região está bem servida e mundialmente conhecida. Conhecida desde o tempo dos Romanos, pois ali estão vários exemplos de ruínas de imperadores que utilizavam-se da região para um spa. Temos as termas de Caracala, as ruínas dos templos gregos e de palácios de, digamos, férias dos imperadores.

Lindo demais, belos restaurantes, estalagens, pequenos locais para deixar o tempo passar. Mas indico a vocês irem mais para o interior da Campania. Três locais especificamente com três uvas muito interessantes. Taurasi, Avellino e Tufo.

Taurasi é uma pequena cidade distante 50 quilômetros do famoso litoral amalfitano escondida  atrás das montanhas. Numa altura média de 400 metros, tem invernos rigorosos e verões cujas noites recebem o carinho da brisa marítima, ideal para o lento amadurecimentos das uvas.

A grande tinta que aqui desponta seu esplendor é a Aglianico um casta tinta de bagos médios e casca grossa. Produz vinhos muito tânicos, alcoólicos e aromáticos. Domá-la não é tarefa fácil. Requer cuidado desde a vinha até a sua vinificação. Não sem esquecer do merecido descanso que o vinho deve ter. O fundamental sono de uns 5 ou 6 anos é essencial para que o vinho ao ser despertado nos traga todo o potencial da região.

O Taurasi é vinho mágico, vermelho bem escuro, aromas poderosos de frutas vermelhas e frutos secos como cereja, ameixa e damasco. Na boca se bem feito e depois do necessário descanso  enchem a boca, final prolongado e muito agradável.

Avellino, mais uma comuna a ser visitada. Fica a 30 KM de Napole e tem um vinho branco especialíssimo com a uva Fiano.

Uva branca que produz vinhos fortes e de grande personalidade. Podemos até dizer que são a versão branca para a Aglianico. Aromáticos lembrando manga, pêssego e damasco, secos de acidez alta e cor amarelo puxando para o dourado uma companhia ideal neste passeio que estou a falar.

Tufo, outra localidade a ser visitada. Uma sub-região de Avellino tem sua parceira branca a Greco, também vinda da Grécia, assim como a Aglianico, de início,  foi plantada nas encostas do Vesúlvio onde ganhou o apelido de Lágrima de Cristo. Depois levada para o interior da Campania e hoje é plantada nos arredores de Avelino. Trata-se de um vinho com bastante personalidade, aromático e de acidez média.

ITÁLIA LANGHE 2

PIEMONTE – LANGHE 

No norte da Itália, um terroir a ser conhecido em detalhes, o Langhe. Ali várias uvas conhecidas dos enófilos despontam, Dolcetto, Barbera e Nebbiolo, entre as tintas e Gavi e Moscato entre as brancas. Cidades como Barolo, Barbaresco, Alba e Asti passeiam no imaginário de quem gosta de vinhos.

A chegada tem que ser na cidade de Alba que fica no centro do Langhe,  uma das mais importantes regiões vinhateiras da Itália. Cidade medieval fundada ainda nos tempos da Roma Antiga. Perto dali estão algumas cidades que cedem seus nomes aos rótulos como Barolo e Barbaresco ou estão em grande do vinho produzido no Piemonte como Serralunga, Asti e a própria Alba.

O Langhe ou língua em italiano é uma espécie de planície que se espalha pela região montanhosa da Província de Cuneo. Os vinhedos estão numa altura média de 250 a 300 metros e a volta as montanhas  que possuem altura média de 400 a  500 metros. Ali certamente está concentrado nas uvas Nebbiolo, Dolcetto e Barbera o que de melhor se produz de tinto no Piemonte.

Mais ao nordeste de Asti está Monferrato muito conhecido pelo caminho dos castelos e pelos grandes chocolates da Itália. Mas ali se faz, também bom vinhos, principalmente perto de Asti. Inicia ao sul perto da Ligúria e se estende até o norte/noroeste do Piemonte. Salpicado de vilas medievais originadas em tornos dos castelos. Mais ao norte, perto de Asti as princesas Barbera e Dolcetto ditam o ritmo dos vinhos. Suas características serão vistas adiante.

As princesas do Piemonte e a rainha Nebbiolo.

A Barbera produz vinhos com menos teor de tanino, mas com acidez ainda elevada. Em geral é para serem bebidos jovens sem muitos cuidados para o envelhecimento. Os bons Barbera nos trazem um vinho de médio corpo, acidez marcante (ideais para a gastronomia) e aromas puxando ao cereja e morango, sem maiores complexidades.

A outra princesa, a Dolcetto, minha preferida do Piemonte, principalmente pelo preço dos vinhos, mais baratos, mas não perdendo qualidade. Tradução literal docinho, mas não se trata de uma uva que produz tintos doces, muito pelo contrário os vinhos têm um leve amargor ao final. Em geral são vinhos leves e de médio corpo ideais para serem apreciados jovens, no máximo dois ou três anos depois de engarrafados.

A Nebbiolo, a névoa, a grande uva do Piemonte. Nas cidades de Barolo e Barbaresco, foto abaixo,  alcança a maturidade.

Muitos locais por aqui vendem estes vinhos especiais.

A Nebbiolo cujo nome vem de Nebbia (neblina) é uma casta tinta que produz um vinho quando jovem de forte acidez e taninos muito firmes. Diria até que logo após ser engarrafado, mesmo depois do estágio em barrica é um vinho difícil.  O tempo, em uvas com boas cargas de tanino e de forte acidez faz magias. Depois de um descanso de 5 a 8  anos certamente começamos a ter um vinho esplêndido. Firme, álcool na medida certa e cor vermelho rubi. Aromas de especiarias, canela, cravo, cereja e ameixa. Ao final o tostado da barrica onde descansou, alguns couro. Na boca o show continua. Encorpado, sem ser pesado, firme e estruturado graças aos seus altos índices de taninos. Um vinho inesquecível.

