MEU OÁSIS, O VINHO


oasis (1)

Nesta vida tão corrida, cheia de guerras e batalhas, muitas vezes temos que tomar várias decisões em pouco tempo. Resultado de tanto stress? Chegamos em casa cansados e precisamos nos reinventar para encontrar arte na rotina da vida.

Uma das minhas grandes ajudas, com as conversas com a família, a música e a culinária é o vinho. É como a visão de um oásis no deserto. Tuareg com sede.

O vinho é aprendizado de algumas faculdades que não nos ensinaram a desenvolver, como olfato e paladar. Nos ensinaram a falar, ler e escrever, mas não nos ensinaram a sentir e a cheirar. Ao ampliar o conhecimento sobre o vinho certamente estara redescobrindo a capacidade de cheirar e identificar aromas e sabores.

O vinho junto com a música e a culinária são os dos representantes de uma nação, povo, aldeia, rincão , enfim, é a demonstração, silenciosa, do local onde foi produzido. É uma viagem sem sair do lugar. Cultura, arte e história numa só garrafa.

O vinho traz muitas mensagens. Ao abrir um vinho que nunca apreciei sempre lembro do náufrago que colhe uma garrafa no mar. Qual será a mensagem que ela tem?

Quando estou na loja de vinhos, diante de tantas opções, pareço uma criança na seção de  brinquedos, fascínio é pouco, os olhos brilham e já imagino como seja este ou aquele vinho de acordo com a região onde foi elaborado.

Vinho também é paradoxo e contraste. Assim como representa a cultura, história e estória do local onde foi feito, alguns até são elaborados exatamente iguais a mais de 900 anos, ele representa, também, toda a inovação tecnológica possível, desde o vinhedo, com estudos sérios e profundos sobre clima, solo e desenvolvimento de clones desta ou daquela casta, passando por alta tecnologia na sua elaboração.

Mas quando abrimos a garrafa parece que estamos viajando no tempo e espaço, simplesmente estou ali no local onde foi feito. Quanta alegria ao abrir um Porto? Um Borgonha, Um Piemonte, Um espumante ou um vinho nacional? Cada qual com uma mensagem a ser decifrada.

E as harmonizações? Um mundo que se abre para nós. Harmonizar vinhos é, no mínimo entender de vinhos, culinária e ter saído do lugar comum quando falamos em olfato e paladar. Quanta alegria sinto depois dos cursos que ministro e vejo o brilho e atenção dos olhos daqueles que me escutam.

Pensem no prazer de beber um rose de Provence e sintam-se no mediterrâneo, um Syrah com seus aromas de especiarias, um Malbec firme e forte como só ele e conseguimos ver a paisagem lunar de Mendoza com a cordilheira branca ao fundo, um Sauvignon Blanc do Loire e sintam a mineralidade deste vinho. Um Chardonnay de Chablis, frescor e acidez no ponto. Um Sangiovese e seus taninos rústicos sempre presentes, quase a gritar por uma pasta.Um Alentejano, vinho forte, encorpado lembrando em muitos casos um andino, enfim, há opções para todos os momentos.

Vinho é confraternização, amigos, con(vivência), mesa e experiências compartilhadas.

Como diria Mario Quintana, o melhor vinho não é o mais antigo ou mais caro e, sim, aquele que bebes, em silêncio, com o teu mais antigo amigo.

Já está na bíblia, os vinhos são como os homens, o tempo azeda os maus e apura os bons.

Mas sempre tenho em mente a imagem deste oásis quando consigo abrir um bom vinhos com amigos, um oásis nesta corrida e maluca vida.

Como dizia Raul Seixas: Só não quero ter a loucura de ser um sujeito normal.

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