ALENTEJO – A IMENSIDÃO AZUL


PORTUGAL ALENTEJO

A imagem que se tem do Alentejo são enormes espaços de planície sob um céu azul, pouca chuva, pouca umidade vinda do Atlântico fica presa em acidentes orográficos. Ali vingam os sobreiros, árvore da qual se retira a cortiça, as oliveiras e as videiras, viga a cor de cobre da terra em contraste com o azul do céu. Esta paisagem perfaz 1/3 da área do país.

Esta região é a maior província de Portugal. É limitado a norte pelo Rio Tejo, a noroeste pela Estremadura, a oeste pelo oceano Atlântico, a leste pela fronteira com Espanha e a sul pelo Algarve.

Sempre gosto de lembrar que o Alentejo é a melhor porta de entrada dos vinhos de Portugal e do velho mundo, para quem está acostumado aos vinhos chilenos e argentinos. Porque vinhos carregados de cor, aroma e taninos. São volumosos na boca e de certa forma doces pelo açúcar da uva, resultado da maturação pelas quais passam o clima é  Mediterrânico, com luz muito intensa, uma exposição solar muito prolongada ao longo do ano.

As poucas quebras das planícies onduladas, como a Serra de São Mamede, ao norte do Alentejo e a Serra da Ossa nos trazem vários microclimas. A altura é fundamental para os vinhos delicados.

Ele tem cidades medievais como Monsaraz, Avis e Crato que convivem com modernos centros como Évora, Beja e Portalegre, assim passado e presente convivem em harmonia.

A presença dos Romanos é forte na região. Desde o incentivo às vinhas com técnicas avançadas à época, como as talhas de barro onde eram armazenados os vinhos selados com resina de pinheiro. Verdade que até hoje alguns ainda utilizam-se desta técnica, até resquícios de estradas, pontes e ruínas que muito demonstram a sua presença.

O Alentejo, na verdade,  se divide em quatro, o alto e baixo Alentejo, bem como o litorâneo e o da fronteira com a Espanha.  Quase toda a área está no nível do mar, mas têm aquelas mais próximas do oceano e as que estão nas serras da Ossa, São Mamede e Portel, sendo assim, microclimas diferenciados. Um pela proximidade com o oceano e o outro pela altura e suas variações climáticas.

alentejo wine region

No Alentejo também tem o passado, e sua tradição, convive com o presente e sua modernidade, vinícolas antigas, como a Quinta do Carmo, Quinta da Terrugem, Esporão e Cooperativa de Borba, por exemplo,  estão lado a lado com moderníssimas instalações, como a Herdade da Malhadinha, Herdade do Rocim, Herdade dos Grous e Cortes de Cima. Uns vinhos de talhas outros grandes vinhos modernos.

Pela tipicidade de seus vinhos, tipicidade é quando o local influencia o vinho tornando-o singular, eles lembram muito os vinhos de Salta, Argentina. Isto que estão separados por metade do globo terrestre, os de Salta são plantados a mais de 1.600 metros e os do Alentejo, no máximo a 600 metros.

Mas ambos têm forte tipicidade. Quem já experimentou um Torrontés de Salta ou um bom Aragonez (Tempranillo) do Alentejo está bebendo vinhos singulares, que somente nestes locais desenvolvem a plenitude que estas castas podem alcançar.

Portanto, não é dos sobreiros e suas cortiças que vive o Alentejo vinhateiro.

O CLIMA

As  mais ao litoral são de climas mediterrâneos com verões mais úmidos e instáveis.  Mais ao interior continental com invernos frios e verões quentes e secos.

Muitos microclimas devido a altura de algumas sub-regiões. Serra de São Mamede com 1025 metros, a Serra da Ossa 650 metros e a Serra de Portel com 421 metros.

AS SUB-REGIÕES

BORBA

Borba é a segunda maior sub-região do Alentejo, espalhando-se ao longo do eixo que une Estremoz a Terrugem, terras marcadas por depósitos de mármore que marcam incisivamente o o seu estilo de vinhos.

Em Borba chove mais que a média das sub-regiões, por consequência menos sol = menos açúcar = a vinhos mais elegantes.

ÉVORA

Em passado não muito distante Évora era o centro da viticultura alentejana. Hoje revigorada é um dos grandes polos do Alentejo. A paisagem é quente e seca e berço de alguns dos mais tradicionais vinhos alentejanos.

GRANJA-AMARELEJA

A mais desconhecida, sub-região alentejana. Fronteira com a Espanha é região de clima inclemente. Verões extremamente quentes e ensolarados nos trazem vinhos elaborados com uvas sobre amadurecidas, tendo como característica ausência de acidez e álcool elevado.

A casta Moreto, uma das variedades mais características da sub-região, adaptou-se especialmente bem à região.

MOURA

Região com clima marcadamente continental. Portanto, invernos rigorosos e verões quentes e secos com noites arejadas. A casta Castelão domina a paisagem por inteiro, bem adaptada aos rigores de um clima tão extremado.

PORTALEGRE

Portalegre é uma sub-região muito diferenciada das outras.

 Vinhedos plantados na Serra de São Mamede, algumas a mais de 900 metros de altura invernos rigorosos, mas verões frescos e noites mais ainda. As uva demoram mais para maturar conservando mais aromas e sabores.

Seus vinhos são muito elegantes ao mesmo tempo que encorpados e firmes. Vinhas antigas são bem normais nesta sub-região.

Dica para quem gosta deste estilo de vinho.

REDONDO

Mais uma sub-região onde a serra comanda o espetáculo. A Serra da Ossa, elevando-se ao pico de 600 metros delimita a região de Redondo. Com clima de invernos frios e secos compensados por Verões quentes e ensolarados.

REGUENGOS

É a maior sub-regiões do Alentejo. Localizada em solos pobres paisagem lunar marca a região de Reguengos.

Os solos xistosos e o clima continental, com invernos muito frios e verões extremamente quentes, condicionam a viticultura, oferecendo vinhos encorpados e poderosos, com boa capacidade de envelhecimento.

Apesar da dimensão, Reguengos é uma das sub-regiões onde a propriedade se encontra mais fragmentada, com áreas médias de vinha reduzidas para as referências tradicionais alentejanas.

VIDIGUEIRA

A falha da Vidigueira, um acidente natural que marca a divisão entre o Alto e o Baixo Alentejo, determina a razão de ser da Vidigueira, a sub-região mais a sul do Alentejo.

As escarpas determinam o clima da Vidigueira, tornando, mesmo tão a sul,  numa das sub-regiões com o clima mais temperado do Alentejo, os famosos micro-climas alentejanos. Os solos pouco produtivos, são terra e chão da Tinta Grossa que muitos a tem como sinônimo para a uva Tinta Barroca.

Aqui, no Alentejo alguns produtores da região, Sogrape, Quinta do Carmo, Fundação Eugênio Almeida, Herdade do Rocim, Herdade da Malhadinha, Monte dos Cabaços, Monte do Pintor entre outros.

Alguns clássicos da região, Pêra-Manca, Cartuxa, Borba e Mouchão, entre outros.

As principais uvas são: Alfrocheiro a Aragonez que já vimos acima, Alicante Bouschet a onipresente Touriga Nacional, a rústica Trincadeira . Ah e as brancas, claro, Arinto e Antão Vaz.

 

 

 

 

 

 

 

Este o Alentejo.

Fiquem com o vídeo da Herdade da Malhadinha Nova, uma amostra da beleza da região.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s