ITÁLIA VENETO 1

VENETO – PROSECCO E AMARONE

Ao pensar em vinhos do Veneto, logo vem a imagem de Veneza, importante cidade turística da região, mas muitos ficam por ali. O Veneto é muito mais do que Veneza. Falar do Veneto é falar dos Prosecco, dos Amarone de Valpolicella é falar do Lago Garda, na divisa com a Lombardia. Sem esquecer do Bardolino e do branco Soave.

Mas inevitavelmente pensamos em Veneza.

Veneza foi construída com a fuga dos habitantes do Veneto após a derrocada do Império Romano. Fugindo dos bárbaros povos do norte refugiaram-se nas ilhotas onde hoje é Veneza. E para expandir as ilhas começaram a assorear o Mediterrâneo e temos o que é hoje um dos grandes pontos turísticos do mundo.

Veneza enriqueceu com o domínio do comércio do Mediterrâneo e junto com Marselha era o porto de ingresso de especiarias vindas do Oriente. Somente com a descoberta dos portugueses de novas rotas marítimas é que a importância de Veneza diminuiu.

Deliciar-se nestes canais apreciando o espumante da região, o bem conhecido Prosecco. Acima de Treviso e voltado para o Adriático ficam Valdobbiadene e Conegliano, duas comunas que nos dão o melhor Prosecco que se pode produzir. Bem pertinho de Veneza, vale a visita do enófilo interessado.

Marca e sinal da região para os Proseccos. Espumante de alto nível feito com a uva do mesmo nome.A Prosecco é uma casta que produz um espumante seco, nível médio alto de acidez, aromática e refrescante. Ideais para acompanhar pescado no final de uma tarde quente de verão. Mas fiquem espertos, hoje, somente as regiões de Valdobbiadene e Conegliano podem usar o nome indicando Prosecco com a uva Glera. Os italianos venderam mudas de Glera nomeando como Prosecco e hoje querem a reserva do nome.

ITÁLIA AMARONE 1

O AMARONE

Nas esteiras repousam as uvas Corvina, Rondinela e Molinara. Todas tintas  e nativas do Vêneto. O Vêneto, norte da Itália, capital do antigo reino de  Veneza que compunham as Tre Venezie. A Veneza Giulia, hoje o Friuli, Veneza Trentina, hoje o Trento e a Veneza, capital do Vêneto.

Ali, com a técnica da desidratação das uvas em esteiras, criou-se um vinho mítico, o Amarone.

Na região do Vêneto temos as tintas Corvina, Rondinella e Molinara.

Mas interessante é a técnica do arrasa quarteirão, o Amarone de Valpolicella.

Nele utiliza-se uma técnica toda especial. Primeiro as uvas são naturalmente desidratadas em prateleiras ou esteiras. Assim que completa a desidratação desejada vão para os tanques de vinificação. O mosto das uvas não desidratadas é colocado junto com a porção desidratada, a gosto do enólogo, e ali ficam em contado prolongado.

O resultado? Um vinho mais alcoólico que o normal, algo em torno de 15 a 17%. Na boca um certo doce amargo, daí o nome Amarone, lembra, em certos casos, um chocolate amargo. Nariz de frutos vermelhos e frutos desidratados. Um vinho inesquecível. Depois as sub-variedades, RIPASSO,  um Valpolicella que “repassa” nas borras do tanque do Amarone. Traz algumas características do Amarone, mas não se confunde com ele. Um vinho agradável, de médio para alto corpo, aromas marcantes, mas sem a explosão dos Amarones. E os doces RECIOTO Di Amarone que um passito, vinho de sobremesa ao estilo Amarone.

Por fim, aproveitem os canais românticos de Veneza.

Ou quem sabe.

Collio

FRIULI – PINOT GRIGIO – FRIULANO E COLI

Friuli, Venezia Giulia ou Giulia é a região no extremo nordeste da Itália, fronteira com a Eslovênia e Áustria, cuja capital é Trieste está debruçada no Adriático e  é uma das Tre Venezie junto com o vizinho Trento e Veneza.

A presença dos romanos é visível por toda a região e foram eles que trouxeram as primeiras vinhas. Historicamente seu porto foi entrada para o centro da Europa de produtos vindos do oriente.

Giulia sempre conviveu com diferentes culturas, povos e línguas o que de certa forma moldaram o atual Friuli. Aqui o italiano é uma das línguas faladas. E sobrenomes tedescos ou eslovenos é muito comum.

A geografia é parecida com o Alto Ádige. Ao norte os Alpes e suas altas montanhas com várias cidades que possuem estações de esportes de inverno. Mais próximo do Adriático começam as colinas  viradas para o mar onde estão os principais vinhedos sempre comandados pelas uvas brancas, os grandes vinhos do Friuli.

A principal uva é a, antes chamada de Tocai-Friulano, hoje, Friulano em razão da região de Tokaj, Hungria. Esta uva, um parente da Sauvignon Blanc, produz vinhos delicados, aromáticos, minerais e elegantes. Um bom Friulano não se esquece tão cedo.

Outra casta imperdível é a Pinot Grigio, o frio nas noites de verão, ao final da maturação, garantem a esta uva as condições ideias de um vinho branco de elite. Acidez plena, mineralidade e frescor garantidos.

Uma parada na Itália alpina é interessante para ver, sentir e apreciar boa culinária com brancos mágicos.

Itália na hora me lembra do inefável Pavarotti.

 

 

 

 

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