TINTA NEGRA MOLE


PORTUGAL MADEIRA 2

A Tinta Negra Mole é a mais plantada uva da Ilha da Madeira, responsável por mais de 60% dos vinhedos existentes. Uva tinta chave para os tintos licorosos da Madeira, que na verdade são aloirados pelo processo de oxidação em estufagem.

Em época pós filoxera havia dúvidas entre os produtores de qual uva deveria ser a uva mestra na região. Para tanto, deveria ser resistente aos fungos e doenças advindas da alta umidade do terroir.

A escolhida foi a Tinta Negra Mole que tem este nome, exatamente, pelas razões que se lê. É tinta, casca negra e mole, no sentido de macia, eis que é filha da Pinot Noir, como veremos, portanto, baixo índice de taninos e estes, quando presentes macios. Outros sinônimos são utilizados, como Tinta Mole e Tinta da Madeira.

Prolífica e resistente a doenças logo tomou conta dos vinhedos. E era usada em elevado percentual mesmo naqueles licorosos que estampavam outros varietais no rótulo, como a Sercial, Boal e assim vai.

Novas legislações na década de 90 terminaram pondo fim a esta prática. Hoje somente podem destacar o varietal no rótulo de o vinho o contém em mais de 85%.

Outro ponto a destacar é que ela, na verdade, é cruzamento da Pinot Noir com a Grenache e na Espanha atende pelo nome de Negramol na Canárias.

O que nos interessa, neste ponto é sua versatilidade, qualidade e quantidade, sendo, portanto, uma uva ícone da Madeira e responsável pelos seus licorosos vinhos terem sucesso pelo mundo.

Utilizada nos licorosos mais populares da ilha como os de estufagem onde são produzidos os mais simples e corriqueiros, aqueles elaborados com a Tinta Negra. Aqui, se qualquer outro vinho fosse elaborado com esta técnica seria um desastre total. O vinho depois de terminado seu processo de elaboração é colocado para “cozinhar” ou estufar.

Tem tempo que se sabe que estes vinhos melhoram com o calor. Os chamados torna-viagem aqueles que iam para locais distante de navios, do tempo das viagens marítimas e quando os que não eram vendidos voltavam verificava-se que estavam muito melhores, eis que submetidos ao calor e abafamento dos porões.

Daí o desenvolvimento desta técnica. Hoje utilizam-se tanques de inox com controle de temperatura para simular as mesmas condições. Em ambiente redutor de oxigênio o vinho é aquecido e durante o tempo certo sofrerá redução e oxidação nos trazendo a maravilha que é este vinho.

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