BEAUJOLAIS – UM ESTILO UMA ESCOLHA


UVA GAMAY

Falar de Beaujolais é necessariamente falar da Gamay uma fantástica casta nativa da Borgonha. No tempo dos Duques era plantada em todos os locais, depois, várias legislações a empurraram para o sul da Borgonha.

Hoje a Gamay domina a região sul da Borgonha, como toda a uva que produz muito e sendo mal conduzida pode levar a vinhos bastante simples. Bem trabalhada produz vinhos com baixo potencial de taninos, bastante frutada, aromática e com acidez marcante, alguns produtores a vinificam para que possam ter mais tempo de garrafa e passagem por barricas para ganhar complexidade.

Para mim não importa, gosto dos Beaujolais justamente por serem vinhos novos frutados e excelentes companheiros para longas conversas sem compromisso.

Para os que inexplicavelmente não gostam dos roses este é uma alternativa, tão leve quanto e tão frutado quanto, apenas sem aquela cor e charme que só os roses têm.

Há brancos em Beaujolais elaborados com a onipresente Chardonnay.

MACERAÇÃO CARBÔNICA

Vamos por etapas. Macerar na arte de produzir vinhos e deixar as cascas tintas em contato com o mosto (suco das uvas) de cor cristalina. Daí a dizer que se faz vinho branco de uva tinta, mas não o contrário. Com a maceração os tintos ganham cor. Os roses também, além do outros componentes químicos que nos darão o DNA do vinho.

Para a maceração carbônica, necessariamente teremos um tanque com redução de oxigênio, diz-se que a quase zero, porém com quantidade razoável de gás carbônico. Os grãos, ao contrário do sistema normal, não são esmagados, mas sim sobrepostos neste tanque. Inicia-se a fermentação intracelular e os bagos das uvas incham e explodem. O peso de sobreposição das uvas, somado ao CO2 e a fermentação das uvas nos trará um mosto adequado para a continuidade da produção do vinho.

Vantagens? O ambiente de redução total de oxigênio somado ao gás carbônico induzido e aquele produzido pela fermentação primária aumenta a permeabilidade da casca das uvas. O líquido rico em antocianinas (o que dá cor ao vinho tinto) passa para o interior dos bagos ainda inteiros gerando mais cor e aromas ao futuro vinho. Passada a fase da maceração carbônica a elaboração do vinho segue seu trajeto normal.

Os Beaujoloais, pelo terroir. O Noveau, Beaujolais, o Village e o Cru.

BEAUJOLAIS WINE MAP

 

O BEAUJOLAIS NOUVEAU

Não podemos esquecer do Beaujolais Nouveau. Vinho produzido com a Gamay vinificado e engarrafado o mais breve possível resultando num vinho bastante alegre e despretensioso mais para marcar a festa do primeiro vinho da vindima.

Pena que lançado no mundo todo obteve grande sucesso inicial o mesmo sucesso que o levou a ser produzido em grande quantidade resultando em vinhos de qualidade duvidosa pondo em risco, não só os vinhos de Beaujolais como da própria Gamay. Muitas pessoas ainda associam este estilo de vinho e pior esta uva aos vinhos simples e sem graça.

O trabalho dos sérios produtores agora vai no sentido contrário.

BEAUJOLAIS

Também chamado de standart. É produzido em todas as regiões demarcadas de Beaujolais. São os vinhos produzidos com a Gamay alcançando excelentes níveis de qualidade, de açúcares e maturidade do fruto. Mais álcool e mais corpo em seus vinhos sem perder a característica principal da Gamay que é a leveza, jovialidade e aromas frutados. Compõem a grande maioria dos Beaujolais que encontramos nas lojas.

BEAUJOLAIS VILLAGE

Sob este nome no rótulo temos os raros vinhos brancos e roses e os tintos. Um degrau acima com os vinhedos mais ao norte quase chegando em Maconnais. Lembrando que Beaujolais é uma das únicas regiões demarcadas no mundo que possui apenas uma só uva. O terroir, clima, solo, geografia e intervenção humana alcançam no norte de Beaujolais o ideal para a Gamay. Os vinhos de alta estirpe com esta casta vêm daqui.

O Massif Central uma elevação que toma parte da região central da França. Aqui os vinhedos são plantados numa altura média de 500 metros de calcário fazem toda a diferença. As noites mais frescas no auge do verão nos trazem frutos melhor amadurecidos.

Podem, também, ter pequenas parcelas de Pinot Blanc, Pinot Noir e Aligoté. Brancos e Roses vêm daqui.

BEAUJOLAIS CRU

Os melhores e mais destacados vinhos elaborados com a Gamay no mundo. As apelações que detêm os Cru são: Juliénas, Saint Amour, Chénas, Moulin-à-Vent, Fleurie, Chiroubleu, Morgon,  Réginié  Côte Broully e Broully, produzem fantásticos Beaujolais, sérios, bem feitos, elegantes e muito frutados, como disse excelentes companheiros para um boa conversa entre amigos com um petiscos à mesa.

