QUAL O CHARME DO VINHO BRASILEIRO?


BRASILO VIDEIRAS ANTIGAS

Pois é, além da bela foto deste vinhedo muito antigo, da década de 50, em Flores da Cunha/RS, certamente o nosso vinho tem algumas peculiaridades únicas.

Como apreciador de vinho, consultor e escrito de vinhos procuro não ter restrições quanto à experimentar novos vinhos, seja de onde vierem.

Falo, aqui dos vinhos da região sul, sabendo que há outras regiões produtoras, mas a grande maioria dos vinhos nacionais  são aqui  produzidos.

Nossa escancarada vocação, principalmente nas serras gaúcha e catarinense é para espumantes e vinhos brancos. Os espumantes já trilharam um caminho de sucesso internacional, os brancos nem tanto, mas não é por causa da qualidade e sim pela dificuldade na venda.

O consumidor nacional tem uma resistência a apreciar brancos. Preferem o espumante ou partem para a cerveja. NÃO SABEM DO QUE ESTÃO A PERDER.

Esta situação impulsiona a produção de tintos. Em primeiro passo na serra gaúcha, depois a catarinense e agora novas fronteiras na linha divisória com o Uruguai e a região centro-sul do Estado do Rio Grande do Sul, extremo sul do Brasil.

Aqui o esforço e desenvolvimento dos tintos nacionais merece uma salva de palmas. Melhoramos e muito a qualidade dos tintos. Antes leves e despidos de aromas. Agora de  médio corpo e aromáticos. Ontem mesmo fiquei curioso (qual o enófilo que não é) com um exemplar de Syrah feito na serra gaúcha. Estou aqui a pensar como ele é.

Mas voltando ao tema, nosso vinho além do injustificável  preconceito dos consumidores, digamos mais “entendidos” de vinho, por ser nacional, por lembrar de tantas bombas engarrafadas que bebeu.

MAS HOJE A VINHOS MUITO BONS, a exemplo dos portugueses, franceses e italianos que inundaram e inundam nossas prateleiras com bobagens do tipo Mateus, Grão Duque, Bolla, Chianti de péssima qualidade e franceses de duvidosa qualidade. Só que aos estrangeiros deram segunda chance aos nacionais não. E por que? Não sei. Todo vinho merce uma segunda chance.

Penso que os vinhos nacionais são agraciados pela altura, serra gaúcha e, principalmente catarinense o que traz no final da maturação da uva, seus 20 dias finais, um retardamento na maturação fazendo com que a uva adquira mais aromas e cor.

Também os verões não muitos quentes, em face da altura ou chuvas fazem com que os vinhos tenham uma acidez agradável e refrescante, fazendo com que o vinho tenha uma vocação gastronômica que não se vê na maioria dos andinos.

Nos brancos dificilmente abro uma garrafa de nacional e penso este é muito ruim. Os brancos são ótimos, desde o mais simples de garrafão até os trabalhados com carinho.

Claro que nem tudo é tranquilidade. Os problemas que vejo:

1- Os impostos. Mas vamos devagar os impostos são parte do problema. Tem muito produtor nacional que antes do vinho ser produzido já avisa que seu preço será de muitos reais. Isto, para mim é um erro.

2-A resistência do brasileiro em beber brancos e roses. Eu nos meus cursos e degustações dirigidas combato fortemente esta tendência.

3- Como disse acima, o injustificável preconceito com vinho brasileiro.

4- A comparação dos nacionais com os chilenos e argentinos. Não se pode comparar grandezas diferentes. Não se pode nem mesmo comparar argentinos com chilenos! Penso que só se pode comparar dois vinhos feitos nas mesmas safras e em regiões muito perto uma da outra. De resto não há como. Jamais um vinho tinto nacional será denso e barricado como os andinos. Enólogos não são mágicos.Estranho que este sentimento de comparação não existe quando se trata de espumante. Talvez por aqui somos melhores. VAMOS COMPARAR QUANDO FOR POSITIVO. VAMOS ENALTECER O QUE É AQUI PRODUZIDO.

5- Comparar preço. Aqui os vinhos sofrem, realmente, com os impostos e uma ou outra visão, a meu ver equivocada de querer produzir vinhos nacionais para competir com os altos preços de alguns importados. Os vinhos nacionais são o que são pelo preço que são e ponto final.

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