JULIÉNAS: A village mais ao norte com vinhas plantadas em alturas que variam de 250 a 400 metros aproveitando-se das benesses do massif Central. Produzem um  Cru de alta qualidade. Com vocação para guarda de 2 a 3 anos a Gamay evolui para aromas de compotas, canela e especiarias. A técnica da maceração carbônica, aaui, nos traz uma melhora sensível aos vinhos. Mais concentração de cor, aromas e sabores.

SAINT AMOUR: A segunda village de norte a sul de Beaujolais. No Santo Amor a Gamay também chega ao seu máximo. O solo de granito e argila com climas típicos de altura do Massif Central. Noites mais frias no auge do verão nos trazem uvas bastante equilibradas, ideais para um tinto de médio a encorpado. Uma das menores village autorizadas a produzir o Beaujolais Cru.

CHENAS: O nome desta pequena village deriva de carvalho (chênes) vastas florestas de carvalho francês estavam aqui antes dos vinhedos. As uvas pelas grandes diferenças de temperatura entre a noite e dia no final da maturação. Forte incidência solar e temperaturas mais quentes nos trazem uma Gamay com mais taninos resultando nos Cru mais encorpados de Beaujolais. Vinhos que aguentam 8 10 anos de garrafa em constante evolução. Ao abri-los característicos aromas de florais e especiarias. Na boca um vinho pleno com os taninos totalmente domados e muito agradáveis.

MOULIN À VENT: Vizinho a village de Chenas, O Moinho de Vento tem características muito semelhantes. O mais prestigiado Cru de Beaujolais.

A composição de solo, aqui encontramos manganês um mineral que retarda o crescimento da videira e diminui a quantidade de cachos por pé. Resultado uvas mais concentradas em taninos, aromas e mais equilibradas. A localização dos vinehdos protegidos dos frios ventos do norte, recebendo uma quantidade maior de insolação e as brisas marítimas do Mediterrâneo são ideais para que tenhamos a melhor Gamay do mundo.

Quando jovem seus vinhos já são agradáveis. Possuem aromas florais. Com o tempo de garrafa ganham aromas de compotas, caça e couro, muito parecidos com os Pinot Noir da Borgonha.

FLEURIE: Um bouquet de flores assim podemos chamar os Cru vindos desta village que está no centro geográfico do norte de Beaujolais. Ainda com influência do granito rosa e do manganês nos trazem vinhos de médio corpo, sedosos e muito aromáticos, destacando-se os aspectos florais e de frutos vermelhos.

Outro aspecto que não pode passar sem anotação é a geografia do local. Os vinhedos de Fleurie estão localizados nas encostas com grande variação de solo. Enquanto os mais acima recebem mais insolação e solos calcários há melhor absorção de água que passa para as uvas. Temos, então, vinhos com menos percentual de álcool, mais aromáticos e menos densos. Os vinhedos plantados mais ao pé das encostas possui o solo granítico. Menos água e mais calor temos vinhos mais densos e parecidos com os da vizinha apelação de Moulin à Vent.

O clima continental típico com invernos rigorosos e verões quentes e secos nos trazem grande concentração de açucares. Uvas que produzirão vinhos mais encorpados.

CHIROUBLE: Com vinhedos nas encostas da montanha de Beaujolais com altura média de 450 metros são os mais altos vinhedos dos Cru. A altura, já vimos, nos traz grandes diferenças entre o dia e a noite no final da maturação retardando-a. Tanto é que a colheita por aqui, dá-se 15 dias depois do sul de Beaujolais. Uvas que amadurecem mais lentamente possuem melhor fixação de aromas, sabores, taninos, enfim, temos um vinho de médio corpo, agradável, sedoso e bastante aromático. Expressando muito bem as características da Gamay.

RIGNIÉ: A última village a receber o título de Cru, em 1988. Um dos mais leves Beuaujolais Cru.  Vinhedos muito parecidos com os da vizinha Chirouble. Somente o clima mais ao sul da village que recebe mais influência marítima.

MORGON: Vizinho a Rignié, porém mais ao leste tem como grande diferencial seus Cru possuírem aromas bem mais frutados que florais, contrariando todos os outros Cru.

BROULLY: Já com as características geográficas da região sul de Beaujolais, os vinhos de Broully são bastante frutados fugindo da regra dos Cru.

Os vinhedos são plantados nos solos vulcânicos do Monte Broully.

CÔTE BROULLY: Os vinhedos são separados de Broully pelo monte. Recebem orientação solar diversa, mas possuem, seus vinhos possuem as mesmas características frutadas.

Ah, por fim, não esqueça de uma boa música. Este estilo de vinho me lembra uma boa conversa, uma boa música de fundo.

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